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Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

Hélio Silva (1904-1995), historiador que alcançou o sucesso na década de 1970, encontrou o inferno quando foi desmascarado por plágio. Lamentável fim para um jornalista que publicou dezenas de livros sobre a história política brasileira, entre os quais os 16 volumes da coleção “Ciclo de Vargas”.

Cada volume desta coleção, lançada pela conceituada editora Civilização Brasileira ao longo das décadas de 1960 e 1970, tem por volta de 500 páginas cada um. São aos menos 8 mil páginas contando o antes, durante e a morte de Getúlio Vargas (1883-1954).

Há uma outra coleção de Hélio Silva intitulada “História da República Brasileira”, desta vez de 21 volumes, lançada pela Editora Três. São mais “resumidos”- com cento e poucas páginas em média. Retrata a história política de 1889 até o governo do ex-presidente Geisel (1907-1996), que governou o país de 1974 a 1978.

Na década de 1990, depois da morte de Hélio, a principal colaboradora do famoso historiador, Maria Cecília Ribas Carneiro, ampliou os volumes, acrescentando até o primeiro mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Silva era médico, mas virou jornalista político. Ao longo da vida, juntou a senhora coleção de documentos, gravações em fitas cassetes, filmes, recortes de jornais, manuscritos, processos, cartas, entre outros objetos preciosos da memória política nacional. Todo esse acervo foi doado a uma universidade. Se não me engano, foi a universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro.

Mas tal sua ascensão intelectual, sua queda foi espetacular. O escritor  Fernando Jorge, autor de alguns livros polêmicos como “Vida e Obra do Plagiário Paulo Francis” (1996), no qual desmascarou Paulo Francis (1930-1997) mostrando, com farta documentação que o famoso jornalista da Globo, tido como um dos mais cultos do Brasil, na realidade não passava de maior plagiador de todos os tempos.

O interessante é que, mesmo com o livro de Fernando Jorge, conhecido como historiador minucioso, Paulo Francis continua sendo “cultuado” fazendo jus ao ditado “em terra de cego, quem tem olho é rei”.

E voltando a Hélio Silva, Fernando Jorge desmascarou Silva por causa de sua memória fotográfica. Constatou que o livro “Nilo Peçanha- A Revolução Brasileira 1909-1910”, lançado em 1983 por Hélio Silva, era a cópia de “A Vida de Nilo Peçanha, de Brígido Tinoco, de 1962.

E puxando o fio, vem o novelo. Fernando descobriu que Silva copiou longos trechos de outros três antigos livros das décadas de 1930 e 1940.

Em maio e junho de 1987, no jornal O Estado de São Paulo, Fernando publicou os artigos que “detonaram” Hélio Silva.

Hélio ficou furioso e disse para a repórter do jornal O Estado de SP, conforme relata o denunciante: “Esse tal Fernando Jorge é um caronista”. A repórter não entendeu. Hélio explicou: “É um caronista porque quer pegar carona na minha fama!”

E o final dessa história acabou sendo o de Hélio, envergonhado, ingressou num monastério, ou seja, virou monge. Morreu em 1995, aos 91 anos de idade.

 

Hélio Silva. (Foto Wikipedia)

 

Primeiro volume entre 16 em que Hélio Silva conta toda a história de como começou o governo Getúlio Vargas. (Foto Estante Virtual)

 

Último livro da coleção Ciclo de Vargas. (Foto Reprodução)

 

Silva produziu uma biblioteca focada em registrar a história da política brasileira. (Foto Reprodução)

 

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