A  secretaria responsável pelo turismo de Santa Catarina anunciou recentemente a estimativa de que DOIS MILHÕES de turistas passarão por Florianópolis até o final da temporada de verão, isto é, até o final de fevereiro.

Os números impressionam. Mas o que mais impressiona é que Biguaçu, situada ao lado de Florianópolis, a apenas 17 quilômetros de distância do centro da capital, bem de frente à baía de onde se vê a ilha de Santa Catarina, não implantou qualquer estratégia para atrair, pelo menos, uns 5% desse universo de turistas.

Perguntar não ofende: quem é o responsável pelo setor de turismo de Biguaçu? O que essa pessoa faz exatamente? Que planos tem essa pessoa? Aliás, existe essa pessoa?

O leitor pode estar perguntando-se: o que fazer para atrair turistas a Biguaçu? Parece-nos que, o mínimo do “mínimo”, seria colocar umas meninas jovens no aeroporto Hercílio Luz e no terminal de ônibus Rita Maria distribuindo panfletos com os dizeres: “venha conhecer Biguaçu”.

Sim, um panfleto no mínimo bilíngue (português-espanhol) com o resumo das atrações turistas do município.

SITE

Perguntar não ofende: qual é o site ATUALIZADO elencando as atrações turísticas de Biguaçu? Qual o site informando como chegar, as tarifas, os preços de hospedagem, da gastronomia, os locais históricos e suas curiosidades?

A prefeitura pode alegar que elencar informações de preços e tarifas é incumbência dos empresários que exploram o setor. E é verdade mesmo. Mas então converse com esses empresários para que eles mesmos assumam o compromisso de fornecer os dados do site turístico oficial da cidade.

SÃO MIGUEL

Em São Miguel, concentram-se restaurantes de frutos do mar, que justamente impulsionam o turismo e os empregos do setor em Biguaçu. Recentemente foi inaugurado um trapiche. E aí? Perguntar não ofende: já existe algum plano para atrair escunas?

De linha reta a partir de São Miguel, fica Santo Antônio de Lisboa, do outro lado, a Ilha de Santa Catarina (Florianópolis). Nessa época do ano, está lotado de turistas. Estacionar na região é praticamente impossível.

Perguntar não ofende: não seria inteligente Biguaçu mandar uma escuna (alugada, fretada, emprestada ou o que seja) rumo a Santo Antônio de Lisboa para oferecer GRATUITAMENTE um passeio ida e volta a São Miguel?

O leitor poderá perguntar-se? Mas quem pagará a conta? Não há como empresários e prefeitura estarem trabalhando conjuntamente nessa estratégia para aumentar o número de visitantes a São Miguel? E os recursos para isso não poderiam ser viabilizados?

ESTRATÉGIA

O princípio é o mesmo das “amostras grátis” para que o cliente conheça o produto. O passeio é gratuito, mas os turistas quando desembarcarem em São Miguel não vão tomar uma coca-cola, uma cerveja ou comer algum aperitivo? Ônibus de excursão para o Amâncio, para algum parque aquático ou outra atração não poderiam estar estacionados para transportar turistas e cobrando pelo serviço? Biguaçu, Antônio Carlos e Governador Celso Ramos não poderiam estar num projeto conjunto de exploração das atrações turísticas?

E POR QUE NÃO CRIAR MAIS ATRAÇÕES?

Biguaçu não tem portal turístico. É impossível criar um? Biguaçu não tem um local às margens da BR-101 tal com em Paulo Lopes onde os turistas pudessem parar com o objetivo de tomar um lanche onde estivessem a disposição produtos agrícolas e artesanais produzidos em Biguaçu?

Biguaçu não poderia pensar seriamente num projeto em busca de recursos com o objetivo de construir um “Cristo Redentor” ou  alguma estátua religiosa no Morro da Boa Vista, de onde se tem um belíssimo visual de toda a Ilha de Santa Catarina, só para atrair turistas? John Kennedy Lara da Costa, ex-diretor da Acibig e filho do ex-prefeito de Biguaçu entre 1989 a 1992, José Eduardo da Costa (Zezinho), defende essa ideia.

Que ninguém vá querer criticar John Kennedy alegando que seu pai poderia ter iniciado ou feito esse projeto mencionado que John defende com certa paixão.

No início dos anos 1990, Biguaçu era na época ainda uma cidade pequena, com poucos recursos e, com os poucos que havia, o então prefeito Zezinho investiu em saúde, principalmente na construção do que se convencionou chamar de “Mini-hospital do Rio Caveiras”, que não era hospital, mas também não era um simples posto de saúde, ou seja, era um avanço para a época.

E AÍ, BIGUAÇU?

Mas voltando ao turismo. Em resumo: entra temporada, passa temporada e o que se vê em Biguaçu nem é o improviso, mas sim o famoso “deixa como está para ver como é que fica”.

Biguaçu está ao lado de uma capital que atrai DOIS MILHÕES DE TURISTAS e continua negligenciando um plano de ação para tentar atrair- repito- apenas 5% desse número, ou seja, 100 mil turistas, número este maior até que o da população atual do município.

É verdade que Biguaçu não tem uma praia paradisíaca, fora do comum, mas temos restaurantes, parque aquático, a cachoeira do Amâncio, algum fabricante de cachaça artesanal perdido por aí, um museu MAL ASSOMBRADO, aldeias indígenas (que, se quiserem, poderiam ganhar um dinheiro com apresentações de dança e música em dia e horário previamente marcados), entre outras atrações que a criatividade sugerir.

O que não pode acontecer é ficar de braços cruzados.  São 100 mil turistas potenciais que poderíamos atrair para a cidade nas temporadas de verão. São 100 mil potenciais cidadãos que vão comer, beber, comprar algum souvenir, passeio, levar uma cachaça, farinha de mandioca, salgadinhos, doces, artesanato, enfim, turistas sempre gastam e levam algo. Resultado: mais emprego e renda para o povo de Biguaçu.

É lamentável que Biguaçu, privilegiado por estar ao lado de uma capital que recebe DOIS MILHÕES de turistas, continuar de braços cruzados como se estivesse olhando a paisagem alheio à oportunidade para ganhar um dinheiro a mais.

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br