Cidadão mata por ciúme mulher com quatro facadas diante das duas filhas no Bom Viver

 

Na manhã do último domingo (06/08) Biguaçu registrou um assassinato por ciúmes. Isac da Costa, 32, matou a facadas Viviane Monteiro, 35, na frente das duas filhas do casal, uma de 16 anos e outra de apenas 3 anos de idade. O crime aconteceu na casa da vítima, na rua Júlio Beckhauser, no bairro Bom Viver, Biguaçu.

Não foram divulgados detalhes sobre o caso, mas, segundo a polícia, a causa foi ciúmes do ex-companheiro da vítima.

Segundo a filha mais velha, Isac foi conversar com Viviane, mas acabou entrando numa discussão. No calor da mesma, ele passou a esfaqueá-la. Após dar quatro facadas, fugiu da cena do crime. Viviane não resistiu e acabou morrendo antes da chegada do socorro.

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PREMEDITAÇÃO?

Chama a atenção para um detalhe. Em sua página pessoal no facebook, Isac postou uma mensagem na noite de sábado (05/08), véspera do assassinato. A mensagem foi: “Não fique ansioso com o amanhã, ore e entregue as suas causas nas mãos de Deus. Boa noite!!!”

Isso foi às 23h. Três horas antes, às 19h27 do mesmo sábado (05/08), ele havia postado, na facebook de Viviane, a seguinte mensagem: “Eu amo alguém especial que faz aniversário em agosto”.

Dois dias antes, Isac postou um vídeo de música no facebook de Viviane com uma música cujo refrão era: “Fica comigo então/ Não me abandona não”.

Um dia antes, em 2 de agosto, Isac postou outro vídeo no face de Viviane e esta nem sequer deu uma “curtida”, o que indicava que a relação entre eles encontrava-se estremecida. O vídeo em questão era de uma música cujo refrão era: “Nosso Amor foi abençoado por Deus.”

Paradoxalmente Isac mataria o “amor abençoado por Deus” quatro dias depois.

 

QUANDO O CIÚME PODE VIRAR PATOLOGIA

Josielly Pinheiro Westphal, psicóloga que atende na Clínica Médica Biguaçu, do centro da cidade, coincidentemente já atendeu diversos casos de ciúmes patológicos, ou seja, o trabalho da psicoterapia é fundamental para que o sentimento de ciúme não venha ocasionar prejuízos na vida de quem sente ou é “vítima” de ciúme. Algumas teorias consideram que os casos mais graves podem ser curados através da psicoterapia que passa por um reforço da auto-estima e da valorização da auto-imagem.

Segundo a psicóloga, assassinatos por causa de ciúmes é mais comum do que se imagina. De acordo com dados policiais, de cada 10 crimes passionais, sete são protagonizados por homens enciumados. Cientistas tem buscado explicações para tal comportamento, porém, os estudos ainda são pouco divulgados e raramente a população em geral tem acesso.

“O sentimento de ciúme é comum e aceitável, mas cabe a própria pessoa identificar se já está passando dos limites, trazendo prejuízos para ambas as partes, nesse caso, será necessário ajuda profissional”, observa.

 

CARACTERÍSTICAS

Considerado por muitos o “tempero das relações”, o ciúme é um sentimento comum a quase todos os humanos e pode até mesmo ter desempenhado papel fundamental na evolução da espécie. De acordo com as teorias da psicologia evolucionista, é uma característica biológica que herdamos de nossos ancestrais, que usaram esse sentimento como um mecanismo de sobrevivência.

“As mulheres das cavernas sentiam ciúme de seus machos para que eles não copulassem com outras fêmeas, o que colocaria em risco a sua própria prole. Dos primeiros enlaces românticos até hoje, o ciúme muitas vezes apareceu atrelado a conceitos positivos, como zelo e proteção. A máxima de que “quem ama cuida” é comumente citada pelos ciumentos para justificar seus atos. “Mas, nos casos em que esse sentimento passa a ser um sofrimento muito grande, a ponto de prejudicar a vida daquele que o sente, ou a de seu parceiro, pode se tratar de um quadro de ciúme patológico”, alerta Josielly.

“O grande problema dos ciumentos doentios é que eles tem dificuldade para encarar isso como um problema e em razão disso não buscam ajuda. Um viciado em álcool ou drogas percebe as consequências do vício tanto no corpo quanto nos relacionamentos, já um ciumento não”, comenta Josielly.

“Há casos onde a pessoa passa a ter a sua vida girando em torno do seu sentimento de ciúme, prejudicando seu desempenho no trabalho, afetando suas relações interpessoais”, observa.

Paradoxal como grande parte dos sentimentos humanos, o ciúme em demasia também pode significar desejos ocultos da própria pessoa. “Muitas vezes aquele que sente ciúme exacerbado está projetando no parceiro algo que ele mesmo faz ou gostaria de fazer”, afirma a psicóloga Josielly. “Já vi vários casos de homens ciumentos que eram eles próprios os infiéis.”

 

PREOCUPAÇÃO

Teoricamente, devido ao grande número de casos de assassinatos de maridos ou companheiros que matam suas (ex) companheiras por ciúmes, deveria haver algum programa de atendimento a esse mal. Mas a psicóloga lembra que como o ciumento não se reconhece como alguém que precisa de ajuda, ao contrário dos usuários de álcool e outras drogas em determinado momento do vício, tal programa não teria chances de prosperar.

“O sentimento de ciúme que culmina num crime, como o apontado nesta matéria, alcançou um nível patológico e descontrolado, onde o agressor provavelmente não mediu as consequências dos seus atos. Considerando isso, é importante que as pessoas que notam que seu ciúme está trazendo sofrimento a si próprio ou ao parceiro (a) procurem ajuda profissional, evitando que tal sentimento venha a desencadear uma tragédia como essa.” Cada pessoa tem sua própria história pessoal e é difícil apontar um único motivo pelo qual alguém cometeria tal ato, por isso a importância de buscar um profissional.

 

PALESTRAS

A psicóloga Josielly está a disposição de escolas ou outras entidades para palestras gratuitas sobre o tema ciúmes e patologias correlacionadas.

Josielly atende na Clínica Médica Biguaçu, na rua Coronel Teixeira de Oliveira, 277, no centro da cidade. Seu celular é (48) 99911-3916.