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Antes da chegada dos grandes condomínios, o bairro Fundos, em Biguaçu, já sofria com a pouca oferta de ônibus. Os poucos horários faziam com que esses poucos ônibus que circulavam pela região acabassem superlotados.

Nos últimos anos, o bairro, antigamente pacato, tranquilo e com ar de zona rural dentro do perímetro urbano de Biguaçu, recebeu inúmeros condomínios, principalmente do programa “Minha Casa, Minha Vida”. Qual seria a reação mais lógica? Se antes já havia problemas, certamente com o surgimento dos novos prédios, a prefeitura no mínimo solicitaria, pediria ou mesmo exigiria que a empresa que administra o transporte coletivo aumentasse o número de ônibus naquela região.

Pasmem! Nada disso aconteceu. A população quintuplicou, mas a oferta de transporte coletivo continuou exatamente da mesma forma.

Qual a conclusão? A prefeitura de Biguaçu não planeja absolutamente nada. Emitiu simplesmente as autorizações para a construção dos grandes condomínios sem antes fazer um estudo de impacto de impacto de vizinhança ou planejar para que a região não sofresse tanto impacto.

Trocando em miúdos: que a população se exploda, como dizia o famoso personagem do finado humorista Chico Anysio (1931-2012), Justo Veríssimo.

Este é o retrato da administração pública no Brasil.

 

DEPOIMENTOS

 

Rita de Cássia Machado reclama dos poucos horários nos ônibus que atendem o bairro Fundos. (Foto JBFoco)

 

Franciele Pitz: superlotação nos ônibus do Fundos. (Foto JBFoco)

 

Ponto de ônibus na frente do Posto Crespo, no centro de Biguaçu. Todas as pessoas que aí aparecem estavam esperando pelo ônibus do Fundos por volta das 16h30. Este é o quadro. (Foto JBFoco)

 

Maria Lucia Machado, 47, escriturária da prefeitura de Biguaçu, reside no bairro Fundos. “São poucos horários, pouquíssimos mesmos para o bairro Fundos. A população aumentou bastante, foram feitos muitos prédios lá, mas não aumentaram o número de ônibus. Resultado é que os poucos ônibus que circulam sempre estão lotados. É um horror! No final de semana, é pior ainda. Se for feriado, nem se fala. Morador dos Fundos que depende de ônibus não tem direito a sair, passear, ir e vir para Biguaçu em seus afazeres”, observa.

Rita de Cássia Machado, 37, que trabalha como atendente e residente também no bairro Fundos, reclama que geralmente tem de ficar uma hora no ponto de ônibus, quando não é mais dependendo dos engarrafamentos na Via Expressa.

Rita reclama que, se precisar ir a Florianópolis à noite, por exemplo, só há ônibus que passa no Fundos para aquela direção às 18h10. “Depois não tem mais”, conta. Para voltar, tem que ser de carona ou andando mesmo. “Não tem ônibus circular e, se tem, são poucos horários”, reclama.

Franciele Pitz, 16, estudante, também residente no Fundos, reclama da superlotação frequente dos ônibus observando que a causa está no surgimento de vários condomínios na região que trouxe muita gente, que também precisa deslocar-se através do transporte coletivo.

 

Esta é a cena típica dos ônibus do bairro Fundos. População aumentou na região, mas a oferta de ônibus continua a mesma de antigamente quando não havia os condomínios naquela região. (Foto Ozias Alves Jr/ JBFoco)

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