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Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

Acordei nesta manhã de sexta (01/09/2017) com a notícia divulgada pelos telejornais de que um procurador de Justiça, Aor Stefens Miranda, foi atropelado e morto na madrugada de hoje mesmo, na Beira Mar de São José (SC).

Aor e um amigo identificado como João Carlos Schultz haviam saído de uma pelada de futebol e caminhavam pela calçada da citada avenida quando foram atingidos por uma Mercedes C180 dirigida por um cidadão que, segundo a Polícia Militar, encontrava-se embriagado.

Confesso que fiquei horrorizado. Explico. É que todos nós, brasileiros, e nossas famílias estamos vulneráveis a uma tragédia desse tipo. Por quê? Por não haver qualquer segurança nas ruas das cidades brasileiras. Explico.

Quantas vezes você, caro leitor, leu no jornal ou viu no telejornal a respeito de vítimas por atropelamento por motoristas bêbados que perderam o controle do carro, invadiram a calçada e atingiram em cheio pedestres inocentes?

Só de lembranças, cito alguns casos. Faz poucas semanas que um jovem de sobrenome Sirostky atropelou matando um outro jovem, que se encontrava andando num acostamento de estrada.

Em 2014, o JBFoco noticiou a morte de uma senhora que estava esperando o ônibus num ponto no bairro Prado de Baixo, aqui em Biguaçu, quando um motorista totalmente embriagado, que mal conseguia ficar de pé, perdeu o controle de sua caçamba passando por cima da vítima, destruindo tudo que tinha pela frente e quase matando funcionários da Auto Pista Litoral Sul.

Lembro-me de outros casos. O do atropelamento do jornalista Roger Bittencourt em Florianópolis, o de uma auxiliar de enfermeira que estava indo para o ponto de ônibus atingida em cheio por um carro desgovernado também na capital, o de um outro jovem em Florianópolis também morto nas mesmas circunstâncias. Paro por aqui. Remexendo as lembranças, encontrarei outros casos.

Analisando o tema, se a gente for ver bem, não passa semana em que não recebemos notícias de atropelamentos no trânsito sem sair daqui de Santa Catarina, que dirá no Brasil. Posso arriscar que as mortes ocorrem todo santo dia sem falhar um, verdadeiro horror!

Se ficar uma pesquisa rapidíssima na internet, podemos ter uma ideia bem “superficial” do tamanho da tragédia. Transcrevo aqui o breve trecho de uma reportagem, a primeira que me apareceu na tela: “O Brasil aparece em quinto lugar entre os países recordistas em mortes (por atropelamento) no trânsito, atrás da Índia, China, EUA e Rússia. Segundo o Ministério da Saúde, em 2015, foram registrados 37.306 óbitos e 204 mil pessoas ficaram feridas. O Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT) pagou, em 2015, 42.500 indenizações por morte no país e 515.750 pessoas receberam amparo por invalidez.”

Se pesquisar o assunto, dá um livro.

 

“CULTURA DA PREVENÇÃO”

É preciso haver mais blitze policiais da campanha “Lei Seca”, punir severamente quem dirigir embriagado, patatí patatá. Ótimo. Disso não discordo. Tem de ser feito isso e ponto final.

No entanto, enquanto persistir a cultura da impunidade (muitos bebem e depois dirigem porque realmente acham que não vai dar em nada- e em muitas vezes, é isso mesmo), precisamos implantar algumas “defesas” dentro da ideia de que “é melhor prevenir do que remediar”.

Uns vão alegar que o que vou propor aqui  é uma “loucura”, “doidice”, “bobagem”, “tolice”, “babaquice” ou o que seja, mas tenho a absoluta certeza que, se não salvar 100% das futuras mortes por atropelamento, pelo menos deverá diminuir- no mínimo- pela metade.

A proposta “louca”, “maluca” e “idiota” que registro aqui é a seguinte: instalar muretas e guard-rails em calçadas. Sim, pelo menos nas ruas mais movimentadas, nas vias de trânsito de maior velocidade, haja uma proteção para que, em caso de motoristas bêbados que perderem o controle do carro (às vezes também nem precisam estar bêbados, vale a pena também ressaltar), se invadirem a calçada, quem sabe a mureta garantirá que o veículo não atinja em cheio algum transeunte que porventura por ali estiver caminhando.

 

MURETAS

Em 2014, conforme dito antes, houve o atropelamento e morte de uma senhora no ponto de ônibus do bairro Prado de Baixo.

Depois da tragédia, o jornal Biguaçu em Foco insistiu para que o ponto de ônibus em questão, completamente destruído, fosse reconstruído, mas que tivesse muretas de proteção, justamente para que a tragédia não venha a repetir-se. É verdade que estatisticamente um raio não cai no mesmo lugar duas vezes, mas, como diz também outro ditado, “o seguro morreu de velho”.

No final da história relatada, a Auto Pista Litoral Sul acatou a ideia que este jornal insistiu e rodeou não só o dito ponto, mas vários metros adiante com uma sólida mureta protetiva.

É verdade que a sede dessa concessionária fica atrás do ponto de ônibus e, no dia do acidente, a empresa teve o pátio invadido pela caçamba desgovernada. A mureta em questão foi instalada coincidentemente como prevenção da própria auto pista. Mas a empresa está de parabéns e serve de modelo para a ideia aqui defendida e que deveria ser expandida para toda a cidade.

É verdade que muretas e guard-rails são caros e são milhares de quilômetros de ruas e estradas. É uma despesa a mais. No entanto, o leitor concorda que mortes estúpidas por atropelamento custam mais caro do que muretas e guard-rails? Quanto vale a vida de um jovem, de uma senhora ou de um procurador da justiça atropelados por motoristas bêbados?

Aliás, se houvesse um mureta nas calçadas da avenida Beira Mar de São José, o procurador Aor Stefens não poderia ter sido salvo da morte precoce estúpida provocada por um irresponsável bêbado?

 

CALÇADAS

Sei também que as calçadas no Brasil são a cara do país. Há de todos os tipos de defeitos e tamanhos.

Um argumento contrário à ideia de se instalar muretas e guard-rails nas ruas é de que geralmente as calçadas são pequenas e o espaço, que ficará reduzido, ficará mais ainda.

É verdade. Não tiro a razão. Mas isso não é razão para descartar completamente a ideia.

Uma medida simples é obrigar os donos de terrenos de determinadas regiões a recuarem seus muros em alguns centímetros ou, se possível, dependendo dos casos e do bom senso, um metro, se a região permitir. Isso para ajudar a aumentar o tamanho das calçadas e sem precisar pagar indenizações.

A sociedade tem de colaborar, fazer alguns sacrifícios e permitir, sem briga, um recuo no muro, pois isso não significa “perder o terreno”, mas sim valorizar as propriedades e, quem sabe, proteger os filhos dos próprios donos dos terrenos que foram obrigados a recuar alguns centímetros seus muros para ajudar a dar um espaço mínimo às muretas e guard-rails.

 

ESTUDO

Essa ideia deveria ser estudada, planejada e executada da melhor maneira possível.

O resultado será uma melhor proteção em nossas ruas. Repito: isso não vai acabar com as mortes por atropelamento no trânsito selvagem do Brasil, mas ajudará a reduzir. Se for 10%, 20% ou 50%, já tem valido a pena. São menos velórios, menos famílias chorando pelos seus entes queridos mortos estupidamente na estupidez do Brasil de hoje.

Espero ter contribuído para o debate.

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