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Amigo do jornalista Ozias Alves Jr, editor do JBFoco, Diego Emiliano Villazon, advogado e jornalista em Salta, norte da Argentina, é um apaixonado pelo Brasil.

Desde que retornou a seu país após uma pós-graduação em Florianópolis no final da década de 1990 e início dos anos 2000, Diego lê e acompanha o noticiário dos jornais e TVs brasileiras, ainda mais nesses tempos de internet onde tudo ficou disponível instantaneamente na tela do computador.

Diego, como é chamado no Brasil, e Emiliano em seu país, Emiliano Diego virou um “brasilianista”, isto é, um pesquisador de Brasil, tema diário de suas leituras de café da manhã antes de seu trabalho como advogado, professor universitário e jornalista político.

Diego é filho de Jorge Villazon, um jornalista da província de Salta, situada no norte da Argentina, que faz fronteira com o país vizinho, a Bolívia. Especializado em política, Jorge é o “Moacir Pereira” de Salta, com suas crônicas publicadas nos jornais da região além de seu programa de rádio e TV.

Se como diz o ditado, “filho de peixe, peixinho é”, filho de jornalista, também é jornalista. Diego mantém, junto com seu pai e irmã, um programa de TV onde aborda política argentina. A família Villazon transpira política.

BIGUAÇU

Todo ano Diego veraneia em Florianópolis com a família e, ao visitar o amigo Ozias em Biguaçu, ia no restaurante do Biléco saborear camarões, crustáceo raro em Salta, terra do churrasco e do vinho e bem distante do mar tanto a leste como a oeste.

Diego lamentou muito a morte do seu grande amigo Biléco, que foi vereador em Biguaçu.

CURRÍCULO

O currículo de Diego é o seguinte: é advogado e hoje procurador na província de Salta. Possui um mestrado em Relações Internacionais com foco no Mercosul e atuou como professor da Unisul, aqui em Santa Catarina.

No governo da província de Salta (na Argentina, os estados são chamados de “província”), Villazon já atuou como diretor geral de comércio e indústria, secretário de justiça e secretário de juizado federal.

Devido a suas ligações com o Brasil, Diego foi cônsul honorário do Brasil em Salta. Villazon acabou renunciado ao cargo em 2016 em protesto contra o impeachment da presidenta Dilma Rouseff.

Diego atua atualmente como professor da Universidade Católica de Salta.

 

ENTREVISTA

O editor do JBFoco enviou 10 perguntas a Diego e este prontamente respondeu em vídeo.

Na sequência, a transcrição da entrevista e os vídeos para o leitor conferir a sua análise tanto geopolítica como também política.

 

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JBFOCO- COMO ARGENTINO QUE MOROU E ESTUDOU NO BRASIL, COMO VOCÊ, QUE É JORNALISTA NO NORTE DE SEU PAÍS, VÊ AS ELEIÇÕES NO BRASIL?

 

EMILIANO DIEGO VILLAZON- Bom dia a todos. O processo eleitoral no Brasil é seguido muito atentamente não somente pela Argentina, mas pela região toda, inclusive o mundo inteiro está colocando muita atenção para as eleições brasileiras.

A razão é simples: o que acontecer no Brasil pode marcar o êxito ou o fracasso regional do Lawfare (“guerra jurídica”), e com isto, a suspensão do Plano Condor II, que é uma continuação do Plano Condor I, aquele desenvolvido nos anos sessenta e setenta na nossa região, como ferramenta utilizada pelo poder econômico dos Estados Unidos a través da doutrina da Segurança Nacional.

Naquela época, esse centro de poder continental utilizou aos militares dos governos regionais para semear o terror e cometer os piores delitos de Lessa humanidade que se possa imaginar, mas o verdadeiro objetivo era econômico.

A ideia era inocular o Neoliberalismo na região, e foi um êxito. A tal ponto que o processo continuou e se aprofundou no Brasil durante os governos de Fernando Collor de Melo (Partido da Reconstrução Nacional, PRN), Itamar Franco (PRN) e Fernando Henrique Cardozo (Partido da Social Democracia Brasileira, PSDB).

E que agora ressurgiu com toda a força possível com o governo golpista de Michel Temer (Partido do Movimento Democrático Brasileiro, PMDB) e que tem como objetivo continuar aplicando-se com a possibilidade de Bolsonaro Presidente.

Esse plano econômico consiste basicamente em destruir a produção nacional, desindustrializar a economia, tornando-a mais primaria, fazer entrega dos recursos naturais (no caso do Brasil, o Pré-sal é um exemplo) e submeter nossos países aos EUA como liderança continental, destruindo processos de integração regional como o MERCOSUL ou processos de unidade política subcontinental como a UNASUL ou a CELAC.

Com relação aos candidatos à Presidência do Brasil, não vejo que nenhum possa ter qualquer chance de ganhar no primeiro turno.

No cenário de segundo turno, vejo ao candidato do Partido Social Liberal (PSL) Jair Bolsonaro e ao candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) Fernando Haddad.

Agora, quem pode ganhar entre os dois é uma incógnita, já que a diferencia entre os dois é pequena.

A estratégia adotada pelo Partido dos Trabalhadores, de fazer uma aliança pura de esquerda, juntando-se ao Partido Comunista do Brasil pode resultar muito interessante nesse cenário, já que essa aliança pode permitir recuperar os votos que no primeiro turno possam ir para o candidato Ciro Gomes (Partido Democrático Trabalhista), que joga como “um tira votos do PT”.

 

JBFOCO- QUAL SUA AVALIAÇÃO DE JAIR BOLSONARO?

VILLAZON- No caso do candidato Bolsonaro, sem dúvida trata-se de uma pessoa não o suficientemente preparada para assumir a Presidência de um país da importância geopolítica e econômica do Brasil, mas acho que a análise deve ser feita num duplo sentido e devemos perguntar-nos o que seria do Brasil com Bolsonaro como presidente. 

No plano externo (principalmente regional), Bolsonaro é o candidato ideal do poder econômico e militar dos Estados Unidos, para transformá-lo numa marionete que permita acabar com a paz na nossa região e começar um cenário de conflitos militares.

Principalmente em algumas zonas quentes, como exemplo, a Venezuela e a Triple Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), nas quais a aposta é diretamente a intervenção militar (lembre-se que o Secretário geral da OEA, Luis Almagro tem pedido recentemente a intervenção militar na Venezuela) ou indiretamente a ocupação militar dos Estados Unidos na triple fronteira, no norte da Argentina, ou na Amazônia, procurando apropriar-se dos recursos naturais do Aqüífero Guarani, da produção de lítio ou diretamente dos recursos da região do rio Amazonas.

Lembre-se que depois de produzidos os conflitos bélicos mundiais contemporâneos (Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria são alguns exemplos), o principal vencedor sempre foi o complexo militar-industrial dos Estados Unidos.

Ou seja, sempre que houver onde colocar as armas que eles produzem e sempre que houver um recurso natural (que nem precisa ser uma novidade), o tio Sam estará prestando atenção. 

No plano interno, a ascensão meteórica do melhor candidato da direita para as próximas eleições é a consequência de uma serie importante de fatores integrantes do mesmo processo político e social contemporâneo que viveu o Brasil ultimamente e que tem origem na tríade mediático-judicial-política que conseguiu aplicar um golpe de Estado contra a Presidenta Dilma Rousseff, sob o argumento das “pedaladas fiscais”, mecanismo que logo após o impeachment foi declarado como absolutamente legal.

Isto provocou o enjoo da maioria dos brasileiros, que sem muita capacidade de identificar as consequências, seguiu a prédica da antipolítica que proferia um candidato emergente e um verdadeiro pula-pula da política brasileira (o PSL é o nono partido de Bolsonaro), que como se fosse uma célula adormecida do Neoliberalismo apareceu na cena política sem sequer ocultar suas qualidades de antidemocrata (chegando a defender ao torturador Carlos Brilhante Ustra), homofóbico, misógino e racista.

Um verdadeiro expoente da extrema direita. Um resultado do ódio semeado pela antipolítica que inundou as ruas pedindo o afastamento da Dilma sem sequer saber que estavam trocando mal por pior.

 

JBFOCO- QUAL SUA AVALIAÇÃO DOS GOVERNOS LULA E DILMA ROUSSEFF?

VILLAZON- A minha avaliação pessoal dos governos Lula e Dilma fica num local pouco importante perante o reconhecimento que o mundo inteiro tem feito em relação às políticas públicas de redistribuição da riqueza, industrialização e ampliação de direitos, que começaram com Lula e continuaram com Dilma.

No entanto, minha avaliação é altamente positiva, embora tenha algumas questões de política interna e exterior nas quais não coincido plenamente.

É sempre mais fácil começar pelo lado positivo, e neste sentido, é um fato reconhecido mundialmente que Lula durante seu governo conseguiu atingir o recorde de tirar mais de trinta milhões de brasileiros da pobreza, entregou o Bolsa Família a 27 % da população (umas cinqüenta y dois milhões de pessoas), gerou mais de vinte milhões de empregos, e aprofundou a integração regional.

Dilma continuou neste caminho, mas houve algo que faltou.

Em minha opinião, um exemplo disso foi a lei que criou a Comissão Nacional da Verdade, que longe de se transformar numa Comissão Nacional pela Desaparição de Pessoas (CONADEP) que na Argentina serviu de base para poder julgar aos militares, no Brasil foi simplesmente uma lei declarativa que não contribuiu a fechar as feridas que deixaram as ditaduras militares. Isso poderia ter se atingido anulando a lei de Anistia de 1979, começando um devido processo legal em procura de estabelecer as responsabilidades pelos crimes de Lesa humanidade cometidos no Brasil.

 

JBFOCO- DIEGO. VOCÊ FOI O CÔNSUL HONORÁRIO DO BRASIL EM SALTA, NORTE DA ARGENTINA. QUANDO DILMA SOFREU O IMPEACHMENT, VOCÊ DECIDIU ENTREGAR O CARGO EM PROTESTO. DIANTE DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS E DA PRISÃO DE LULA, VOCÊ CONTINUA COM A MESMA VISÃO?

 

VILLAZON- A minha decisão de apresentar a renúncia indeclinável ao cargo de Cônsul Honorário do Brasil em Salta foi adotada depois de uma análise jurídica constitucional dos fatos.

Na oportunidade, entendi e depois com o tempo foi uma visão compartilhada com os mais importantes juristas do mundo inteiro, que o processo de impeachment foi um golpe institucional.

Na minha carta de renúncia, expressei que no meu entender a Constituição da República Federativa do Brasil tinha sido atingida gravemente e que por isso, eu não podia continuar exercendo um cargo que estava diretamente vinculado à honorabilidade.

Em relação à prisão do Lula, reitero o que já manifestei no começo desta entrevista. Considero que o processo que levou Lula pra cadeia é o resultado do que se conhece como o Lawfare (guerra jurídica) que está sendo aplicado na nossa região, desde a destituição de Fernando Lugo no Paraguai, a destituição de Dilma e a perseguição do Lula no Brasil, além das perseguições de Evo Morales na Bolívia, Michel Bachelett no Chile, Rafael Correa no Equador e Cristina Fernández de Kirchner na Argentina. O mundo inteiro fala isso.

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JBFOCO- QUE PARALELO VOCÊ FAZ DA POLÍTICA BRASILEIRA COM A DA ARGENTINA?

 

VILLAZON- Você fala em “paralelo” e já está encaminhando minha resposta no sentido acertado.

O objetivo procurado para a Argentina, para o Brasil, e para os outros países da nossa região foi o mesmo: o regresso ao Neoliberalismo. Mas as ferramentas utilizadas para atingir esse objetivo foram diferentes.

No Brasil, o Lawfare ou guerra jurídica começou com a acusação das pedaladas fiscais que conseguiram criar o cenário apropriado para o impeachment da Dilma numa espécie de golpe institucional, mas de qualquer maneira GOLPE.

Aí apareceu Michel Temer, genuíno representante de um partido político que nunca ganhou uma eleição com votos próprios, mas que participou de vários governos.

Depois foi preciso proscrever ao candidato que melhor posicionado chegava ao processo eleitoral.

Foi assim que um juiz formado pelos Estados Unidos e potenciado mediaticamente como o xerife anticorrupção, não duvidou em condenar, ainda que sem provas, mas baseado na sua “convicção”.

Condena que foi aumentada por um Tribunal Federal sob os mesmos argumentos quase legais.

Ao mesmo tempo, a direita não conseguia erguer o próprio candidato (Geraldo Alckmin, PSDB), devido ao sério envolvimento dos seus principais quadros políticos em diferentes esquemas de corrupção, lembre-se de Aécio Neves, a economia brasileira entrava numa das piores crises dos últimos tempos, mas com uma receita já experimentada durante os anos noventa, junto ao Neoliberalismo.

Assim foi como apareceu essa célula adormecida do poder econômico que não teve outra opção que jogar sua última carta, junto ao candidato de extrema direita Jair Bolsonaro.

No entanto, o complicado caminho judicial que atravessava a defesa do Presidente Lula, não permitia que surgisse um candidato viável que ficasse com os potenciais votos que pertenciam ao líder do PT. E quando o tempo se esgotava, apareceu a chapa da esquerda: Fernando Haddad e Manuela D’Avila, uma combinação pura com uma aposta ideologicamente sólida, que vai em busca de todo o poder político, tentando não repetir o amargo gole da traição que trouxe a necessidade eleitoral de se unir ao Temer.

Na Argentina, o Macri mentiu durante a campanha, mentiu no “quase debate” e mente agora no governo, com a diferença que já não está em campanha nem num debate.

E o povo está se cansando das mentiras. A opinião geral é que o governo de Macri é um governo de ricos para ricos.

Além disso, o governo Macri, ainda que quase absolutamente blindado mediaticamente, não teve um só acerto na área econômica.

O argumento da herança maldita recebida do anterior governo de Cristina Fernández de Kirchner, tantas vezes utilizado pelo Presidente da Argentina já não convence a ninguém.

E inclusive, todo argentino sabe que nunca existiu essa herança.

Por isso precisamente foi tão fácil para Macri endividar a Argentina em mais de trezentos sessenta bilhões de dólares, cifra que representa mais de setenta por cento do PIB da Argentina, o que lembra aos primeiros anos depois da saída do default argentino (uma espécie de calote, quando a Argentina decidiu não pagar a dívida externa), declarado em 2001.

Ou seja, se no Brasil o retorno ao Neoliberalismo foi diretamente conseqüência de um golpe institucional, na Argentina foi o resultado de uma verdadeira fraude política, já que Macri mentiu para ser votado no segundo turno e conseguiu ser Presidente obtendo pouco mais de dois pontos percentuais de diferença com o outro candidato, Daniel Scioli, que era o candidato da Presidenta Cristina Fernández de Kirchner.

 

JBFOCO- MAURÍCIO MACRI E JAIR BOLSONARO, RESPECTIVAMENTE PRESIDENTE DA ARGENTINA E, QUEM SABE, O FUTURO PRESIDENTE DO BRASIL. NA SUA VISÃO, HÁ A POSSIBILIDADE DE UMA GRANDE PARCERIA OU DISTANCIAMENTO?

 

VILLAZON- Sua pergunta resulta um pouco tendenciosa, porque apresenta um cenário pouco provável, mas vou lhe responder mesmo assim.

Afirmo que essa hipótese é pouco provável porque ainda não sabemos se o candidato da extrema direita brasileira vai ser eleito como Presidente.

Acho que a participação dos movimentos sociais feministas, de Direitos Humanos, pelos Direitos das minorias em geral e o #EleNão terão um papel muito importante na próxima eleição do Brasil.

Mas, se isso chegar a acontecer, e Bolsonaro for eleito Presidente, será muito difícil que a parceria com Mauricio Macri vire uma realidade.

A razão: Macri tem atualmente os piores índices de popularidade entre os possíveis candidatos para as eleições presidenciais de 2019 na Argentina, e ainda são piores os níveis de credibilidade na sua gestão e no rumo da economia argentina.

E ainda não começou o pior. Isso vai acontecer quando antes de finais deste ano 2018, a Argentina não consiga impor o plano de ajuste econômico que o Fundo Monetário Internacional (FMI) exige, que consiste numa redução de gastos fiscais de mais de seiscentos bilhões de pesos.

E todo mundo sabe que qualquer ajuste deve ser realizado contra o povo e os argentinos ainda lembram fortemente da última crise econômica de 2001.

Particularmente acho que o governo de Macri vai terminar com uma dose dupla de crise econômica: uma recessão e hiperinflação como a do ano 1989 e um default como o de 2001. E isso irá acontecer mais cedo que tarde. Talvez, antes de finalizar 2018.

Com relação à possível parceria que você mencionou, a história de nossos países não é coincidente nessa línea. Lembremos por exemplo o perfil de amizade-hostilidade que adotaram as ditaduras do Brasil e Argentina, inclusive durante a execução do Plano Condor, épocas nas quais cada país se armava perante hipóteses de conflitividade bélica.

 

JBFOCO- MERCOSUL. É UM SUCESSO OU FRACASSO? TEM FUTURO?

 

VILLAZON- O projeto de concretizar um Mercado Comum do Sul, seguindo o paradigma do Mercado Comum Europeu, que forma parte da estrutura da atual União Europeia, de muita ambição ficou sem concluir porque nunca conseguiu fazer realidade a aplicação da Tarifa Externa Comum, já que nem sequer logrou ser uma União Aduaneira.

Ficou entre uma Zona de Livre Comércio e uma União Aduaneira imperfeita.

Mas o processo europeu também não atingiu o estágio atual da União Econômica da noite para o dia.

Foram necessários longos anos, e ainda tem mais problemas que soluções.

Lembremos o que aconteceu recentemente com o Brexit.

Mas além disso, não será possível nenhum avanço no MERCOSUL se os nossos países são conduzidos por Presidentes que estão mais interessados em se submeter aos Estados Unidos que integrar-se num projeto regional junto aos seus vizinhos.

Eu, no ano 2015, antes das eleições na Argentina fiz pública minha opinião em relação ao que poderia fazer Macri com relação ao MERCOSUL se fosse eleito como Presidente da Argentina: imaginei que tentaria implodir o MERCOSUL e fazer entrega dos pedaços do bloco aos Estados Unidos. Lamentavelmente, o tempo me deu a razão.

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JBFOCO- A ESQUERDA É UM MOVIMENTO POLÍTICO CONDENADO AO FRACASSO DEPOIS DA EXPERIÊNCIA TRAUMATIZANTE DA VENEZUELA E DO PT DESMORALIZADO NO GOVERNO DO BRASIL?

 

VILLAZON- Respondo a sua pergunta fazendo uma breve paráfrase do que diz Boaventura de Sousa Santos, na sua Primeira Carta às esquerdas:

“A esquerda é um conjunto de posições políticas que compartilham o ideal de que os seres humanos tem todos o mesmo valor, e que são o valor mais alto. Esse ideal é questionado sempre que existem relações sociais de poder desigual, isto é, de dominação”.

E partindo dessa pedra fundamental, acho que um movimento que tenha tais conceitos ideológicos não poderá fracassar nunca.

Não concordo com o que você diz com relação a uma Venezuela traumatizada e as últimas pesquisas de opinião não coincidem tampouco com um PT desmoralizado.

Quem está desmoralizado é o PMDB (agora MDB) do golpista Michel Temer, que mesmo tendo traído a Dilma Rousseff não conseguiu se colocar como candidato a uma possível reeleição, nem conseguiu erguer seu próprio candidato, Geraldo Geraldo Alckmin.

 

JBFOCO- QUEM É LULA NA SUA VISÃO?

 

VILLAZON- É um guerreiro, um estadista, reconhecido no mundo inteiro. Um político lutador pelos direitos sociais, não é um emergente, não é uma casualidade da política brasileira, mas uma causalidade da desigualdade que há no Brasil faz muito tempo.

É um necessitado mais, que se preocupou pelos mais necessitados num mundo no qual essa não é precisamente a moeda mais corrente.

A cadeia não termina os ideais das pessoas. Acho que Lula tenta fazer com Fernando Haddad o que um Juan Perón exilado e proscrito fez com Hector Cámpora na Argentina em 1973.

Nessa época o povo cantava nas ruas da Argentina: “Cámpora ao governo, Perón ao poder”. É isso o que deve sempre fazer um líder: CONDUZIR. E ninguém pode dizer que Lula não exerce uma plena liderança, mesmo na proscrição de uma prisão de Curitiba.

 

JBFOCO- SE VOCÊ, QUE É CASADO COM A BRASILEIRA DENISE, TIVESSE TÍTULO DE ELEITOR AQUI NO BRASIL, EM QUEM VOTARIA?

 

VILLAZON- Sem dúvida votaria em Fernando Haddad, porque além das pessoas, que podem cometer erros, eu acredito nos processos políticos que procuram fazer deste mundo um local onde exista um maior grau de igualdade entre as pessoas e que não seja somente uma igualdade relacionada com potenciais direitos, mas sim uma igualdade na possibilidade de exercer esses direitos.

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VÍDEOS DA ENTREVISTA

Vídeo 01

  1. JBFOCO- COMO ARGENTINO QUE MOROU E ESTUDOU NO BRASIL, COMO VOCÊ, QUE É JORNALISTA NO NORTE DE SEU PAÍS, VÊ AS ELEIÇÕES NO BRASIL?

 

Vídeo 02

2) JBFOCO- QUAL SUA AVALIAÇÃO DE JAIR BOLSONARO?

Vídeo 03

3) JBFOCO- QUAL SUA AVALIAÇÃO DOS GOVERNOS LULA E DILMA ROUSSEFF?

VÍDEO 04

4) JBFOCO- VOCÊ FOI O CÔNSUL HONORÁRIO DO BRASIL EM SALTA, NORTE DA ARGENTINA. QUANDO DILMA SOFREU O IMPEACHMENT, VOCÊ DECIDIU ENTREGAR O CARGO EM PROTESTO. DIANTE DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS E DA PRISÃO DE LULA, VOCÊ CONTINUA COM A MESMA VISÃO?

VÍDEO 05

05) JBFOCO- QUE PARALELO VOCÊ FAZ DA POLÍTICA BRASILEIRA COM A DA ARGENTINA?

 

VÍDEO 06 

06) JBFOCO- MAURÍCIO MACRI E JAIR BOLSONARO, RESPECTIVAMENTE PRESIDENTE DA ARGENTINA E, QUEM SABE, O FUTURO PRESIDENTE DO BRASIL. NA SUA VISÃO, HÁ A POSSIBILIDADE DE UMA GRANDE PARCERIA OU DISTANCIAMENTO?

VÍDEO 07 

07) JBFOCO- É UM SUCESSO OU FRACASSO? TEM FUTURO?

VÍDEO 08 

08) JBFOCO- A ESQUERDA É UM MOVIMENTO POLÍTICO CONDENADO AO FRACASSO DEPOIS DA EXPERIÊNCIA TRAUMATIZANTE DA VENEZUELA E DO PT DESMORALIZADO NO GOVERNO DO BRASIL?

 

VÍDEO 09

09) JBFOCO- QUEM É LULA NA SUA VISÃO?

VÍDEO 10

10) JBFOCO- SE VOCÊ, QUE É CASADO COM A BRASILEIRA DENISE, TIVESSE TÍTULO DE ELEITOR AQUI NO BRASIL, EM QUEM VOTARIA?

 

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