Nesta quarta (28/02), às 10h, ocorrerá o julgamento de Joaquim Ivo Petri, agricultor da localidade de Vila Doze, interior de Antônio Carlos, que matou os irmãos Omero e Luciano Petri, por causa de um conflito por questões de terra. O julgamento será o auditório da Univali-Biguaçu.

O que desencadeou a tragédia? É o que será desvendado no julgamento de hoje.

Na reportagem que o JBFoco publicou na época, escrevemos: “Na última sexta-feira (19/02/2010), a polícia de Antônio Carlos encontrou, no assoalho da casa de Joaquim Petri, 52 (na época), réu confesso da morte dos dois agricultores, o cadáver do cachorrinho de estimação do filho de uma das vítimas.”

Relembrando a história da tragédia: o assassinato ocorreu na tarde de sábado (13/03/2010) no Morro dos Petri, na comunidade de Vila 12, interior de Antônio Carlos.

Joaquim Petri matou a tiro seus primos Omero, 39 (na época) e Luciano Petri, 34, agricultores que vendiam verduras no Ceasa.

Na época, foi divulgado na imprensa que a morte era por causa de disputa de água, mas não informou que a tragédia acabou consumando-se por causa de cachorro (qual a razão do cadáver do cachorro da vítima ser encontrado no assoalho de Joaquim?) Daí não ser exagero dizer que o cachorro foi a “gota d´água” de uma briga de família de quase 30 anos de duração, que começou justamente por causa de água.

Segundo a família das vítimas, o cachorrinho, chamado de “Leôncio”, desapareceu na quinta (11/03/2010). Pertencia ao filho de 8 anos (na época) de Luciano Petri.

Conforme Roselene Kons Petri, 28 (na época), casada havia 11 anos com Luciano, o esposo foi ao Morro dos Petri procurar pelo cachorro e desconfiava que deveria estar na casa de Joaquim Petri.

“Por volta das 12h20, meu marido subiu (o Morro dos Petri) para molhar (a plantação) de agrião e quem sabe foi espiar para ver se o cachorro estava lá”, observou na época.

 

PORRETADA

Vinte e cinco anos antes, 1995, Olegário Petri, pai das vítimas, alegou que seu sobrinho Joaquim Petri teria armado uma cilada para ele. Indo para missa, teria saído do mato com um porrete e acertou-o em cheiro.

Motivo do ataque: Segundo Ivo, seu irmão Olegário teria, anos antes, feito o mesmo tipo de atentado acertando-o com porrete no pescoço e no punho. O ataque teria deixado com sequela de surdez.

 

PROCESSO

Segundo Maria Martins Petri, 63 (na época), esposa de Olegário, seu sogro Jacó Petri tentou por sete vezes conciliar os filhos Olegário e Ivo, mas em vão. De acordo com ela, Ivo negava-se incessantemente a qualquer acordo e, muito menos, dividir a nascente de água.

Foi aí que a família de Olegário moveu uma ação no Fórum de Biguaçu para reivindicar parte da nascente de água e, em 1998, o juiz deferiu a favor deles.

Conforme Maria, Joaquim ficou com raiva e teria, segundo ela, quebrado um cocho onde se armazenava a água que descia para a propriedade de Omero e Luciano.

 

MAIS CONFUSÃO

De acordo com a família das vítimas, um irmão de Joaquim, Lourenço, teria acusado Omero de assediar a esposa deste último.

Um dia, em 1997 ou 1998, Omero foi para a roça subindo o morro dos Petri (nome este em alusão ao fato de que é ocupado por várias propriedades da família Petri). Consigo, levava um facão usado nos afazeres da agricultura.

Lourenço teria atacado Homero com um porrete e este último defendendo-se com o facão acertando no suposto atacante.

“Mãe, minha sorte foi que eu pensei: onde vou acertar para não matar ele”, teria dito Omero para sua mãe relatando como ocorreu o ataque.

Denise Petri Schmitz, 43 (na época), lembra que seu irmão Omero costumava dizer: “eles um dia até podem me matar, mas eu não matarei ninguém”.

 

AÇÃO

Mais outro processo e, no final, o juiz deu ganho de causa a Omero, o que teria deixado Lourenço enfurecido e, por tabela, seu irmão Joaquim. Na ação, Lourenço acusou Omero de tê-lo atacado, sendo que, do outro lado, completamente o contrário. Uma testemunha teria visto tudo e, por base de seu depoimento, o caso teria pendido para a versão de Omero.

 

FAMÍLIA

Ivo Petri tem 13 filhos, dos quais os citados Joaquim, Lourenço e Tércio. “Estes são os mais perigosos”, alega a mãe das vítimas.

“Joaquim ficou com muita raiva porque toda vida que entrou na Justiça contra nós, sempre perdeu”, salientou Maria Martins Petri.

 

TRAGÉDIA

O assassinato ocorreu no alto do Morro dos Petri. Aparentemente não houve testemunhas. Segundo o advogado de Joaquim, Homero e Luciano teriam ido lá armados de facas para matar Joaquim.

Ao vê-lo aproximarem-se, Joaquim teria entrado em casa, pego a arma e atirado matando os dois. Luciano levou um tiro na testa, desferido do alto para baixo. Já Omero levou três. Um estava caído dentro da propriedade de Joaquim e outro fora, segundo a família das vítimas.

 

NO CEASA

Na quarta (17/03/2010), quatro dias depois da tragédia, um irmão de Joaquim, Tércio Petri, estava supostamente no Ceasa para vender verduras quando, ao encontrar-se com um irmão das vítimas, teria debochado. “Cala a tua boca porque minha mãe está sofrendo”, teria dito um irmão das vítimas. A turma do “deixa disso” não permitiu que a briga se consumasse.

 

TRAGÉDIA FINANCEIRA

O pai das vítimas, Olegário, observa que seus filhos eram o arrimo da família, pois eram quem dirigiam o trator, preparavam o caminhão para levar as verduras com o objetivo de vender no Ceasa, e resolviam os problemas.

Sem os filhos, a família não sabe qual será o futuro, pois os netos tinham apenas 12 anos da idade na época.

 

SOFRIMENTO DE MÃE

A viúva de Luciano observa que, quando passa na frente da casa de Bertilde Will Petri, mãe de Joaquim, quem matou os irmãos Omero e Luciano, ela a vê chorando, olhando para ela. “Ela também está sofrendo muito”, salienta a viúva diante da impotência de “voltar a fita do tempo” e “apagar a tragédia.

 

VERSÃO

Segundo Bertilde, seu cunhado Olegário teria dito que seus filhos Homero e Luciano iriam “pegar” Joaquim no “sábado”. Portanto, conforme ela, Joaquim “já estava preparado”.

“Omero nunca subia o morro no sábado. Por que ele subiu naquele sábado”, questionou Bertilde.

Sobre a tragédia, a entrevistada observou sobre o processo que seu filho está agora respondendo: “Tenho dó do Joaquim porque ele vai gastar muito.”

 

SEM VINGANÇA

Ivanei Kons Petri, 33, viúva de Omero, ao lado de seu filho Douglas, 12 (na época), e com seu filhinho Marcelo, e apenas um aninho (naquela ocasião), no colo, observa: “Não quero vingança, mas quero justiça. Que Joaquim pague o mal que fez na cadeira”, observou.

 

FAMÍLIA DE JOAQUIM

A mãe de Joaquim, Bertilde Will Petri, 75, alega que vem sofrendo muito com a tragédia e reza todos os dias tanto pela sorte de seu filho quanto pelas almas de seus sobrinhos.

Bertilde salienta que, independente das desavenças dos maridos, fala com sua cunhada Maria Martins Petri.

Contou que a desavença vem de 30 anos e que, por causa do fato dos irmãos Ivo e Olegário não se entenderem, acabou mudando para o pé do morro, para não morar perto. No entanto, as famílias cruzavam-se diariamente por causa das roças nas propriedades do morro.

Luciano Petri, a outra vítima da tragédia da Vila Doze. (Foto Divulgação)

 

Joaquim alegou legítima defesa. (Foto Reprodução)
Matéria sobre a tragédia de março de 2010 no JBFoco. (Foto Reprodução)

 

Matéria na época. (Foto Divulgação)