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A lama das estradas interioranas de Biguaçu não aliviava nem para o governador do estado. Era 1947. O então governador Aderbal Ramos da Silva, acompanhado do prefeito Hugo Amorim, ambos do PSD, foram em comitiva visitar o interior de Biguaçu. Estavam pedindo votos para o candidato a prefeito daquele partido, Orlando Faria. O atoleiro era tão “medonho”, conforme palavras textuais de Amorim, que os veículos não conseguiam percorrer alguns quilômetros sem atolarem-se. Não tinha jeito. Todos saíam dos carros da comitiva para dar o empurrão amigo. Entre eles, o governador, de terno, gravata, meias e impecáveis sapatos de couro que acabaram lustrados pela segunda vez pela lama.

As estradas eram tão ruins que não era difícil encontrar alguns buracos provocados pela erosão que obstruíam a pista em muitos trechos. Os buracões podiam chegar até a dois metros de profundidade. Isso mesmo, não é exagero não”, comenta Hugo Amorim, prefeito de Biguaçu no curto período de abril a dezembro de 1947.

O leitor poderá perguntar-se: como prefeito para um mandato de nove meses? Isso aconteceu porque o Presidente Getúlio Vargas, que governava o país ditatorialmente desde 1930, acabou deposto do poder em 1945, alguns meses após o fim da 2ª Guerra Mundial. Durante quase todo o período de Vargas, o prefeito de Biguaçu havia sido Alfredo Álvares da Silva (Fedoca). Desde a saída deste último, Biguaçu teve cinco prefeitos no período de fevereiro de 1943 a dezembro de 1947. Todos eram nomeados pelo governo do estado. Nesses quatro anos, não foram promovidas eleições devido a instabilidade política do país, principalmente depois da queda de Getúlio.

O último dos prefeitos nomeados de Biguaçu foi Hugo Amorim. Era filiado ao PSD, partido do governador Aderbal Ramos da Silva, que havia assumido o cargo em fevereiro de 1947. Antes de Amorim, o prefeito era Antônio de Pádua Pereira (PSD). Ele administrou a cidade de fevereiro de 1943 a abril de 1947. Não foi prefeito integralmente nesse período. Afastou-se do cargo por alguns meses. Em suas licenças, fora substituído por três outros prefeitos. Antônio de Pádua intercedeu junto ao governador pela nomeação de Hugo e conseguiu. A missão de Amorim era administrar a cidade até as eleições de novembro de 1947.

Hugo nasceu em 25 de agosto de 1913, em Tijucas. Mas apaixonou-se por Biguaçu, a terra de sua esposa Norma Jorge Amorim, com a qual teve três filhas. Em 1936, mudou-se para Biguaçu. Em Tijucas, havia trabalhado como alfaiate e garçom. Já no novo município, morou temporariamente na casa de seu irmão Egydio Amorim, que havia casado-se com Alaíde Sardá, cunhada do então prefeito Alfredo Álvares da Silva (Fedoca) (1931-1943). Entrou para a prefeitura de Biguaçu como agente de estatística. Virou depois tesoureiro e atuou como secretário municipal na administração do prefeito Antônio de Pádua Pereira.

Eleições 1947. O clima político de Biguaçu esquentava. Dois candidatos disputavam o pleito. De um lado, o candidato apoiado por Amorim, Orlando Romão de Faria (PSD). De outro, o adversário da UDN, o empresário e ex-líder do extinto partido Integralista, José João Müller, conhecido popularmente por “Zé Mila”.

Orlando era um jovem recém saído do exército. Müller era um senhor respeitado, empresário sucedido, dono de usina de açúcar. José João era o franco favorito. Afinal, ele promovia grandes “banquetes”, prática da época para comprar votos quase que abertamente para quem quisesse beber e comer de graça.

No final, Orlando venceu. Conforme Hugo, o sucesso de Orlando deve-se ao que o eleitorado “brasileiro” não tinha simpatia pelos descendentes de alemães, como Müller.

Os brasileiros tinham certa prevenção contra os ‘alemães’. Durante as primeiras vitórias dos nazistas durante a 2ª Guerra, muitos descendentes de alemães tinham tornado-se orgulhosos e arrogantes”, observa.

Naquela mesma eleição, Hugo elegeu-se vereador. Foi o mais votado na ocasião. Por isso, exerceu a presidência da câmara. Trabalhou como adjunto de promotor, escrivão de paz e escrivão de polícia. Aposentou-se em 1963 como escrivão do registro civil de Biguaçu.

POST SCRIPTUM: Hugo Amorim faleceu em 30 de julho de 2001. 

 

Hugo Amorim. (Foto: Ozias Alves Jr- Arquivo JBFoco)

 

Egydio Amorim (1907-1988) e Alaíde Sardá de Amorim (1909-2006): irmão e cunhada de Hugo Amorim. (Foto: Reprodução Cemitério Municipal de Biguaçu)

 

Hugo Amorim foi prefeito entre abril de 1947 a dezembro de 1947. (Foto Arquivo JBFoco)

 

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