Durante a noite, antes do sono, um verdadeiro filme toma conta de minha mente. Eu fico a me flagrar, naqueles instantes que antecedem a reza do terço, quando a Lua domina o breu de lá fora, imaginando, tomada por suspiros, o dia em que eu pisar no meu sonho.

Eu rio de mim mesma, tão pretérita, que me sentia fraca e perdida enquanto vivia sentada, a sacrificar as costas, em prol de um objetivo que, por momentos, parecia distante de ser alcançado. Tantas eram as oscilações. Tudo parecia próximo e, no segundo seguinte, tudo era longínquo. Tão boba eu era. E no entanto, aquela boba conseguiu. E agora que já se foram os altos e baixos de tão árdua luta, resta-me a gratidão a Deus e a todos os que me conduziram a cada realização. Outrossim, sobra-me também o ato de empolgar-me ao devanear e ansear sem medidas o dia em que eu pisar no meu sonho.

Quando eu pisar no meu sonho, ele deixará de ser nuvem e seu véu de fumaça cairá por completo, pois agora eu não mais flutuarei e colocarei meus pés em seu sacro solo, pondo minhas narinas a respirar sua preciosa atmosfera. O meu sonho deixará de ser névoa e passará não apenas a ter chão, pedras e tijolos, como também terá carne, osso e alma. O meu sonho será não mais um portão trancado, o qual se custa abrir, pois tornar-se-á a própria chave dourada que me abrirá para outros mundos completamente novos e diversos.

Quiçá os outros me achem boba, utópica, iludida. Talvez me digam que vivo num mundo inexistente e romantizado, porque esse sonho de que tanto falo não é o mar de rosas que me haviam falado. Mas eu já acostumei a fazer com que minhas tolas ilusões se tornassem reais e concretizei as minhas mais distantes utopias. Portanto, isso tudo me é indiferente. O lugar em que dizem ter esterco é o mais ideal para fazer florescer um jardim. E quando a primavera chegar, regada com amor, trabalho árduo e muito zelo, farei desse jardim um romance-mundo inteira e somente meu.

Outras lutas são porvindouras, outros enfados, eu sei. Não é necessário que me digam. Isso faz parte da vida por inteiro, pois ela por si só é uma batalha a ser travada com constância. Contudo, cada realização recompensará, durante todas as vezes em que eu pisar no meu sonho.

 

(*) Amanda Arruda, 16, faz parte da nova geração de escritores de Biguaçu. Quem quiser adquirir o romance “A Heroína que virou Lenda”, entre em contato pelo fone (48) 9-9645-7045 ou pelo e-mail amandaarruda2001@yahoo.com.br.