O leitor lembra-se que no início deste mês de junho o prefeito Ramon Wollinger (PSD) havia enviado à câmara municipal um projeto de lei criando mais 34 cargos comissionados na prefeitura? Pois bem! Diante da repercussão negativa da notícia, que o JBFoco foi o único a noticiar, Ramon retirou o processo às pressas.

Pois bem! Em entrevista a uma TV Zebrinha digital de Biguaçu na noite de terça-feira desta semana (26/06), o vice-prefeito Vilson Alves (PP) anunciou que a prefeitura irá apresentar novamente este projeto criando 34 cargos comissionados. Informou também que, se aprovado, Biguaçu terá ao todo 170 cargos comissionados.

E Vilson justificou a medida alegando que “a saúde precisa”, que “são necessários” etc e tal. Em suma: argumento de “advogado do diabo”, a famosa “Conversa prá boi dormir”, “defender o indefensável”.

Na realidade, trata-se da pressão de vereadores da base de apoio do governo Ramon para conseguir emprego a seus cabos eleitorais. Eles não querem nem saber se o município tem ou não condições financeiras para arcar com mais essa despesa. Afinal de contas, são mais 34 novos salários a serem pagos pelo erário público!!!

A dinâmica é simples: o vereador emplaca seus cabos eleitorais na prefeitura e este, quando vier a próxima eleição, os apóia em busca de votos. É o famoso “dando-se que se recebe”, “uma mão lava a outra”.

 

ARGUMENTOS

Vilson justificou a medida alegando que, em 2009, quando seu grupo político (aliança PP/PSDB/DEM e outros partidos) assumiu a prefeitura de Biguaçu, o número de cargos comissionados na prefeitura era de 98.

Agora esses cargos são 136, mas, em quase 10 anos, a cidade de Biguaçu cresceu de população. Em 2009, beirava os 50 mil e hoje, 2018, acredita-se que já esteja nos 70 mil. Por isso, na ótica de Vilson, com o surgimento da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e mais postos de saúde, entre outros serviços públicos, é preciso aumentar o número de comissionados.

Vilson alega que o aumento no número de comissionados é uma “reforma administrativa”. Mais outra???

Quando assumiu o governo para o segundo mandato, em janeiro de 2017, o prefeito Ramon havia anunciado uma “Reforma Administrativa”, que iria “enxugar cargos” etc e tal, alegando que a crise econômica do país assim exigia.

Tudo conversa ao vento, pois não houve qualquer redução de cargos.

 

Trem da Alegria do prefeito Ramon Wollinger Paródia que a FBV TV Digital fez sobre o caso. (Foto Divulgação)

 

Vilson Alves no programa de TV Tentando justificar o injustificável. (Foto Reprodução)

VEREADOR

O que chamou a atenção foi uma pergunta postada pelo vereador Ricardo Mauri, da Câmara de Biguaçu, que assistia ao vivo o programa e enviou a indagação no momento em que Vilson justificava por que enviar o projeto de lei solicitando autorização da Câmara para a criação de novos cargos. Aqui vai a pergunta de Ricardo ipsis litteris:

Gostaria de saber qual a opinião do vice-prefeito a respeito da forma de governar que ocorre em todo Brasil, e consiste em ceder cargos comissionados em troca de apoio de partidos e vereadores? Esse não seria o grande mal da política? Quando a máquina pública é utilizada para benefício de determinados partidos políticos.”

 

ANÁLISE

Ricardo Mauri (PPS) integra um partido que não faz parte da base de apoio ao prefeito Ramon. No entanto, ele acabou apoiando o candidato a presidente da Câmara de Biguaçu indicado pelo prefeito e, por isso, Ricardo entrou em atrito com seu partido como também com o MDB, aliado do PPS. Ricardo acabou elegendo-se na mesa diretora presidida por aliados do prefeito.

A pergunta de Ricardo, que pelo jeito deve ser a reconciliação dele com seu grupo político, desnuda o que realmente está acontecendo: a criação dos 34 cargos comissionados não mais é do que uma troca de favores. É dar emprego a cargos comissionados de vereadores da base aliada.

Em nada vai resolver os problemas da saúde. Aliás, espera aí!!! Biguaçu não havia contratado a ISEV (Instituto Saúde, Educação e Vida), para administrar os postos de saúde do município?

A ISEV nunca respondeu algum questionamento do JBFoco e não forneceu a lista de seus funcionários. Suspeita-se que, quando a ISEV veio para Biguaçu e começou a contratar funcionários, muitos deles sequer tinham experiência na área da saúde. Na realidade, a suspeita é que muitos deles atuaram ativamente nas campanhas eleitorais dos atuais vereadores da base de apoio ao prefeito Ramon, ou seja, trocando em miúdos: eram os cabos eleitorais dos vereadores que acabaram sendo “indicados” para a ISEV.

Se isso for verdade (é preciso averiguar e o fato de não fornecer a lista de funcionários já é um ato no mínimo suspeito, pois sendo uma empresa que recebe dinheiro público para cuidar do patrimônio público que é a rede de postos de saúde do município, essa informação deveria ser pública), demonstra que o critério de escolha dos cargos comissionado não seria bem o “perfil técnico”, mas sim o QI (Quem- é o vereador que- Indica).

E voltando ao vereador Ricardo Mauri, quando este perguntou “consiste em ceder cargos comissionados em troca de apoio de partidos e vereadores?”, pelo jeito está denunciado a manobra que Vilson defende.

Não estamos dizendo que “todos” os comissionados da ISEV sejam cabos eleitorais, mas certamente há um certo número de cabos eleitorais, que não preenchem critérios técnicos, que ocupam cargos única e exclusivamente por indicações políticas.

Como se ganha uma eleição? Para os vereadores, quanto mais cabos eleitorais conseguirem emplacar nas “tetas” da prefeitura, mais apoio e votos terão nas próximas eleições. Daí a “sede” que não tem fim por esses cargos comissionados!

O país continuando numa situação difícil e o povo não aguenta mais pagar tantos impostos.

A crise que ora ainda sofremos de forma dura deveria ter sido a oportunidade para reestruturar o país, de rever conceitos, impulsionar reformar e, entre elas, a de dar limites, quem sabe extinguir ou limitar ao mínimo possível a criação de cargos comissionados, que nada mais são do que os políticos “premiarem” seus cabos eleitorais.

 

JARAGUÁ DO SUL

Aliás, o leitor sabe da última? Conforme noticia o jornal O Correio do Povo, de Jaraguá do Sul, na sua edição de sexta (22/06), a câmara municipal daquele cidade foi obrigada, pelo Tribunal de Justiça, a extinguir três cargos comissionados que criou sabe-se lá com que justificativa.

Informa o jornal: “Conforme explica a Mesa Diretora da Câmara, o Ministério Público do Estado havia entrado com uma ação judicial contra a Câmara contestando três cargos comissionados, afirmando que as atribuições desses cargos eram de efetivo e não comissionado.

Em 2017, continua a resposta da Mesa, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) decidiu-se favorável ao MP e ordenou que os cargos fossem extintos e os servidores, exonerados.”

Que significa isso? Simples. Em Jaraguá do Sul, já se percebeu que essa história de contratação de “cargos comissionados” nada mais é do que um “jeitinho” para alimentar a nefasta máquina de favores políticos alimentados pelo dinheiro público extraído do cidadão que não aguenta mais pagar tantos impostos.

AVISO
Receba gratuitamente notícias da comarca de Biguaçu em seu whatsapp. Clique no link abaixo, adicione nosso número (4898484-7539) e dê um OK.
bit.ly/WhatsJBFoco