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Teoricamente não tem prá ninguém. O ex-governador Raimundo Colombo (PSD) será eleito senador na eleição de outubro próximo. No entanto, ainda é cedo demais para afirmar isso, pois não se sabe qual será o impacto da delação premiada de Fernando Reis Welzel, ex-presidente da Odebrecht Ambiental, responsável por obras no setor de saneamento do grupo.

Fernando foi preso na operação Lava-Jato e resolveu assinar acordo de delação premiada, ocasião em que arrastou o ex-governador Colombo para o escândalo da Lava-Jato. A história relatada pelo ex-diretor da Odebrecht e recentemente relembrada pela Globo News é estarrecedora. Por isso, não se sabe até que ponto a denúncia irá abalar a eleição de Colombo. Só o futuro próximo dirá.

 

ACUSAÇÕES

De acordo com Fernando Reis Welzel, entre 2010 a 2014, a Odebrecht pagou mais de R$ 9 milhões a Colombo, mas não de forma oficial, isto é, registrado na conta da campanha e devidamente informado na Justiça Eleitoral. O pagamento deu-se por “Caixa 2”, isto é, às escondidas, na surdina da noite ou acondiciona numa vistosa mala (só faltou corridinha para o táxi a la Rodrigo Rocha Loures)

Segundo o delator, Colombo teria alegado que não queria que o nome “Odebrecht” aparecesse como uma das financiadoras de sua campanha eleitoral e que isso fosse explorado por seus inimigos políticos.

No início, conforme a delação, Colombo recebeu R$ 2 milhões na campanha de 2010. Fernando alegou que naquela época Colombo não aparecia bem nas pesquisas e tudo indicava que não iria chegar à vitória no pleito daquele ano.

No entanto, a Odebrecht resolveu apostar em Colombo, pois, segundo o ex-diretor, havia a promessa de que, se eleito fosse, o então candidato a governador iria privatizar a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento  (Casan) para que a companhia estatal fosse assumida pela Odebrecht.

 

CASAN

Colombo acabou elegendo-se e assumiu o governo do estado de Santa Catarina em janeiro de 2011.

Mas, segundo o diretor da Odebrecht Ambiental, Colombo verificou que, para vender a Casan, teria de modificar uma cláusula da constituição do estado e que a venda da estatal só poderia ser feita mediante plebiscito público.

A solução para o “problema” seria vender 49% das ações da Casan, ou seja, pelo menos a maioria (51%) continua em poder do governo do Estado e, com isso, não seria necessário promover o plebiscito cujo resultado previsível seria a maioria da população não admitir a venda da estatal. Afinal de contas, para a população em geral, a palavra “privatização” soa quase a palavrão, mesmo não se dando conta que “estatal” e “empresa pública” não são o paraíso na terra, isto é, onde há coisa pública, há desvios. Traduzindo em linguagem popular, “o que é público, não é de ninguém. Todos metem a mão”.

De acordo com Fernando Reis, houve vários imprevistos. Primeiro foi uma longa e penosa greve na Casan, que adiou o processo e segundo acabou sendo o início da Operação Lava-Jato em 2014, que foi um “baque” à escala industrial de corrupção que acontece no Brasil.

Em resumo: o plano de privatizar a Casan teve de ser interrompido.

 

CÉSAR SOUZA JR

E a coisa não parou por aí. Fernando contou que em 2012 o então governador Raimundo Colombo teria solicitado uma “contribuição de campanha” para César Souza Jr, seu afilhado político e então candidato a prefeito de Florianópolis. César Souza venceu a eleição para prefeito de Florianópolis no pleito de outubro de 2012. Mas essa é uma outra história.

 

DEFESA

Colombo defendeu-se das acusações da delação premiada do ex-executivo da Odebrecht. Em primeiro lugar, alegou que o governo de Santa Catarina não teve qualquer contrato, obra ou projeto durante o período em que esteve no comando do estado (2011-2018).

O fato da Casan não ter sido privatizada é um alento para a defesa de Colombo. Afinal de contas, se tivesse havido a privatização, a situação de Colombo para sustentar a tese segundo a qual se trata de uma “mentira” estaria bem enfraquecida diante dos fatos reais.

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MAIS OUTRA DELAÇÃO

Um delator, sob pressão, ele vende a mãe. E foi exatamente o que esse sujeito fez. Não há nenhuma prova, é de uma irresponsabilidade absurda. Eu espero que seja tratada com a responsabilidade que nós merecemos“.

Esta foi a declaração de Colombo a um telejornal em maio do ano passado quando recebeu a notícia de que seu nome também havia sido citado, em delação premiada, pelo empresário Joesley Batista e ao executivo Ricardo Saud, do grupo JBS, envolvido no escândalo da Lava-Jato.

Segundo Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da holding J&F (grupo JBS), Colombo teria recebido R$ 10 milhões em propina, dinheiro este usado para a campanha eleitoral de 2014. O objetivo, segundo Saud, seria Colombo “facilitar” a compra da Casan pela holding.

Mas o plano falhou justamente porque em 2014, conforme já informando antes, houve o início da operação Lava-Jato.

Ao contrário da Odebrecht, nas contas da campanha eleitoral de 2014, há registro de doações da JBS para o então candidato à reeleição ao governo do estado, Raimundo Colombo. Desta vez o ex-governador não tem como negar que outra poderosa empresa envolvida no escândalo da Lava-Jato participou de sua campanha eleitoral seja por forma de doações.

Indagado a respeito, Colombo alegou que a doação foi para o diretório nacional do PSD que, por sua vez, dividiu o dinheiro fazendo repasses a diretórios estaduais, entre os quais, o de Santa Catarina e parte desse dinheiro acabou indo para a campanha de Raimundo Colombo de 2014.

Ou seja, foi uma doação indireta e não direta. O objetivo é o famoso “afaste-me desse cálice.”

 

DE NOVO A VENDA DA CASAN

Na delação da JBS, foi dito que em 2013 teria havido um jantar na casa do empresário Joesley Batista em São Paulo, ocasião em que Colombo teria participado e onde teria recebido a notícia de que a JBS estaria interessada na compra da Casan.

Colombo não negou que compareceu ao jantar com Joesley, mas negou veementemente que o assunto “Casan” foi mencionado ou discutido.

De acordo com o ex-governador, não há lógica. Como uma empresa como a JBS, cujo foco é vender carne, estaria interessada em assumir uma empresa de água e esgoto como a Casan? Além disso, salientou que qualquer negociação para vender a Casan só poderia ser feita através de emissão de títulos na bolsa de valores.

Sobre as doações da JBS a sua campanha, Colombo alegou que não foi feita qualquer contrapartida, isto é, foi doação pura e simples sem que o doador, no caso o empresário Joesley Batista, exigisse algo em troca.

Sobre a Casan, Colombo defende-se alegando que não foi vendida uma só ação da Casan durante seu governo.

 

VÍDEO

 

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