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Será que a “Vila Militar” que a prefeitura de Biguaçu quer instalar numa área devolvida pela Univali não passa de uma “camuflagem” só para instalar a penitenciária do Estado sem despertar a ira da população?

Ao analisar a recente notícia segundo a qual a Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente) negou o licenciamento ambiental da obra, a suspeita aflorou e o povo de Biguaçu precisa saber para discutir o futuro da cidade se, no meio dela, num futuro próximo, tiver uma penitenciária.

Analisemos os fatos. O prefeito Ramon Wollinger (PSD) assinou o projeto da Vila Militar. A ideia é instalar, numa mesma região, um amplo terreno atrás da Univali, no bairro Universitário, vários órgãos de segurança, entre os quais a delegacia de polícia, o corpo de bombeiros (que já está instalado), batalhão da Polícia Militar e TRANSFERIR O PRESÍDIO DE BIGUAÇU.

Hoje o presídio está instalado atrás da delegacia, na rua Hermógenes Prazeres, no centro de Biguaçu. Ocupa instalações improvisadas. A ideia é que ele seja transferido para a “Vila Militar”. Mas há algo estranho nessa história toda.

 

CAMUFLAGEM?

Nenhuma cidade aceita penitenciária. Quando é anunciada, logo a população se rebela. A razão é simples. Como se diz na gíria, é “bucha”. Penitenciária dentro de cidade atrai bandidagem, favelização, rebeliões, surgimento de mais problemas sociais.

Qual é a garantia que temos que transferir construindo um novo presídio de Biguaçu não passa de uma “camuflagem” para instalar a penitenciária do Estado?

Qual é a garantia que Biguaçu tem do presídio a ser instalado na futura Vila Militar não vai ganhar um “puxadinho aqui, outro ali” e, quando menos esperarmos, eis uma penitenciária inteira, com milhares de presos?

No discurso oficial, será o novo “presídio” de Biguaçu para substituir aquela “imundiça” (como diz o povo) situada atrás da delegacia atual da cidade. Mas será que vão construir um “novo” e “ moderno” presídio para abrigar apenas os presos de Biguaçu?

Como diz o ditado, “em terra de cego, quem tem olho é rei”.

 

AGRONÔMICA

A penitenciária do Estado no bairro Agronômica, em Florianópolis, foi instalada na década de 1930. Na época, a região era um “sertão”, despovoado e com poucos habitantes.

No entanto, a população cresceu e hoje o bairro da Agronômica um cobiçado endereço por causa da proximidade entre o centro de Florianópolis de um lado e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) de outro.

Os moradores da região não poupam ataques contra a penitenciária. Mas o fato é o seguinte: a penitenciária foi instalada antes da região ser completamente ocupada por milhares de edifícios, sem contar favelas justamente formadas pelas famílias de ex e atuais presidiários que cumprem pena no local.

Por que o Governo do Estado quer retirar essa penitenciária? Não poderia reformar o complexo no mesmo local? Já não tem um baita terreno bonito ali? Não poderia colocar abaixo as instalações antigas para construir um complexo novo e moderno?

Que desculpa é essa de querer tirar a penitenciária da Agronômica? Por que o Governo do Estado está “sensível” às reivindicações dos moradores da região? O que está por trás disso?

Na realidade, segundo avaliação de agentes imobiliários, se a penitenciária for retirada, o local permitiria a instalação de vários condomínios de edifícios de alto padrão, pois o bairro situa-se próximo ao centro de Florianópolis.

Podem até negar, mas que a área é valorizada, ela é e muito bem.

 

BIGUAÇU

Biguaçu é um lugar perfeito para uma penitenciária. Aliás, o Governo do Estado queria até instalar um presídio no interior do município, na região de Estiva, mas a população foi completamente contrária. Outra vez queriam instalar o “São Lucas”, mas a coisa não foi adiante também por causa da oposição popular.

Desta vez, a estratégia mudou e a “Vila Militar” encaixa perfeitamente dentro da estratégia de viabilizar a penitenciária sem despertar a ira popular.

 

RAMON

 

Ramon Wollinger: vai permitir que Biguaçu receba uma penitenciária? (Foto Arquivo JBFoco)

O mandato do prefeito Ramon Wollinger (PSD) vai até 2020. Depois não vai poder candidatar-se à reeleição. Pode até ir a vereador, mas não se sabe se isso está em seus planos.

O fato é o seguinte. Pelo que sabemos, Ramon é agente penitenciário de profissão. Já imaginaram Ramon sendo nomeado “diretor” do futuro Presídio de Biguaçu, na realidade, a penitenciária estadual camuflada sob o nome de presídio?

Por que a indagação? Para começo de toda e qualquer conversa, ser nomeado “diretor de penitenciária” não é crime. Não há ilegalidade alguma. Também não é improbidade ou qualquer outra coisa do Código Penal. Pelo contrário. É até um prestígio. É um cargo de autoridade. Melhor que isso só se for eleito Reitor, desde que sem confusão com a Polícia Federal e sem ir para o Shopping Center Beira Mar.

Hoje Ramon é prefeito. Quer queira, quer não, está envolvido no processo para viabilizar a tal “Vila Militar”. Ele dispõe de informações privilegiadas por força do cargo que ocupa.

Se ele souber que o “presídio” a ser construído na futura Vila Militar na realidade será a Penitenciária “camuflada” só para despistar a opinião pública da cidade de Biguaçu, Ramon vai opor-se? Vai botar no trombone? Vai dar murro na mesa? Vai querer barrar a obra? Irá acionar o departamento jurídico para impedir a obra? Vai fazer o que a população, que é contra, quer de um representante máximo dela?

Mas se em 2021, depois que sair da prefeitura, ele se tornar o diretor da futura “penitenciária” de Biguaçu? Como é que fica?

Repetimos: Ramon não está cometendo crime algum. Mas se vier a se tornar diretor, não poderemos ter outra conclusão que não a de que ele conduziu o processo da Vila Militar já pensando adiante para depois de sua passagem pela prefeitura. E se assumir um cargo desses, a coisa estará “escancarada”.

Sim, uma gestão de interesse inconfessável. Não é crime, mas é no mínimo uma “sacanagem”, como se diz na gíria. Biguaçu quer um prefeito para agir em prol dos interesses da coletividade e não pensando nos seus próprios interesses. Biguaçu não merece receber, de goela abaixo, uma Penitenciária só para que o senhor Ramon tenha futuramente seu cargo de diretor após a passagem pela prefeitura.

 

CARTÓRIO

Se isso aqui é tudo especulação, teoria da conspiração, intriga da oposição, imaginação fértil, Ramon pode calar a boca de todos: ir no cartório da Dona Elza e registrar uma carta em que ele assume o compromisso público de que não vai ser o FUTURO diretor do presídio (penitenciária camuflada) de Biguaçu.

Por que isso? Aí ele estaria provocado e calando a boca de todos que sua condução nas negociações a respeito da Vila Militar são as melhores possíveis e não há interesses inconfessáveis em suas atitudes.

Se Ramon não fizer isso, estará dando margem à dúvida de que está com interesses inconfessáveis e Biguaçu não merece mais essa decepção.

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