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Certa vez, se não me engano no final da década de 1990 ou início dos anos 2000, nós do JBFoco fomos contratados para redigir e imprimir um jornal para a chapa de oposição de um sindicato em Florianópolis. Não me lembro se era sindicato dos vigilantes ou dos trabalhadores do comércio ou de outra categoria.

Mas o que me chamou a atenção foi o seguinte: o candidato a presidente do sindicato pela oposição acusava o então presidente da entidade, que concorria na sua terceira ou quarta reeleição, de não prestar contas do dinheiro arrecadado do sindicato.

O oposicionista, mesmo sendo um membro do sindicato, não conseguia saber quanto o sindicato arrecadava, no que foi gasto, qual a folha de pagamento da entidade etc.

A transparência era ZERO ao quadrado.

MEDIDA

O presidente Michel Temer (MDB), que entregará o cargo no próximo dia 1º de janeiro, fez, durante os dois anos de seu mandato tampão (2016-2018), uma medida moralizante: ele acabou com cobrança obrigatória de um dia de salário de cada trabalhador com carteira assinada que ia para os cofres dos sindicatos sob o nome de “Contribuição Sindical” que, de contribuição, não tinha nada a ver.

A partir de então, a contribuição, que era obrigatório, passou a ser optativa, isto é, são os trabalhadores que autorizam o desconto de um dia de seu trabalho anual para o sindicato que representa sua categoria.

“CATÁSTROFE”

Essa medida foi uma “catástrofe” para os sindicatos. Em 2017, os sindicatos brasileiros haviam arrecadado R$ 1,98 bilhão com esse imposto. Neste ano de 2018, agora em vigor a nova lei da “contribuição sindicato”, a arrecadação baixou 86%, isto é, entraram nos cofres dos sindicatos apenas R$ 276 milhões.

Quase sem dinheiro em caixa, os sindicatos estão demitindo funcionários e tentando alternativas de renda.

Em resumo, é o seguinte: o imposto foi criado em 1940 pelo ditador Getúlio Vargas (1882-1954).

Esse imposto foi responsável por inúmeras distorções. Em primeiro lugar, pela criação de uma infinidade de sindicatos. Em segundo, por gerações de sindicalistas que se especializaram em se perpetuarem nas diretorias dos tais sindicatos

Como os sindicatos não eram obrigados a prestar contas do que arrecadavam, os sindicalistas faziam o que bem entendiam. Aliás, muitas das brigas sindicais aconteciam porque sempre há algum “chato” que quer transparência, em querer saber quanto foi arrecadado e em que o dinheiro foi gasto.

Em resumo total: secou a “mamata” dos sindicatos. E foi estes que financiaram o PT por décadas.

 

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