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Só faltava essa. Empresa contratada pela prefeitura de Biguaçu para fazer o projeto de madrodrenagem do rio Carolina, limite entre os municípios de Biguaçu e São José, é acusada de ter praticado plágio copiando o projeto de um professor da UFSC.

De acordo com o professor Marcos Noronha, que é engenheiro civil de profissão, a empresa Top Engenharia, vencedora da licitação na prefeitura de Biguaçu, teria literalmente copiado um projeto do docente da UFSC.

Marcos é autor de um projeto de macrodrenagem no município de Brusque, no Vale do Itajaí, realizado há quatro anos. O professor alega que o projeto de macrodrenagem do rio Carolina apresentado pela empresa Top Engenharia é exatamente o seu, isto é, a empresa teria utilizado-se das informações técnicas do projeto de Marcos e apenas “maquiado” trocando os nomes de ruas e rodovias.

“Até as dimensões avaliadas permaneceram iguais ao projeto feito para Brusque. Não trocaram sequer as figuras ilustrativas que estavam no projeto que minha equipe desenvolveu para Brusque anos atrás”, relata o professor.

  

Projeto apresentado de macrodrenagem do rio Carolina pela empresa Top Engenharia acusado de plágio. (Foto Reprodução)

 

Documento referente ao caso. (Foto Reprodução)

 

 

Rio Carolina, que divide Biguaçu e São José, é uma verdadeira dor de cabeça para os outros municípios. (Foto Arquivo JBFoco)

 

 

Moradores de Biguaçu reclamam do lixo e poluição do rio Carolina. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Outro problema do Rio Carolina é o lixo. (Foto Arquivo JBFoco)

 

COISA DE “OS TRAPALHÕES”

De um lado, se comprovado (a empresa Top Engenharia tem o direito de se defender das acusações públicas do citado professor da UFSC), houve a irregularidade do plágio. Mas a coisa não para por aí.

Se o projeto acusado de plágio for executado, provocará um problema literalmente “federal”. É que a BR-101 passa sobre o rio Carolina. O projeto acusado de plágio prevê uma travessia embaixo da BR-101. Segundo o engenheiro Marcos, esse tipo de obra a ser executado numa rodovia que não pode ser interditada, ou seja, em permanente trânsito, pode provocar graves problemas técnicos como o surgimento de crateras na pista da rodovia.

Trocando em miúdos: adaptando o projeto de Brusque, que é uma outra região e com outras características, o projeto da Top tem um problema: é que a prefeitura de Biguaçu não pediu autorização ou informou a Auto Pista Litoral Sul sobre a obra a ser feita na BR-101. Para fazer uma travessia embaixo da BR-101, terá de ter a autorização da ANTT, a agência federal responsável pelas rodovias federais.

Ou seja, se já não bastasse o plágio em si, haveria o problema da burocracia de ter de ser impedido de fazer a obra até que houvesse a autorização, sendo que a mesma nem foi pedida. Isto é, resumindo tudo: a obra transformar-se-ia em outra estilo “Elefante Branco” demorando uma eternidade para ser concluída.

 

PREFEITURA

Em entrevista à imprensa estadual, o secretário de Planejamento e Gestão Participativa de Biguaçu, Matheus Hoffmann Machado, não cabe à prefeitura investigar se o projeto apresentado pela empresa que ganhou a licitação plagiou ou não algum projeto alheio.

Matheus alegou que a empresa Top Engenharia apresentou toda a documentação necessária para participar da licitação e não houve qualquer impedimento legal para participar da disputa.

 

VERBA FEDERAL

O prefeito Ramon pleiteou R$ 5,9 milhões do Ministério das Cidades para a segunda etapa do projeto da Macrodrenagem em Biguaçu. Desse total, R$ 3 milhões seriam gastos no projeto do túnel do rio Carolina sobre a BR-101, alvo da polêmica.

O professor da UFSC considera R$ 3 milhões para esse túnel um valor exagerado. Para ele, R$ 2 milhões já seriam mais que suficientes para essa etapa da obra.

“A solução que desenvolvemos no projeto de Brusque virou até tese de doutorado. Ficamos muito assustados quando percebemos a cópia até dos cálculos. O problema é que durante a escavação tem 1 metro de solo acima, isso com movimento de carro e caminhão passando gera colapso, pode ceder”, disse Noronha para o jornal Notícias do Dia, de Florianópolis.

 

CÂMARA

Diante desse problemas, os vereadores Salmir da Silva, João Domingos Zimmermann (Nino), Maneca Andrade e Magali Prazeres, todo do MDB, convocaram as partes envolvidas no caso (prefeitura, Top Engenharia, professor Marcos Noronha, Auto Pista Litoral Sul, entre outros) para um audiência pública que será realizada dentro de 15 dias.

Os vereadores buscam esclarecimentos sobre o caso.

 

DIFERENÇA

O ex-prefeito Castelo (2009-2014) conseguiu R$ 35 milhões para as obras de macrodrenagem. Detalhe: todo esse dinheiro foi conseguido a FUNDO PERDIDO. Se ninguém provar o contrário, a prefeitura de Biguaçu não precisou pagar um tostão em mensalidade de financiamento.

O prefeito Ramon vem anunciando que fará A SEGUNDA ETAPA DA MACRODRENAGEM. Está pleiteando R$ 5,9 milhões do Ministério das Cidades. Detalhe: o dinheiro não será a fundo perdido. Pelo contrário. Será um financiamento para a prefeitura de Biguaçu pagar em não se sabe quantas vezes.

Pois bem! A 2ª etapa será feita principalmente no rio Carolina, mas já emperraram na primeira etapa, que é o projeto, acusado de plágio puro e simples.

Dos R$ 5,9 milhões a serem liberados, R$ 3 milhões (a metade) seriam previstos para um túnel embaixo da BR-101 que irá provocar a maior confusão por causa do risco de uma a ser realizada logo abaixo de uma rodovia de tráfego intenso.

Minha Nossa! Haja diferença entre Castelo e Ramon. Castelo conseguia o dinheiro sem onerar a prefeitura de Biguaçu e Ramon não possui o talento de buscar verbas boas tal como Castelo!

 

E SÃO JOSÉ?

O rio Carolina divide os municípios de São José e Biguaçu. No entanto, quem quer arcar com as obras desse rio, que tanto incomoda os moradores de ambos lados, é a prefeitura de Biguaçu.

Ora, prefeito Ramon. Não falou com a prefeitura de São José? Se conseguir os R$ 5,9 milhões junto ao governo Federal para as obras, entre as quais a macrodrenagem do rio Carolina, a prefeitura de São José, que também será beneficiada, não vai dar uma ajuda, participar desse projeto?

Nós, o município menor e com menos recursos, vão arcar com as prestações de um financiamento de uma obra que também vai atender São José, cuja prefeitura tem uma arrecadação bilionária somando cada quatro anos?

Por que não falou com São José? É justo isso?

 

TOP ENGENHARIA

No encerramento desta edição, tentamos contato com a empresa Top Engenharia. O problema é que há inúmeras empresas do ramo com esse nome no Google.

O JBFoco está à disposição da empresa que fez o projeto de drenagem do rio Carolina para que apresente sua defesa com relação à denúncia do professor da UFSC.

 

 

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