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Um áudio gravado há 10 anos revela fortes indícios de que o atual prefeito de Biguaçu, Ramon Wollinger (PSD), praticou abuso de poder econômico e caixa 2 na eleição municipal de outubro de 2008, quando elegeu-se como vice-prefeito de cidade.

O áudio em questão em que aparece Carlos Wanderley Gomes da Silva, proprietário do antigo jornal Folha Barriga Verde.

Do que se trata o áudio? Tudo indica que o o áudio, ao que o JBFoco teve acesso, foi gravado em outubro de 2008, poucos dias depois da eleição daquele ano em que Ramon Wollinger, na época do PSDB, foi eleito vice-prefeito para o mandato 2009-2012.

O áudio mostra Ramon conversando com o proprietário do jornal Folha Barriga Verde num suposto acerto de conta. Pelo que se entende do áudio, Carlos estava cobrando parcela de uma “mensalidade” que não foi paga pela chapa vencedora da eleição daquele ano pelos serviços prestados.

 

Ramon Wollinger: mais uma vez deve explicações à sociedade, agora com conversa “Não Republicana” ocorrida em outubro de 2008. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Carlos Wanderley Gomes da Silva aparece em gravação com Ramon e deve explicação sobre o teor da conversa em áudio em que sua voz aparece? (Foto Arquivo JBFoco)

 

 

ACERTO

O áudio dá forte indícios de que a chapa de Ramon teria feito um acordo com o dono do jornal citado. Pagaria uma mensalidade para que Carlos atacasse virulentamente tanto o então prefeito, Vilmar Astrogildo de Tuta (PMDB- hoje MDB) como também o candidato a prefeito apoiado por este último, Alessandro Garbelotto.

O objetivo era simples: denegrir o máximo os adversários da chapa de Ramon Wollinger naquele pleito de 2008.

 

PAGAMENTOS

No áudio, Carlos fala que entre janeiro a maio de 2008, ele teria recebido da chapa de Ramon cinco mensalidades de R$ 3 mil.

Entre junho a julho de 2008, a mensalidade subiu para R$ 3,5 mil. Em agosto daquele ano, quando a campanha eleitoral estava a pleno vapor, a mensalidade passou para R$ 4,5 mil. Em setembro, a um mês da eleição, o valor repassado foi R$ 10 mil, pagos em duas prestações. A primeira de R$ 5 mil, segundo ele, foi em 10 de setembro e a segunda uma semana antes da eleição.

No início de outubro de 2008, ocorreu a eleição e, de acordo com o áudio em que aparece o proprietário do Folha Barriga Verde, era para ter sido repassado a ele R$ 5 mil, mas acabou só recebendo a metade, R$ 2.500,00.

Em resumo: entre janeiro ao início de outubro de 2008, Carlos teria recebido da chapa de Ramon R$ 39 mil.

 

GRAVAÇÃO

O áudio mostra que Carlos fora cobrar de Ramon Wollinger. No início da gravação, Ramon disse: “E eu sou parceiro, sou amigo dos amigos.”

Em seguida, observou: “(…) eu vou falar com ele, vou fazer o que eu puder, vou bater mesmo em cima, se precisar brigar, eu vou brigar.”

O áudio não explica quem é esse “ele”, mas Ramon estava dizendo que iria “cobrar” da sua chapa o pagamento da “mensalidade” não paga.

Carlos contava receber R$ 5 mil em outubro, mas só tinha recebido R$ 2,5 mil e temia que os R$ 5 mil de novembro de 2008 não seriam pagos na totalidade, isto é, só a metade.

Num determinado momento da gravação, Ramon disse que não participou da “negociação” até porque “ainda não era candidato a vice.”

Esta frase demonstra que o áudio foi feito realmente em 2008, pois Ramon realmente só veio a ser candidato a vice-prefeito entre junho ou julho daquele ano. Ele disputou a vaga com a então vereadora Salete Cardoso, que na época também militava no PSDB.

 

AJUDA

Na gravação, Ramon disse: “Arrumei R$ 2.500,00 e ficou acertado para dar mais outros R$ 2.500,00.”

Carlos respondeu: “É!!! Aquilo ali eu achei, da sua parte, uma grandeza.” Ou seja, o contexto da conversa foi a de que o dinheiro não foi repassado e Ramon foi atrás para resolver esse problema.

Na gravação, Ramon disse como fez para resolver o problema do repasse do dinheiro devido: “

Foi assim, oh: chamei todo mundo, falei para todo mundo, fiz uma reunião domingo à noite, oh, foi dado isso, preciso de mais isso, então tá! Mas, pô, fiquei em cima, entendeu?!”

Ou seja, Ramon cobrou da equipe honrar o pagamento a Carlos.

Foi então que este último fez uma “contabilidade” do que tinha recebido ao longo do ano de 2008 e, no final, reclamou: “Só que os 5 (mil reais) que era para dar dia 10 (de outubro de 2008) agora, só deu 2 e meio (R$ 2.500,00).”

Segundo Carlos, pelo acordo, ele deveria continuar recebendo até dezembro de 2008. Wanderley disse na gravação: “Só vai dar 2 e meio (R$ 2.500,00) mês que vem (novembro de 2008) e ficou acertado que durante até o fim do ano (de 2008) viria esses 5 (R$ 5.000,00). Eles já me mandaram pedalar e correr atrás.“

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O ÁUDIO

O áudio deixa Ramon Wollinger numa situação constrangedora e, quem sabe, dependendo do Ministério Público, levará o atual prefeito a ser processado, pois a gravação desnuda abertamente que Ramon cometeu abuso do poder econômico na eleição de 2008. Pelo menos, a conversa “não republicana” flagrada de Ramon mostra isso.

 

O QUE MOSTRA A GRAVAÇÃO?

Como dito antes, mostra o “abuso do poder econômico” de Ramon e sua chapa. Para vencer a eleição, a chapa de Ramon não teve dúvida: pelo menos, gastou R$ 39 mil para que o jornal de Carlos Wanderley tentasse influenciar, através de ataques realmente muito fortes, contra Tuta e seu candidato a prefeito.

O áudio não deixa a mínima dúvida com relação a isso.

Outro crime ou contravenção que esse áudio pode revelar é um caso de “Caixa 2”. Os R$ 39 mil gastos para financiar o jornal Folha Barriga Verde foram devidamente declarados na prestação da campanha da chapa de Ramon Wollinger em 2008?

A chapa de Ramon iria declarar na Justiça Eleitoral: “gastos de R$ 39 mil para o jornal Folha Barriga Verde para atacar Tuta, Alessandro Garbelotto e o PMDB”?

Claro que não. É verdade que Caixa 2 só passou a ser crime em 2016, resultado dos escândalos do Mensalão e do Petrolão.

 

10 ANOS DEPOIS

Alessandro Garbelotto, candidato a prefeito apoiado por Tuta em 2008, foi prejudicado pelos ataques do jornal Folha Barriga Verde ao longo do ano de 2008.

Se a gravação em questão de outubro de 2008, poucos dias depois do pleito daquele ano, estivesse disponível a Alessandro Garbelotto, candidato derrotado na ocasião, certamente o PMDB teria a faca e o queijo na mão para impugnar a chapa de Ramon demonstrando claramente o “abuso do poder econômico” naquela eleição.

É bem verdade que, ao invés de “Sérgio Moro”, há casos que caem nas mãos de “Gilmar Mendes”. No entanto, o áudio daria uma bela briga jurídica.

 

EXPLICA-SE, RAMON!!!

Prefeito Ramon! O áudio em questão está no site. Você pode conferir. Você deve explicações à sociedade.

Esperamos seu pronunciamento.

 

Transcrição completa do áudio

 

RAMON WOLLINGER- Independente de nossa conversa, nós estamos com aquele projeto de trazer da nossa loja para cá. Isso aí vai ser uma coisa que vai aproximar muito.

E… eu vou tá… eu preciso. E como eu falei: eu vou estar, eu vou tá…com o interesse de aparecer, de aparecer bem, entendeu?

E eu sou parceiro, sou amigo dos amigos. E é bom (inaudível). Eu falei para o Carlos sobre seu papel na imprensa, falei que seu papel é fundamental, continuo falando…

TERCEIRA PESSOA Tem duas coisas até agora: os irmãos e o prefeito. Eu não vejo outro modo nem outro nem (inteligível) para os irmãos.

RAMON Eu quero, eu quero… eu… eu vou fazer… eu vou falar com ele, vou fazer o que eu puder, vou bater mesmo em cima, se precisar brigar, eu vou brigar.

Porque é assim, oh! Até então…eu… eu estou entrando na coisa porque até então eu…eu não tinha … eu não era a par, não estava a par disso tudo, né cara.

CARLOS WANDERLEY OK!

RAMON Assim, entendeu? Dessa parceria que foi feita desde o começo.

CARLOS WANDERLEY- Desse dinheiro que estava repassando.

RAMON- De tudo, do patrocínio, de tudo né, não sei. Eu não era… eu não participava do processo.

CARLOS WANDERLEY– Até porque tu não estava no processo. Tu não estavas naquela escolha…

RAMON- Eu não era o candidato dele. Eu ainda não era candidato a vice. E também é assim, oh: e em muitas coisas também, eu nem faço questão de ficar sabendo porque eu sei que eu sinto que ele não quer também abrir e eu também respeito. Ele faz o que ele quiser. Quando for partir para a parte que eu fiquei sabendo, eu fiz de tudo para poder bancar, né.

CARLOS WANDERLEY- Inclusive até aquele… tu arrumou quanto? Foi?

RAMON- Arrumei R$ 2.500,00 e ficou acertado para dar mais outros R$ 2.500,00.

CARLOS– É!!! Aquilo ali eu achei, da sua parte, uma grandeza.

RAMON– É! Eu tenho que…

CARLOS– Mas tu reconhece; ele não reconhece, entendeu?! Isso é o que a gente vê que não tá, é complicado, é…

TERCEIRA PESSOA– (inteligível) porque na verdade um jornal (inteligível) tem uma arma, é uma coisa, nós nunca tivemos antes uma conversa com ele, ali, porque sempre tinham pessoas que considerávamos de confiança neste aspecto até percebemos, né, que … éé…estávamos precisando.

RAMON– A segunda parcela foi dada, não foi?

CARLOS WANDERLEY– Foi.

RAMON– Porque eu fiz uma reunião e cobrei…

CARLOS WANDERLEY– Não, não, não, foi assim.

RAMON– Foi assim, oh: chamei todo mundo, falei para todo mundo, fiz uma reunião domingo à noite, oh, foi dado isso, preciso de mais isso, então tá! Mas, pô, fiquei em cima, entendeu?!

CARLOS WANDERLEY– Oh, janeiro ele deu 3 (mil reais), fevereiro ele deu 3 (mil reais) março  deu 3 (mil reais), abril 3 (mil reais), maio 3 (mil reais), junho 3 e meio (R$ 3.500,00), julho 3 e meio (R$ 3.500,00), agosto 4 e meio (R$ 4.500), em setembro ele deu 5 (R$ 5 mil) (no) dia 10 (de setembro) e aí aqueles R$ 5 mil no último final de semana que houve aquele que tu deu 2 e meio (R$ 2.500,00) e os outros 2 e meio (R$ 2.500,00) o Henrique me repassou. Aquilo foi me dado.

Só que os 5 (mil reais) que era para dar dia 10 (de outubro) agora, só deu 2 e meio (R$ 2.500,00).

Só vai dar 2 e meio (R$ 2.500,00) mês que vem (novembro de 2008) e ficou acertado que durante até o fim do ano (de 2008) viria esses 5 (R$ 5.000,00). Eles já me mandaram pedalar e correr atrás.

Ele quer resolver essa situação e não quer mais depender dele. Eu concordo. Então vamos resolver e vamos resolver. Só que a gente poderia ter resolvido semana passada dentro desses tempos porque o prejuízo a gente teve de absorver. Queira….! Não ia ser um prejuízo. Ia ser um investimento. Só (…) (a gravação cessa).

ÁUDIO

 

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