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O Anel Viário, como é chamado o futuro (sabe-se lá quando será “presente”) desvio da BR-101 entre Biguaçu a Palhoça, daria um livro documentário sobre o “Custo Brasil”.  Sim, um livro documentário organizando o festival de absurdos que aconteceram para que essa obra virasse uma “eternidade” para ser inaugurada. É impressionante como no Brasil tudo é difícil, problemático, incompetente, burocrático, muitas vezes beirando o absurdo.

O Anel Viário era para estar pronto em 2012. Aliás, poderia estar pronto muito bem antes. Só para se ter uma ideia, em agosto de 2001, o JBFoco publicou reportagem de capa informando que seria lançada a obra em questão. Agora a previsão para a conclusão da obra é 2020, caso não houver mais adiamentos por força de mais algum licenciamento ambiental que falta entre tantos que são exigidos.

Só mesmo aqui no Brasil para a seguinte história acontecer. Pois vejamos. Como dito antes, em 2001, já estava prevista a citada rodovia pelo interior da Grande Florianópolis. Pois não houve o caso de um ex-prefeito de Palhoça, Ronério Heiderscheidt (PMDB) que liberou a instalação de um loteamento num terreno justamente onde estava previsto o traçado da futura estrada?

Num país decente, Ronério no mínimo deveria estar preso punido por esse absurdo de liberar loteamento em cima do traçado previsto da rodovia.

A “brincadeirinha” de Ronério custou todo um replanejamento da obra, inclusive mudança do traçado e isso gerou custos. Porém, custo maior foi popular. Algumas famílias, que antes não seriam afetadas pela rodovia, tiveram de ser removidas por causa da reformulação do trabalho. Os prejuízos provocados por Heiderscheidt transformou-se num rastro de danos e consequências.

 

CUSTO

O atraso das obras talvez seja o menor do festival de incompetência assolada essa obra, assunto este que merecia uma livro de investigação (que pena que no Brasil o mercado editorial é problemático por estarmos num país onde educação pública de qualidade é deficiente).

Ao todo, o Anel Viário terá 50 quilômetros de extensão. Já consumiu R$ 770 milhões. O leitor sabe o que são R$ 770 milhões? Afinal de contas, vamos fazer algumas contas de matemática básicas de adição, subtração e multiplicação.

Os R$ 770 milhões divididos por 50 quilômetros dão como resultado R$ 15,4 milhões, isto é, cada quilômetro da citada rodovia está custando R$ 15,4 milhões. Vale lembrar que a obra pode ter novos acréscimos.

Era 2011 ou 2012 quando, certa vez, nosso jornal São José em Foco publicou uma reportagem sobe a fortuna que a prefeitura daquela cidade gastou numa reforma na Avenida Presidente Kennedy, que corta dos bairros Campinas e Kobrasol.

Na ocasião, um ex-vereador daquela cidade, Antônio Batisti (PT), comparou os custos dessa obra com dados do governo do Estado a respeito da duplicação de uma rodovia estadual em Florianópolis.

Entre ampliação, pagamento de indenizações (houve várias), empreiteiras, brita, asfalto, entre outros custos, o quilômetro da rodovia estadual estava custando um pouco mais de R$ 1 milhão, enquanto que a prefeitura de São José estava gastando mais de R$ 10 milhões em 1,3 quilômetro de extensão da avenida Presidente Kennedy.

Mas voltando ao Anel Viário, sabemos que o desvio da BR-101 entre Biguaçu a Palhoça está cortando por volta de mil terrenos, mas o custo das indenizações é tão alto assim? Por que há proprietários de terras desapropriadas para a rodovia que estão reclamando do valor que consideram “baixo” de indenização?

Diante disso e pelo noticiário dos desdobramentos da Lava-Jato, prisões de ex-governadores do Rio de Janeiro e falcatruas de toda sorte, no mínimo, é de ficar com um pé na frente e outro atrás sobre os R$ 15,4 milhões por cada quilômetro que está sendo gasto oficialmente na obra do Anel Viário, cujo término não ocorre nunca.

 

“QUEM AVISA, AMIGO É”

Dos 50 quilômetros de extensão do Anel Viário, 23 serão dentro do município de Biguaçu.

O futuro Anel Viário será uma “benção” ou uma “maldição” para Biguaçu? Eis a questão.

Em primeiro lugar, o rodovia será uma pá de cal na zona rural de Biguaçu. A futura rodovia vai provocar a urbanização rápida da região. Isso é bom ou ruim? Depende do ponto de vista.

Mas o fato é que a rodovia em questão irá cortar uma infinidade de estradas e caminhos pelos quais a população rural de Biguaçu passa em seus afazeres diários. A rodovia vai tornar-se um “muro”.

Teoricamente em cada trecho em que o Anel Viário cortar estradas e vias de acesso, deveria haver um viaduto, túnel, passarela, ponte, enfim, alguma passagem para que o trânsito local não seja interrompido.

Eis a questão. O futuro Anel Viário só terá três viadutos em seus 23 quilômetros de extensão pelo município de Biguaçu. Haverá trechos em que moradores terão de percorrer não se sabe quantos quilômetros para fazer uma simples travessia de um lado para outro da rodovia.

E a coisa não para por aí. O Anel Viário não terá marginal. Isso mesmo o que o leitor leu. Não haverá estradas laterais para o trânsito local no futuro Anel Viário. Não é preciso ser Nostramadamus para prever que a futura rodovia trará muitos transtornos para a população de Biguaçu no futuro.

O prefeito Ramon Wollinger (PSD) não pode cruzar os braços nesse momento. Tem de lutar pela marginal e mais viadutos nessa estrada. Se preciso, precisa dar murro na mesa. É verdade que ele está pleiteando a construção de um quarto viaduto no Anel Viário de Biguaçu, mas se o governo Federal não aceitar o pleito, Ramon pode e tem todo o direito de mobilizar a população para obstruir o canteiro de obras até que o pleito seja atendido.

Não pode deixar como aconteceu com prefeitos de Biguaçu e Antônio Carlos na década de 1980 quando o governo do Estado asfaltou a rodovia SC-407. Não exigiram acostamento naquela rodovia que liga Biguaçu a Antônio Carlos nem pediram um traçado mais retilíneo em certos trechos. Resultado: o povo de Alto Biguaçu, Rússia, Santa Catarina e Antônio Carlos sofrem com uma estrada abarrotada de caminhões, sem acostamento e repleta de buracos.

Por isso, como diz o ditado: “quem avisa, amigo é”.

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