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Na manhã de hoje (terça, 16/10), abri o jornal Notícias do Dia, de Florianópolis, onde acabei deparando, na página 16,  a das publicações legais, com um edital da prefeitura de Biguaçu intitulado “Aviso de Suspenção da CC189/2018-PMB”.

Segundo o que consta no dito edital, a diretoria de Licitações e Contratos da Prefeitura de Biguaçu informa que foi aberta uma licitação de Concorrência Pública nº 189/2018 com o seguinte objetivo: fazer uma PERMUTA.

Mas que permuta é esta? A prefeitura de Biguaçu propõe DOAR um terreno de sua propriedade no loteamento Deltaville, no novo bairro Beira Rio, no valor de R$ 3,96 milhões em troca do TÉRMINO do prédio não concluído que a câmara de vereadores de Biguaçu começou a construir em 2010 e nunca terminou.  Esse prédio fica na rua João José, centro de Biguaçu.

Pera aí!!! Vou ver se eu entendi direito. Li novamente o dito edital publicado no jornal Notícias do Dia. O terreno custa R$ 3,9 milhões. A empresa que receber esse terreno terá de concluir o prédio abandonado iniciado pela Câmara de Biguaçu não podendo cobrar mais do que R$ 3,9 milhões.

O quê? Que loucura é essa? A prefeitura vai jogar fora um terreno público, que poderia servir à comunidade (onde poderia ser construída alguma coisa como praça, parque, centro comunitário, posto de saúde, creche, pista de skate ou o que a população determinar) para concluir um prédio que está 90% pronto???

Sim, o prédio, conforme o leitor pode conferir na foto, está quase pronto. Faltam os acabamentos. Pergunto: esses “acabamentos” vão custar quase R$ 4 milhões???

 

Prédio não concluído da Câmara de Biguaçu situado na rua São José, centro da cidade. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Edital publicado no jornal Notícias do Dia de terça, 16 de outubro. (Foto Reprodução)

 

Ramon Wollinger, perguntar não ofende: não vai nos dizer que quer doar terreno que era para a Casan instalar Centro de Tratamento de Esgoto para finalizar prédio abandonado da Câmara? (Foto Arquivo JBFoco)

RACIOCÍNIO

Vejamos bem. A construtora que ganhar a licitação em troca do terreno no Deltaville não terá de construir um prédio do zero, do chão. Pelo contrário. O prédio já está lá. Já foi construído. O que falta é acabar. Mas o acabamento vai custar quase R$ 4 milhões??? Prefeito Ramon Wollinger, o senhor está de novo, mais uma vez, brincando com a nossa inteligência? Você acha que somos um bando de “biguás” otários???

Que é isso? Vai se benzer, cidadão!!!

Não faz muito tempo que Ramon, brincando com a nossa inteligência, quis gastar quase R$ 1 milhões em aluguel de banheiros químicos. Só neste ano de 2018, já gastou por volta de R$ 700 mil em publicidade não justificada.

Só isso já são R$ 1,7 milhão. Nem estamos falando de outros “desperdícios” caríssimos como cafezinho, marmitas etc.

Será que finalizar um prédio 90% pronto, já com todos os andares e com o teto, vai custar quase R$ 4 milhões?

 

COMPARAÇÃO

Quase em frente ao dito prédio “Elefante Branco” da câmara, fica o edifício Residencial Cônego Rodolfo, construído pelo empresário José Castelo Deschamps e inaugurado em 1998.

Na época, esse prédio custou R$ 900 mil. Tem 12 andares. É de alto padrão. Não é um “Minha Casa, Minha Vida” da vida.

Já se passaram 20 anos. Vamos acrescentar a inflação e não sei o quê. Mas a construção do dito prédio do Castelo hoje vai custar o triplo ou o quadruplo 20 anos depois?  Mesmo assim, se o preço hoje é quatro vezes, não chega a R$ 4 milhões, mas tem um detalhe: conforme dito antes, esse prédio do Castelo tem 12 ANDARES e o prédio da Câmara apenas 6.

Como é que uma obra de ACABAMENTO de um prédio já construído, mas não concluído, vai custar quase R$ 4 MILHÕES, dinheiro este que daria para construir um prédio maior ainda???

Nossa!!! Que é isso? Que loucura é essa?

 

FESTIVAL DE INCOMPETÊNCIA

O prédio da Câmara de Biguaçu foi iniciado em 2010. Passaram-se não sei quantos presidente da câmara e a obra não foi concluída.

E no final, foi feito o seguinte acordo: o prédio inacabado foi doado à prefeitura e esta deu em troca o atual Centro Cultural David Crispim Corrêa (onde fica a sede da Biblioteca de Biguaçu).

Ou seja, a câmara vai no futuro ocupar esse espaço de dois andares por não ter conseguido finalizar o prédio de 6. Pode uma coisa dessas? Trocar seis por… a metade de meia dúzia?

A prefeitura de Biguaçu quer fazer um “Centro Administrativo” no edifício abandonado da rua São José.

Mas a prefeitura de Biguaçu não tem dinheiro para terminar a obra, que se resume ao acabamento de um prédio já 90% construído?

 

E A COISA NÃO PARA POR AÍ

Que terreno é esse no loteamento Deltaville que pertence à prefeitura de Biguaçu e ela quer doar para a empresa que se responsabilizar em finalizar o prédio abandonado da rua São José?

Pelo que sei, a lei exige dos loteamentos que uma parte do empreendimento vire “área verde” ou pública e, por isso, o mega loteamento Deltaville entregou um lote ou um pedaço do loteamento para a prefeitura.

Ainda não tenho certeza, mas perguntar não ofende: este terreno que a prefeitura quer doar em troca da finalização do “Elefante Branco” da rua São José, não é a mesma área doada para a Casan instalar a estação de tratamento de esgoto de Biguaçu?

Pelo que sei, o Deltaville não doou dois terrenos para a prefeitura no dito loteamento, mas apenas um. Portanto, tenho 99% de convicção de que é apenas um terreno e se trata mesmo do terreno que era para a Casan.

Moradores do loteamento Deltaville entraram na justiça contra a Casan para impedir a instalação dessa estação nesse dito terreno e, pelo que sei, o caso ainda não foi julgado.

A Casan implantou uma rede de colega de esgoto recentemente interligando-a até o centro de tratamento no Deltaville.

Com o impasse na justiça, o centro de tratamento não foi instalado e o ex-presidente da Casan, Válter Gallina, havia reclamado que, se a justiça desse ganho de causa para os moradores do Deltaville, o projeto de tratamento de esgoto de Biguaçu iria “explodir”. Por quê?

É que a Casan não tem terreno em Biguaçu. Para instalar o centro de tratamento, terá de comprar um terreno e isso não estava previsto no projeto. Para isso, terá de conseguir novos recursos, o que iria atrasar mais ainda o processo.

E além do mais, já havia um acordo entre Casan e prefeitura de Biguaçu. Estava tudo resolvido, mas houve esse impasse da ação judicial.

Só faltava essa: a prefeitura de Biguaçu querer usar terreno que era para Casan instalar centro de tratamento de esgoto para “torrar” na finalização do prédio “Elefante Branco” deixado pela Câmara. Só faltava essa, mesmo!!!

 

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Ramon, perguntar não ofende. Quantos terrenos a prefeitura de Biguaçu tem no loteamento Deltaville? Um, dois, três?

Esse terreno que a prefeitura quer doar para finalizar o prédio lá da rua São José não é que seria o da Casan?

E mais: esse terreno não está na frente ou próximo do prédio onde você mora num tríplex? Estou certo ou enganado? Realmente não sei, mas gostaria de seu esclarecimento.

 

SHOW DE INCOMPETÊNCIA

Bom! Num país sério, o assunto já teria virado uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). Vale lembrar que no prédio iniciado pela câmara já foram gastos alguns milhões.

Sim, já houve um belo de um gasto. A questão é: como é que a câmara, que recebe 6% da arrecadação anual da prefeitura de Biguaçu, não consegue ter o mínimo de planejamento para iniciar e terminar uma obra?

O prédio em questão foi concebido para que a Câmara de Biguaçu saia do aluguel, mas, como diz o ditado, a “emenda saiu pior do que o soneto”.

Quanto custou a obra até o presente momento? Por que não terminou? O que aconteceu para que a obra virasse um “Elefante Branco”?

Aliás, essa pergunta já foi feita a vários ex-presidentes da Câmara de Biguaçu e as respostas foram vagas.

 

AUTORIZAÇÃO

De acordo com o edital publicado na edição de terça, 16 de outubro de 2018, página 16, do jornal Notícias do Dia, a autorização para a dita “permuta” (doar terreno- se ninguém provar o contrário, era da Casan instalar o Centro de Tratamento de Esgoto- pela finalização do prédio inconcluído) está prevista pelo Lei Municipal nº 3864, de 29 de maio deste ano de 2018.

Pelo jeito, a câmara autorizou essa verdadeira “trapalhada”.

 

EXPLICAÇÕES

A reportagem do JBFoco não entrou em contato com a prefeitura de Biguaçu. A razão é muito simples: a prefeitura nunca responde nada. Inclusive não responde protocolos devidamente registrados.

Não iríamos perder nosso tempo. Mas o fato é incontestável: a publicação de um edital para trocar “seis por meia dúzia” que é uma notória “brincadeira com a inteligência média dos cidadãos biguaçuenses, inclusive a dos que tem QI 4,5”.

O JBFoco, que exige uma explicação tanto da Câmara de Vereadores de Biguaçu como também da prefeitura, disponibiliza o espaço para que as instituições expliquem o que está acontecendo e se a dita “permuta” não estaria lesando o cidadão biguaçuense.

 

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