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No último relatório sobre balneabilidade divulgado pela Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente), 53,8% das praias de Governador Celso Ramos, entre elas a de Palmas, a maior e mais badalada, estão aptas para o banho. No entanto, tal como a outra face da moeda, 46,2% são as praias consideradas “não propícias para o banho”, isto é, poluídas.

Dos 13 pontos analisados em toda a orla dessa praia quilométrica, sete são considerados “próprios” e seis “impróprios”. Enfim, analisando sob o prisma do turismo, trata-se de uma situação preocupante.

O que está acontecendo? Por que Governador Celso Ramos não consegue alcançar um índice próximo dos 100% de todas suas praias “propícias ao banho”?

Vale lembrar que Governador Celso Ramos depende cada vez mais do turismo. Quanto mais praias liberadas, melhor para o leque de opções para atender os visitantes. Vale lembrar que, na temporada do verão (entre dezembro a fevereiro), o município recebe milhares de turistas e estes movimentam bares, restaurantes, aluguéis de casas e apartamentos, venda de artesanato e serviços em geral. Quando uma praia está lotada, o turista pode tentar ir em outra, ou seja, quanto mais praia “propícias ao banho”, melhor.

A pesca, principal atividade econômica daquele município, hoje não gera empregos suficientes para atender a toda a população local apta para o trabalho. O turismo é, para certo número expressivo de gancheiros, a principal fonte de renda.

E com a metade de suas praias consideradas “impróprias” para o banho, o sinal vermelho de alerta tem de ser acionado na Associação Comercial da cidade e autoridades em geral.

 

DE ONDE VEM A POLUIÇÃO?

Por que 46,2% das praias de Governador Celso Ramos estão “poluídas”? Vale lembrar que 46,2% é próximo da metade, não é? De onde vem o esgoto que está poluído literalmente a metade dessas praias?

A fonte de contaminação vem do fato de que Governador Celso Ramos não tem sistema de coleta e tratamento do esgoto. Por isso, moradores, não tendo onde despejar seus dejetos, acabam fazendo lançando-os diretamente nos cursos d´água que deságuam em algumas praias.

 

“OPERAÇÃO DE GUERRA”

O que significa isso? A prefeitura local tem de acionar uma “Operação de Guerra” literalmente. Fiscalizar o esgoto clandestino e lacrá-lo forçando o morador flagrado a instalar fossas e sumidouros.

Quem entre os moradores que não tiverem condições financeiras para adquirir esses equipamentos, que a prefeitura lhes doe fossas e sumidouros e cobre parcelado depois no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

Se a prefeitura realmente não tiver condições de arcar com tais doações, que se busquem recursos estaduais e federais. O importante é que, a médio e longo prazo, todos os moradores das praias que a Fatma registrou como “imprópria para o banho”, que lançam clandestinamente seu esgoto, estejam com suas fossas e sumidouros. E assim, com o tempo, as praias hoje impróprias ficarão saneadas e os relatórios dos índices de balneabilidade da Fatma só irão melhorar com relação às 13 praias analisadas de Governador Celso Ramos.

 

TRATAMENTO DE ESGOTO

Fossas e sumidouros são a solução paliativa. O ideal é que Governador Celso Ramos tenha tratamento de esgoto.

Aquele município não é atendido pela Casan. A distribuição de água potável está a cargo de uma companhia município (isto é, órgão da prefeitura local) chamada Samae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto).

Será que a Samae não consegue iniciar o tratamento de esgoto? Não é possível conseguir um financiamento para a implantação desse sistema? A cobrança das tarifas de distribuição de água em Governador Celso Ramos, município com 13 mil habitantes, não consegue gerar “lucro” suficiente que permita à Samae ter condições de investir, nem que seja começando apenas por uma única praia necessitada, na instalação de um início de sistema de tratamento de esgoto?

Se Governador Celso Ramos não se acordar para o problema, vai matar sua “Galinha dos Ovos de Ouro” chamada “turismo”. Vai acontecer como ocorreu nos bairros Coqueiros e Itaguaçu, na parte continental de Florianópolis. Eram os balneários mais concorridos da capital até a década de 1970. Como a população cresceu na região e o esgoto era jogado diretamente nas praias, o resultado foi a desativação daqueles balneários. Hoje só “loucos” para tomar banho naqueles “esgotões”.

Se nenhuma providência for tomada, Governador Celso Ramos poderá ter seus “Coqueiros” e “Itaguaçu” de amanhã. E aí será tarde demais!!!

Como diz o ditado, “quem avisa, amigo é”. A cidade precisa ser engajada dentro da mobilização para sanear 100% de todas suas praias, sem a mínima exceção.

Boa sorte. Os empregos gerados pelo turismo só agradecem.

 

Comentários: ozias@jbfoco.com.br.

 

Relatório de Balneabilidade da Fatma. (Foto Reprodução)
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