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No JBFoco (edição impressa) de quinta-feira da semana passada (11/01), o prefeito interino de Biguaçu, Vilson Alves (PP), observou que o mamógrafo que se encontra ainda hoje na caixa na sede da Secretaria de Saúde de Biguaçu, no bairro Praia João Rosa, é usado.

O vereador Nei Cláudio da Cunha (PPS) discorda: “Não é usado. Pelo contrário. É novo. Acho um absurdo Biguaçu ter ganhando um mamógrafo novo do Governo do Estado em janeiro de 2013 e, até o presente momento, está na caixa. Que o prefeito Vilson me desculpe, mas não existe justificativa alguma para deixar esse aparelho tão importante sem uso”.

Cunha complementa: “eu tenho a cópia da nota fiscal. Posso provar que é um aparelho novo”.

POLÊMICA

Para o leitor entender o que está acontecendo. Em janeiro de 2013, o governo do Estado doou o mamógrafo à prefeitura de Biguaçu.

Em 20 de novembro do ano passado, o vereador Nei Cláudio da Cunha (PPS) foi à tribuna da Câmara Municipal de Biguaçu onde denunciou que há quatro anos e 10 meses (ou seja, arredondando, quase cinco anos) o citado mamógrafo, aparelho através do qual se faz o exame que diagnostica o câncer de mama, encontra-se “encaixotado” na sede da Secretaria Municipal de Saúde.

Em 11 de janeiro deste ano, Vilson Alves, que neste mês encontra-se como prefeito interino de Biguaçu em razão das férias de Ramon Wollinger (PSD), justificou que o aparelho está na caixa porque para mantê-lo funcionando, a prefeitura teria de gastar entre R$ 25 mil a R$ 30 mil por mês enquanto que a demanda por exames por mulheres de Biguaçu que solicitam pelo SUS dá mais ou menos R$ 10 mil por mês.

Em resumo: é mais barato para a prefeitura pagar laboratórios privados para fazer exames de mamografia para mulheres de Biguaçu que solicitam esse serviço do que a própria prefeitura oferecer o exemplo pelo seu mamógrafo.

 

CRÍTICA

O vereador Nei Cunha não aceita esse argumento. Para ele, o aparelho tinha que estar funcionando e, na eventualidade de que os custos de manutenção serem mais altos do que a demanda, o vereador argumenta que Biguaçu poderia prestar esse exame para mulheres de outros municípios, isto é, a secretaria de saúde de Biguaçu poderia assinar convênios com outros município tipo “dou tantos exames de mamografias para senhoras de seu município em troca pedimos que vocês nos ofereçam tantos exames que não há na saúde de Biguaçu.

“O que não posso admitir é que Biguaçu tenha um mamógrafo totalmente novo e dentro de uma caixa enquanto que a gente vê na televisão reportagens sobre mulheres com suspeita de câncer terem de enfrentar uma fila quilométrica para serem submetidas a esse exame sabe-se lá quando”, critica Cunha.

“E se a prefeitura realmente não puder fazer funcionar esse mamógrafo, então que faça o seguinte: doe essa máquina para algum hospital que possa fazê-lo funcionar. Como foi Biguaçu que doou a máquina, teríamos direito a não sei quantos exames por mês nesse mamógrafo pela “gentileza” de ter doado. Ora, gente. Não posso deixar de ficar indignado. Esse mamógrafo não pode mais ficar na caixa. Isso é para mim um crime quase de lesa pátria. Temos de pensar nas coitadas das cidadãs que tanto precisam desse exame”, observa o vereador.

 

CEPON

Segundo um leitor que pediu para não ser identificado sob a justificativa de que o prefeito Ramon Wollinger possa ficar muito chateado com ele, o CEPON (Centro de Pesquisas Oncológicas de Florianópolis) manifestou interesse pelo equipamento.

Essa fonte teria informado a direção do Cepon a respeito do mamógrafo encaixotado em Biguaçu e Irineu, gerente administrativo da entidade, teria manifestado interesse de receber o equipamento.

 

MINISTÉRIO PÚBLICO

O leitor citado pretende acionar o Ministério Público para que este investigue o caso e descubra o que está acontecendo, isto é, o equipamento que, segundo Cunha, é novo, como se encontra cinco anos depois num depósito na secretaria de saúde? Como estão as peças? Se realmente é um aparelho velho, mas a nota fiscal, se Cunha estiver correto, é nova, não daria um problema judicial?

Com a palavra, o Ministério Público.

 

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