E aguenta firme no leme em navegar na tempestade em tempos de crise econômica

 

O Boulevard Biguaçu, o primeiro shopping da história de Biguaçu, simboliza os tempos difíceis da crise econômica que assola no Brasil há mais de dois anos e seus reflexos no “microcosmo” do município. Um quarto de suas lojas acabou fechando as portas, mas as que ficaram vêm lutando firme e fortes para aguentar o longo “inverno” que ainda continua. Tal como não existe primavera ou inverno eternos, a crise haverá de um dia acabar. O problema é saber quando, mas o negócio é aguentar firme e forte de qualquer jeito.

De acordo com o zelador do boulevard, Cláudio Lisboa, cinco lojas fecharam as portas ano passado no boulevard e, mesmo com descontos especiais e outras facilidades no aluguel, está difícil alugar as salas vazias.

Uma das empresas que entregaram as chaves da sala foi a Tim. Se com uma empresa que comercializa telefones celulares, hoje literalmente na mão de todo mundo, com uma imensidão de gente que se comunica via celulares e whattsapp, volta e meia precisando de conserto, compra de plano de ligações, entre outros serviços, a situação está difícil, agora imagine o que é para outras empresas que vendem ou prestam serviços em artigos que não são de primeira necessidade. Hoje nos tempos tecnológicos em que vivemos, os celulares tornaram tão indispensáveis como comida e vestuário.

“O movimento do boulevard diminui mais ou menos em 60%. Não está fácil prá ninguém”, comenta Cláudio.

 

RESISTINDO

Douglas Stähelin, 35, é gerente da Java Surf Shop, loja especializada em “surfwear”, moda surf.

“Estamos aqui no boulevard Biguaçu há quatro anos. Estávamos crescendo, mas a crise freou tudo. Estamos aguentando a crise, mas as vendas continuam num patamar aceitável”, comenta Douglas.

Apesar de ser roupa para surfistas, a “surfwear” é um tipo de roupa preferido por jovens da faixa etária dos 12 aos 25 anos, muitos dos quais nunca sequer tiveram uma prancha de surf ou praticaram esse esporte.

 

NECESSIDADE BÁSICA”

Outra loja do boulevard é a Cacau Show, especializada em chocolates. A responsável Camila Katylin Cristina de Souza Pereira, 21, comenta que as vendas eram bem melhores antes da crise, mas o que tem ajudado a loja tem sido a propaganda que a matriz da marca tem investido em mídia nos meios de comunicação. “A publicidade ajuda no retorno”, comenta.

E há outro fator: tem gente que pode até diminuir a quantidade semanal de chocolate, mas não deixa de comprar nem que seja uma barrinha.

 

ROUPAS

Bruna Hoffmann Loeff Cardoso, 36, proprietária da loja Hering, que fica na entrada do boulevard, comenta que as vendas ainda não se recuperaram ao nível de antes da crise, mas, segundo ela, houve reação neste ano de 2017 para melhor. “Claro que não tão relevante, mas foi uma melhora depois de dois anos de queda”, observa.

De acordo com Bruna, faça sol, faça chuva, faça crise ou prosperidade, a vida continua e todos precisam comprar roupas. “As crianças crescem, as estações mudam, as roupas não cabem mais nos filhos, enfim, sempre é preciso comprar alguma roupa”, comenta Bruna pedindo aos céus para que essa crise acabe logo e a vida volte ao normal.

 

CRESCIMENTO

Cleonice Bender, 31, gerente da ótica Quevedo do boulevard Biguaçu, observa que, ao contrário da tendência de queda, na sua loja houve até aumento nas vendas, apesar de toda a crise.

Isso explica-se que, mesmo com crises econômicas, as pessoas são obrigadas a viver e algumas precisam de óculos para enxergar direito. E quem precisa de óculos ou acabou de quebrar o seu, não pode deixar para “depois da crise”, para obter esse produto. Por isso, as vendas da ótica não tiveram, segundo informa a gerente, queda tão brusca de vendas.

 

CENÁRIO

Sobre a crise econômica, informa o portal da Globo: “(O Brasil teve) seu segundo ano seguido de retração no Produto Interno Bruto (PIB), o pior resultado da economia já registrado pelo IBGE. Em 2016, a economia encolheu 3,6%. Em um passado recente, a realidade era inversa e o país registrou seu maior avanço do PIB em 20 anos em 2010, quando a economia cresceu 7,5%.

Essa mudança de rota atingiu em cheio o bolso da população e fez muitos brasileiros mudarem de vida – para pior. “Como o PIB caiu e a população ainda está crescendo, a gente teve três anos de queda no PIB per capita, uma redução de 9,1% no período. Isso significa um empobrecimento da população”, disse Rebeca de La Rocque Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.