“O seu Teodoro não era morador de rua. Ele morava havia um ano e pouco numa das minhas quitinetes na praia João Rosa”, conta Edésio Donato de Souza Filho, 50, popular “Dezinho”.

Aqui o seu depoimento a respeito do senhor de 67 ou 68 anos de idade encontrado morto caído na praça Nereu Ramos e confundido como “morador de rua”.

“O nome dele é Teodoro. Não sei o sobrenome dele. Não era muito de conversar, mas eu falava com ele com certa frequência. Ele tinha feridas nas duas pernas. Era trombose, igual a que meu pai teve. Eu perguntei ao seu Teodoro se ele não queria ir a UPA medir a diabetes, mas ele dizia que não precisava, que estava bem”, conta Dezinho. (Post scriptum: o nome do morto é Teodoro Lourenço dos Santos e sua idade, na realidade, era 72 anos.)

“Cuidado, seu Teodoro. Com diabetes, todo o cuidado é pouco”, disse Dezinho. “Ele me respondeu que lavava as feridas, mas eu tenho muitas dúvidas”, observou.

“Ele não tomava álcool. Não era alcoólatra. Nunca vi com bebida. Uma vez ele me disse que tinha família, mas não entrou em detalhes. Também não sei de onde ele veio. Nunca me contou. O que ele me contou que tinha se aposentado não faz muito tempo, mas não me falou qual era sua profissão e onde trabalhou”, conta Edésio.

“Ele morava sozinho. Costumava dormir com a luz do quarto acesa a noite inteira. Saía de manhã bem cedo. Geralmente ia para a praça (Nereu Ramos). Quando saía tarde, isso era por volta das 9h30. Voltava para a quitinete entre 21h30 às 22h”, relata Dezinho.

“O que me chamou a atenção para ontem (segunda, 05/02) é que o seu Teodoro não apareceu para dormir. Eu sabia que ele não estava porque não vi a luz do quarto dele ligada. Pensei: ele deve chegar mais tarde. Não tenho guarita nem controle de entrada e saída das quitinetes. Os moradores são livres para ir e vir a hora que quem entendem”, conta.

“Nos últimos dias, ele estava meio estressado. De repente era a dor que estava sentindo”, observa Dezinho.

 

MORTE SÚBITA

Eis que veio a notícia da morte do seu Teodoro na manhã de hoje (terça, 06/02). “O que sei foi que o seu Teodoro entrou no supermercado Mercocentro e pegou um cafezinho. O supermercado tem uma garrafa térmica de café para oferecer aos clientes. Teodoro pegou o café, atravessou a rua e, quando foi se sentada na muretinha do jardim da Praça, teve um mal súbito e caiu. E ficou ali caído por um certo tempo”, conta.

Teodoro caiu de bruços e acabou sendo confundido com um morador de rua. Talvez as pessoas que viram a cena não intervieram, isto é, não foram verificar o que tinha acontecido pensando talvez pensando que ele estava bêbado. Vale lembrar que na praça Nereu Ramos circula um expressivo número de moradores de rua e alguns andam bêbados.

“Um cidadão me contou que o Pialo (ex-vereador e hoje administrador da praça Nereu Ramos) lhe contou que viu o seu Teodoro pegar o café e sair. E foi só isso”, observa.

Ainda é preciso um laudo do IML (Instituto Médico Legal), mas tudo indica que foi um mal súbito provocado por alguma complicação provocada pela diabetes ou um ataque cardíaco fulminante.

Uma sobrinha de Teodoro foi localizada pela Polícia Militar, que atendeu o caso.

 

Dezinho: dono da quitinete onde morava o sr. Teodoro, encontrado morto hoje de manhã (segunda, 06/02) na praça Nereu Ramos, no centro de Biguaçu. (Foto Divulgação)

 

Teodoro teve morte súbita depois quando foi sentar para tomar um cafezinho na Praça Nereu Ramos. (Foto Emerson da Trimania)

Morador de rua é encontrado morto