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Além de o censo não ter sido finalizado, 42 cidadãos que constam como “ouvidos” na enquete custeada com dinheiro público afirmam não se lembrar ou simplesmente dizem que não foram entrevistados. Que o Ministério Público ajude a esclarecer este mistério!

 

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

O Censo Linguístico para saber quantos moradores ainda falam o idioma alemão Hunsrückisch no município de Antônio Carlos (SC), promovido pela prefeitura local entre 2014 e 2016, virou literalmente caso de justiça.

O motivo é simples: 42 moradores de Antônio Carlos, cujos nomes constam como “ouvidos” no citado censo promovido pela Prefeitura de Antônio Carlos e custeado com recursos estaduais do Edital Elisabete Anderle de Incentivo à Cultura, simplesmente afirmam “não se lembrar” ou que não foram entrevistados.

Como assim “não se lembram”? Será que esses cidadãos foram realmente entrevistados pelo citado Censo?

E a coisa não para por aí. A entidade contratada sem precisar passar por licitação, o IPOL (Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística), responsável pela tabulação dos resultados e pelo treinamento dos recenseadores, em vez  de entregar os formulários da pesquisa logo que foi solicitado, empreendeu uma verdadeira operação “Empurrar com a Barriga”, conforme o leitor poderá conferir ao longo da história.

Por isso a investigação durou dois anos: o acesso aos formulários, a única forma de investigar o dito censo, só ocorreu no final do ano passado.

Aqui ninguém está acusando ninguém de nada. Aliás, estamos LIMITANDO-NOS APENAS AOS FATOS NUS E CRUS até porque quem julga é a justiça. O jornal Biguaçu em Foco fez a sua parte: reunir documentação sobre o “mistério”. Que a Justiça faça seu trabalho profissional para esclarecer o que realmente aconteceu.

Esperamos que o Ministério Público, que possui mais poderes e recursos de investigação, inclusive o de mandar fazer perícias (necessárias, nesse caso), possa esclarecer exatamente o que aconteceu e, quem sabe, punir exemplarmente o(s) culpado(s).

A Fundação Catarinense de Cultura (FCC), que deu o dinheiro do Edital Elisabete Anderle de Incentivo à Cultura para viabilizar o dito censo linguístico que acabou virando “Caso de Polícia”, certamente agradecerá a investigação para esclarecer o caso.

 

 

Primeira página do formulário de 16 folhas do Censo Linguístico. (Foto Reprodução)

 

Formulários do Censo Linguístico de Antônio Carlos entregues no final do ano passado após longa e exaustiva negociação. (Foto Divulgação)

 

  • O INÍCIO

 

Palestra do professor Gilvan Müller de Oliveira na Câmara de Vereadores de Antônio Carlos, na noite de 23 de junho de 2009, quando explicou a ideia de oficializar a língua Hunsrück naquele município. (Foto: Ozias Alves Jr)

 

Reportagem do JBFoco sobre a primeira das audiências públicas realizadas para a cooficialização do idioma. (Foto Reprodução)

 

O caso será relatado didática e cronologicamente para o leitor entender o que aconteceu. Vamos lá.

Em setembro de 2010, o então vereador de Antônio Carlos, Altamiro Kretzer (PT), apresentou um projeto de lei transformando o dialeto alemão ainda falado naquela cidade, o hunsrückisch, como a segunda língua oficial do município.

Na época, um professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Gilvan Müller de Oliveira, assessorava o vereador Altamiro. O citado professor universitário era presidente do IPOL (Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística), com sede em Florianópolis. Trata-se de uma entidade fundada em 1999 reunindo professores e estudantes universitários que trabalham com línguas.

Um ano e três meses antes, em 23 de junho de 2009, o professor Gilvan havia promovido uma palestra na câmara de vereadores de Antônio Carlos para explicar sobre como uma cidade pode oficializar um idioma minoritário local.

Em abril de 2010, foi realizada a primeira de três audiências públicas em Antônio Carlos convocadas pelo então vereador Altamiro Kretzer. A primeira foi em Louro e as outras duas em Rachadel e no centro de Antônio Carlos, respectivamente, sendo que nessas duas regiões as audiências ocorreram em junho de 2010.

Nessa época, Altamiro havia apresentando o projeto de lei da cooficialização do citado idioma. O professor Gilvan compareceu ao encontro, e o IPOL participou ativamente na organização dos trabalhos.

Por que as “audiências públicas”? Para fundamentar o apoio popular ao projeto e isso ajudou na votação do projeto de lei, o que ocorreu em setembro de 2010. Foi aprovado por unanimidade e acabou virando a lei municipal nº 132, sancionada e publicada em 5 de outubro de 2010.

 

 

  • O CENSO LINGUÍSTICO

 

Em 2012, houve eleições municipais. Em Antônio Carlos, o PP, oposição do PMDB, acabou vencendo o pleito. Altamiro Kretzer acabou tornando-se secretário municipal de Educação e Cultura.

Em 2013 a Prefeitura de Antônio Carlos apresentou projeto ao Edital Elisabete Anderle de Incentivo à Cultura. Trata-se de um prêmio em dinheiro que o governo do estado de Santa Catarina, através da FCC (Fundação Catarinense de Cultura), repassa para financiar a publicação de livros e outras atividades culturais.

A prefeitura de Antônio Carlos acabou sendo contemplada com R$ 100 mil. Esse dinheiro foi depositado na conta bancária da prefeitura em 17 de dezembro de 2013.

A ideia era usar esses recursos para fazer um “Censo Linguístico”, isto é, saber quantos moradores do município de Antônio Carlos ainda falam o “dialeto” alemão hunsrückisch.

Quem deu essa ideia? Quem na prefeitura de Antônio Carlos teve a iniciativa de mandar inscrever a instituição no Edital Elisabete Anderle para conseguir os R$ 100 mil para o censo?

Este jornal não sabe nem conseguiu a resposta. Não podemos afirmar que a “ideia” partiu do próprio Altamiro ou lhe foi dada pelo professor Gilvan, ou por alguém do IPOL ou por alguém da prefeitura.

O fato é que nunca houve antes um “censo linguístico” em Antônio Carlos ou, nos anais da câmara daquela cidade, houve algum registro de vereador ou prefeito ou secretário ou alguém de direito que tivesse defendido tal ideia inédita.

 

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  • CONTRATAÇÃO DO IPOL

 

 

26 de março de 2014. O então secretário de educação, Altamiro Kretzer solicita a contratação do IPOL sem licitação. (Foto Reprodução)

 

 

 

Em 26 de março de 2014, o então secretário municipal de educação e cultura, Altamiro Kretzer, o autor do projeto de cooficialização do idioma hunsrückisch em 2010, enviou a CI (Comunicação Interna) nº 027/2014 para Eliane Nunes Folganes, secretária municipal de administração e finanças (Setor de Licitações), solicitando a contratação do IPOL para realizar o Censo Linguístico e o Diagnóstico da Língua Hunsrückisch.

Detalhe: o então secretário solicitou a “inexigibilidade da licitação”, isto é, o IPOL seria contratado diretamente sem precisar passar por concorrência através de licitação aberta, alegando que a entidade tinha “notória especialização na área de censo linguístico”.

Em 1º de abril de 2014, uma semana depois, Eliane Folganes autorizou a “inexigibilidade” da licitação e o IPOL foi contratado para, entre abril de 2014 e janeiro de 2015, auxiliar na tabulação de dados do citado censo linguístico. Iria receber R$ 29 mil por esse serviço, segundo a documentação.

 

 

  • QUESTIONAMENTO JURÍDICO

 

 

01.04.2014. Parecer da comissão de licitação autorizando a contratação do IPOL sem licitação. (Foto Reprodução)

 

Parecer da então presidente da Comissão de Licitação autorizando a contratação sem licitação do IPOL. (Foto Reprodução)

 

O atual procurador do município de Antônio Carlos, Sérgio Campos, popular “Serginho”, observa que não há problema algum em contratar sem licitação uma entidade como o IPOL, de  “notória especialização na área de censo linguístico”.

Mas Serginho tem dúvidas. Ao analisar o questionário aplicado pelo censo, com perguntas tipo “qual a sua cor?”, “você mora em Antônio Carlos desde que nasceu?”, “em que língua(s) você aprendeu a falar?”, “você sabe escrever em português?” etc., Serginho concluiu que esse tipo de pesquisa poderia ser aplicada por qualquer empresa na área

Resumindo: em vez da “inexigibilidade”, o procurador Serginho opina que deveria ter sido aberta uma licitação para qualquer empresa de pesquisas poder concorrer. No seu entender, Serginho deduz que a licitação permitiria contratar alguma empresa a custo inferior. Mas essa é uma discussão jurídica.

O interessante é que – não há como negar – o IPOL ajudou o vereador Altamiro entre 2009 e 2010 a conceber o projeto de lei da cooficialização do idioma alemão local e agora, quatro anos depois, acabou contratado sem precisar passar por uma licitação aberta.

O IPOL, que participou nos bastidores do projeto de lei (se não redigiu o próprio documento para Altamiro assinar!) entre 2009 e 2010, acabou sendo contratado para um serviço pelo qual receberia R$ 29 mil. Não é ilegal nem imoral. Mas não há como negar que, coincidência ou não, toda essa transação assume ares de troca de favores.

 

 

  • CENSO LINGUÍSTICO: O TRABALHO DAS PARTES

 

 

Equipe do Censo Linguístico. Reprodução do Manual do Recenseador. (Foto Reprodução) (01)

 

Equipe do Censo Linguístico. Reprodução do Manual do Recenseador. (Foto Reprodução) (02)

 

Ficou acertado o seguinte: a prefeitura de Antônio Carlos seria a responsável pela realização do Censo Linguístico. Para tanto, a prefeitura CONTRATARIA os recenseadores que iriam de casa em casa visitar as famílias e aplicar o questionário. O instituto IPOL seria responsável por receber os formulários preenchidos pelos recenseadores e digitar no computador os dados levantados na pesquisa.

Além disso, o IPOL também seria responsável pelo treinamento dos recenseadores e, no final da pesquisa, teria de imprimir um relatório chamado “Censo Linguístico” (com os números estatísticos, principalmente sobre o número de falantes de hunsrückisch na região) e o “diagnóstico sociolinguístico”, uma espécie de comentários sobre a pesquisa em geral e “conselhos” para desenvolver o idioma.

A ideia do censo era ENTREVISTAR TODOS OS 7.458 MORADORES de Antônio Carlos (Censo IBGE 2010).

 

 

  • INÍCIO DA INVESTIGAÇÃO

 

 

Fábio Egert analisando a bagunça dos documentos deixados do Censo Linguístico de Antônio Carlos. (Foto Ozias Alves Jr)

 

Envolvidos na coordenação do Censo Linguístico. (Foto Reprodução IPOL)

 

 

Em 1º de janeiro de 2017, assumiu o novo prefeito de Antônio Carlos, Geraldo Pauli (PMDB) derrotando o então candidato à reeleição, Paulo Remor (PP) na eleição de outubro de 2016.

Com a posse de Pauli, Fábio Egert assumiu o cargo de chefe de gabinete e, naquele início de 2017, também acumulou por alguns meses a secretaria de educação e cultura. Em início de março de 2017, Fábio recebeu a informação da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) de que a prefeitura de Antônio Carlos teria de devolver parte dos R$ 100 mil repassados à instituição em 2013 para realizar o censo linguístico 2014-2016 não concluído.

Foi a partir daí que Egert, curioso, passou a investigar o caso. Vale lembrar que o censo foi realizado na gestão do prefeito anterior, Paulo Remor (2013-2016).

Não sabendo onde estavam os documentos, Fábio procurou Luciana Scussel d´Eça Neves, que  atuara como coordenadora de cultura da prefeitura de Antônio Carlos até novembro de 2016. Luciana havia sido incumbida de responder pelo censo linguístico.

“Luciana me passou algumas pastas e notas fiscais. Encontrei mais documentos. Na realidade, estava uma bagunça completa. O que me chamou a atenção foi que não encontrei o resultado do dito censo, i.e, o relatório estatístico da pesquisa. Era uma confusão”, conta Egert.

 

 

  • CADÊ O RELATÓRIO FINAL DO CENSO?

 

 

Ofício de março de 2017 em que o IPOL afirma que tinha entregue os documentos solicitados em dezembro de 2016. (Foto Reprodução)

 

 

Fábio procurou a secretaria de finanças da prefeitura de Antônio Carlos para saber quais foram os pagamentos efetuados para o Censo Linguístico. O objetivo era entender até onde foi realizada a pesquisa, pois sabidamente o censo não havia sido concluído, ou seja, a equipe da prefeitura que promoveu o censo simplesmente não conseguiu concluí-lo.

Uma segunda providência de Fábio foi, logo que encontrou os telefones e os e-mails do instituto IPOL, contatá-lo solicitando o envio do relatório do censo, documento que não conseguira encontrar na Prefeitura de Antônio Carlos.

Em 28 de março de 2017, a coordenadora de projetos do IPOL, Cíntia Vilanova, enviou ofício dizendo o seguinte: “O Censo Linguístico entregue em dezembro/2016 pode ser substituído pela versão desse envio”. E acrescentou: “O Diagnóstico Linguístico segue em versão impressa somente para leitura e a versão PDF não contém as informações da gráfica de impressão, pois o arquivo aberto ainda espera pelos dados da gráfica vencedora de licitação para a impressão do mesmo. Reiteramos que o arquivo aberto se encontra disponível no link para download enviado pelo e-mail do dia 28/12/2016 para a senhora Idineia Carla Bioeu”.

Acompanhava o ofício um CD com os arquivos em PDF do Censo Linguístico, do Diagnóstico. E também um vídeo.

Mas e os formulários preenchidos da pesquisa? Eis o mistério, na ocasião.

 

 

  • PREFEITURA DE ANTÔNIO CARLOS FOI OBRIGADA A DEVOLVER R$ 53 MIL DO CENSO NÃO CONCLUÍDO

 

Fábio vistoria das 11 caixas de formulários vazios encontrados no depósito da prefeitura de Antônio Carlos. (Foto Ozias Alves Jr)

Dos R$ 100 mil liberados para o censo, segundo Fábio, R$ 47 mil já haviam sido gastos e o censo acabou não sendo concluído. A Fundação Catarinense de Cultura (FCC) exigiu que a prefeitura de Antônio Carlos devolvesse R$ 53 mil.

Fábio tentou negociar uma solução. Sua equipe iria assumir o censo não concluído pela administração anterior, mas a FCC, em ofício datado de 9 de maio de 2017, informou que não aceitaria alegando que já concedera três prazos finais para a conclusão do projeto, o último dos quais em 31 de dezembro de 2016.

“A Fundação Catarinense de Cultura exigiu que pagássemos os R$ 53 mil, ou seja, nós, a administração que assumiu em 2017, teve de pagar um prejuízo de uma pesquisa que a administração anterior não concluiu. É tão difícil conseguir dinheiro para projetos culturais e R$ 53 mil que poderiam ser usados para a cultura de Antônio Carlos em 2017 ou 2018 acabaram sendo devolvidos para o governo do Estado. Perdemos duas vezes”, resumiu Egert.

“Em 25 de maio de 2017, a Prefeitura de Antônio Carlos encaminhou a prestação de contas desse censo, com as notas fiscais comprovando o pagamento dos recenseadores contratados naquele censo de 2014-2016. O que não encontramos foi o relatório final em papel, que o IPOL disse haver sido entregue em dezembro de 2016. O que tinha ali, a gente juntou e entregou para a prestação de contas da Fundação Catarinense de Cultura”, informa Egert.

 

08.05.2017 (02)
08.05.2017
09.05.2017
27.05.2017
28.04.2017. Ofício do prefeito Geraldo Pauli (1)
28.04.2017. Ofício do prefeito Geraldo Pauli (2)

 

  • PESQUISA VAGA
Egert salientava que não encontrava os nomes dos recenseados na papelada deixada pelo Censo. Foto tirada em 21 de julho de 2015. (Foto Ozias Alves Jr)

 

“Achei uma coisa muito vaga. O resultado de todo o censo resumia-se a duas apostilinhas impressas dos PDFs enviados num CD e um vídeo. Só isso. E o pior é que se trata de um resultado parcial porque, como se sabe, não conseguiram finalizar o censo. Ficou tudo pela metade. O estudo aponta nada o que fazer depois do Censo”, observa Egert.

“Questionei Luciana, a ex-responsável pelo censo, e ela justificou que a pesquisa não foi concluída alegando que houve muitas dificuldades com os recenseadores, com a burocracia e o projeto sofreu tantos atrasos que acabou passando do prazo”, conta Fábio.

Em 21 de julho de 2017, a reportagem do JBFoco, que tinha ido à prefeitura de Antônio Carlos fazer uma matéria com o prefeito, aproveitou a ocasião para procurar Fábio, que levou a reportagem ao depósito da prefeitura onde mostrou 11 caixas, algumas das quais ainda lacradas.

Do que se tratavam? Eram caixas com formulários vazios do Censo Linguístico.

A questão é: por que tantos formulários do Censo vazios, sem uso?

 

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  • ENTREVISTA COM ALTAMIRO KRETZER

 

Altamiro Kretzer. (Foto Arquivo JBFoco)

 

A reportagem do JBFoco telefonou em 26 de fevereiro de 2018 para o ex-secretário de educação e ex-vereador de Antônio Carlos, Altamiro Kretzer para perguntar o que acontecera com o Censo e onde estavam os formulários preenchidos.

Enfatizando que saíra da prefeitura em abril de 2016, Altamiro respondeu: “Não acompanhei o processo” (referindo-se à finalização do censo linguístico)”.

Indagado sobre o número de entrevistados, Altamiro disse que deveriam ser entre 3 a 4 mil, mas não sabia com certeza, pois não tivera acesso ao relatório final do censo.

 

  • ENTREVISTA COM LUCIANA SCUSSEL, RESPONSÁVEL PELO CENSO

 

 

Luciana Scussel d´Eça Neves: coordenadora do Censo. (Foto Divulgação)

 

No relatório do Censo, o nome de Luciana Scussel aparece como coordenadora da pesquisa. (Foto JBFoco)

 

Em 14 de março de 2018, a reportagem do JBFoco contatou por telefone Luciana Scussel d´Eça Neves, ex-coordenadora de cultura da prefeitura de Antônio Carlos e responsável pela realização do Censo. Luciana observou que a ideia inicial era entrevistar 100% da população de Antônio Carlos. “Mas foi impossível”, observou. E esclareceu que para conseguir alcançar objetivo tão ambicioso, pretendiam utilizar as agentes da PSF (Programa de Saúde da Família) como recenseadoras.

A ideia era boa, já que as agentes percorrem o município inteiro. Conhecem cada família de suas áreas de atuação. Na hora de visitá-las, essas agentes poderiam aplicar o formulário do censo.

Mas, segundo Luciana, essa tentativa não deu certo porque esbarrou num problema legal. As agentes já recebem salário pelo trabalho de visita nas casas. Se aplicassem o formulário durante essas visitas, incorreriam em “duplicidade”, isto é, como funcionárias públicas, não podem receber dois vencimentos ao mesmo tempo.

Segundo Luciana, por causa disso, o cronograma do censo sofreu literalmente um “baque”. Entre 2014 e dezembro de 2016, segundo Luciana, houve uma série de imprevistos que fizeram com que o censo acabasse mudando o foco. Em vez de entrevistar 100% da população, agora a ideia era entrevistar apenas uma amostragem.

A reportagem informou a Luciana que Fábio Egert não conseguiu localizar, dentro da prefeitura, os formulários PREENCHIDOS a caneta pelos recenseadores.

Luciana respondeu que esses documentos se encontravam na sede do IPOL, em Florianópolis. E que ela saiu da prefeitura em novembro de 2016 e, na ocasião, não havia recebido os formulários.

 

QUESTIONAMENTOS

Em determinado momento da entrevista, Luciana questionou o repórter:

“Mas agora só me explica o seguinte: por que você está fazendo essa série de perguntas?”

“Eu sou um jornalista”, respondeu Ozias.

“Mas qual é o seu interesse? Sim, você é um curioso? Um pesquisador? Você é um acadêmico? Você é o quê? Por que você quer essas informações?”, questionou Luciana.

“Eu estou publicando um livro, uma gramática dessa língua. Eu pesquiso essa língua. Eu até achei interessante que…”

“Tu recebeste um dinheiro do (Edital) Elisabete Anderle (2017) e tu sabes como funciona. Tu tens de realizar tudo aquilo que está no projeto. E a série de perguntas que me fizeste… até pareces querer para me pegar em respostas dúbias”, disse a ex-coordenadora de cultura.

O jornalista Ozias recebeu verba do Edital Elisabete Anderle para a publicação de seu livro “Língua Hunsrück: Introdução à História, Gramática e Cultura do Idioma Alemão mais antigo do Brasil”, impresso em dezembro de 2018.

Por que mencionar esse livro? Eis a questão!

 

 

  • “NÃO ESTÁ”, “NÃO ESTOU AUTORIZADA A REPASSAR O TELEFONE”: DESCULPAS DO IPOL

 

Conforme já visto, o instituto IPOL foi contratado para levantar e computar os dados do Censo Linguístico.

As responsáveis do IPOL nesse serviço foram as doutoras em linguística, Rosângela Morello e Ana Paula Seiffert. Rosângela substituiu o professor Gilvan Müller de Oliveira na presidência do IPOL.

No projeto do Censo Linguístico da Língua Hunsrückisch de Antônio Carlos de 2014-2016, Gilvan aparece em duas funções: de assessor e de revisor técnico do relatório final da pesquisa.

Para localizar os formulários PREENCHIDOS do censo, em 19 de fevereiro de 2018 a reportagem do JBFoco telefonou para a sede do IPOL e quem se identificou como “Lívia, secretária” disse que Rosângela não podia atender naquele momento e Ana Paula “não estava”. Ao solicitar o telefone do professor Gilvan, a reportagem recebeu de Lívia a resposta: “Não sou autorizada a dar o número de celular dele”.

Às 17h29 daquele mesmo dia 19 de fevereiro, a reportagem fez nova ligação e a secretária Lívia disse que Rosângela “continuava em reunião”.

 

TENTATIVAS DE CONTATO

Em 22 de fevereiro de 2018, o JBFoco voltou a buscar contato com o IPOL. E a resposta da secretária foi: “Ana Paula não está e Rosângela não pode atender”.

Afirmou que Rosângela deveria ficar livre às 17h.

Às 17h03 daquele mesmo dia, a reportagem do JBFoco voltou a ligar e a conversa com a secretária foi assim: “

Quem gostaria?

– Ozias.

– De onde?

– De Biguaçu.

– Só um momentinho.

– Ozias. Ela (Rosângela) está numa reunião”.

E naquela ocasião, a conversa telefônica terminou com o repórter salientando que, já que nunca “coincidia” encontrar Rosângela “fora de uma reunião”, a melhor medida seria repassar número de telefone celular do jornalista para que Rosângela entrasse em contato.

Não é preciso dizer que ela nunca retornou a ligação.

 

INSISTÊNCIA

Em 23 de fevereiro de 2018, um dia depois, a reportagem voltou a ligar ao IPOL e a secretária informou que “Rosângela foi hospitalizada”. Completou: “problema no braço”.

E que Ana Paula Seiffert encontrava-se em São Bento do Sul. O repórter perguntou qual o celular, mas a secretária respondeu: “não tenho autorização para repassar esse número”.

 

FINALMENTE O CONTATO

Em 13 de março de 2018, finalmente a reportagem do JBFoco conseguiu falar com Rosângela Morello, a presidente do IPOL, por telefone, sem identificar-se. Apenas disse: “Boa tarde. Gostaria de saber de senso linguístico, pegar algumas informações”.

O interessante foi que rapidamente a ligação foi repassada à Rosângela, que coincidentemente naquela hora não estava em “reunião”.

Logo que Rosângela atendeu, o repórter se identificou e perguntou: “Eu poderia ter acesso aos formulários. Eu queria combinar…”

A ligação estava péssima, mas Rosângela simplesmente não respondeu a pergunta, isto é, dizer se estavam com ela os ditos formulários PREENCHIDOS da pesquisa e como deveria proceder para ter-lhes acesso.

No final da curta ligação, Rosângela disse para solicitar por e-mail.

  • ONDE ESTÃO OS FORMULÁRIOS?

 

Diretora do IPOL, Rosângela Morello, alegou que seu instituto havia entregue os formulários em dezembro de 2016. (Foto Carlos Wanderley Gomes da Silva)

 

Convite do evento promovido pelo IPOL em agosto de 2018. Oportunidade que a investigação teve de perguntar pessoalmente onde estavam os formulários do Censo Linguístico. (Foto Reprodução)

 

Rosângela Morello enviou e-mail convidando o prefeito de Antônio Carlos para o encontro da língua Hunsrückisch. (Foto Reprodução)
E-mail em que Fábio pergunta onde estão os formulários preenchidos do Censo Linguístico 2014-2016. (Foto Reprodução)

 

Rosângela respondeu dizendo que os formulários foram entregues à prefeitura de Antônio Carlos. (Foto Reprodução)

 

E-mail de Fábio Egert perguntando para quem o IPOL entregou os formulários, conforme disse anteriormente Rosângela Morello. (Foto Reprodução)

 

Agora Rosângela muda a conversa. Afirma que está evitando acumular questionários em papel. Que é isso (Foto Reprodução)

 

Em 28 de março de 2018, Rosângela Morello enviou e-mail para o prefeito Geraldo Pauli, de Antônio Carlos, convidando-o para o “Iº Encontro Regional do Inventário do Hunsrückisch e IIº Encontro de Falantes de Hunsrückisch”, agendado para 24 de agosto de 2018, em Florianópolis.

Como chefe de gabinete de Geraldo, Egert, responsável pela correspondência oficial do prefeito, respondeu em 10 de abril de 2018: “Rosângela, boa tarde. Agradecemos o envio do convite e confirmaremos a participação próximo à data do evento. Aproveitando a oportunidade, o controle interno e a FCC (Fundação Catarinense de Cultura) estão solicitando os formulários de pesquisa do Censo. Este material está com vocês? Aguardo retorno. Fábio Luiz Egert.”

Seis dias depois, em 16 de abril de 2018, Rosângela respondeu: “Bom dia, Fábio, todo o trabalho que fizemos foi entregue a vocês em dezembro de 2016. Qualquer dúvida, estamos à disposição. Abraço. Rosângela.”

Um dia depois (17/04/2018), Egert respondeu: “Rosângela, bom dia. Não encontramos os formulários de pesquisa preenchidos. Só alguns em branco que estavam no depósito da Prefeitura (de Antônio Carlos). Entrei em contato com a Luciana, Coordenadora de Cultura da gestão passada. Esta informou que deixou as atividades em novembro (de 2016). Recordas para quem vocês entregaram? Existem algumas pastas com documentos e informações do trabalho, porém estes formulários não estão juntos. Atenciosamente. Fábio Luiz Egert, Chefe de Gabinete.”

No dia seguinte, 18 de abril de 2018, a diretora do IPOL, Rosângela, respondeu: “Boa tarde, Fábio! Os questionários, cerca de 6 mil, tiveram suas respostas todas digitadas e tratadas em planilhas que geraram os dados entregues para vocês em um DVD. Houve todo um planejamento metodológico e logístico para esse procedimento de coleta. Assim, evitamos acumular questionários em papel e viabilizar o acesso aos dados de modo mais ágil.

De fato, o manuseio de todas as variáveis contidas nessa quantidade de questionários, em papel, para obter qualquer informação era para nós impraticável. Por isso, a solução digital.

Seguimos. Forte abraço. Rosângela.”

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  • “EVITAMOS ACUMULAR QUESTIONÁRIOS EM PAPEL”. QUE PAPO É ESSE, ROSÂNGELA?

 

 

Rosângela Morello, líder do IPOL, alegou que os “formulários” já estavam no CD, mas ninguém achou. (Foto Carlos Wanderley Gomes da Silva)

Em seu e-mail de 18 de abril de 2018, o que a chefe do IPOL quis dizer com “evitamos acumular questionários em papel?” Como assim? Afinal de contas, onde estavam os formulários preenchidos pelos recenseadores com os nomes das pessoas entrevistadas?

Em 28 de março de 2017, um ano e um mês antes, o IPOL havia entregue realmente um DVD, mas não constavam os formulários, ou seja, o DVD não tinha arquivo dos “cerca de 6 mil” formulários escaneados.

A questão era muito simples: quem foram os entrevistados? Era a informação que estávamos procurando e não conseguíamos. Ninguém sabia quem foi entrevistado e quando, nesse tal censo linguístico.

Fábio solicitou explicações: afinal de contas, os formulários estão em papel ou em forma eletrônica?

 

 

  • FUNDAÇÃO ORIENTA PREFEITURA A NOTIFICAR O IPOL PARA ENTREGAR OS FORMULÁRIOS

 

Durante o evento do IPOL de 24 de agosto do ano passado, Fábio solicitou o acesso aos formulários do Censo. (Foto Carlos Wanderley Gomes da Silva)Diante das evasivas do IPOL, o chefe de gabinete acabou tendo de consultar a Fundação Catarinense de Cultura (FCC), em Florianópolis, no dia 3 de maio de 2018, quando foi orientado a “notificar” o citado instituto, enviando uma notificação assinada pelo procurador do município exigindo que essa entidade entregasse os formulários do censo preenchidos.

Afinal de contas, esses formulários pertencem à prefeitura, pois foi ela quem recebeu o dinheiro do Edital Elisabete Anderle para fazer a dita pesquisa e pagou pela realização do trabalho. O IPOL foi contratado apenas para computar os dados.

Se o IPOL tivesse os formulários em seu poder, tinha de devolvê-los imediatamente, pois não lhes pertencia.

 

  • EVENTO VIRA OPORTUNIDADE DE SOLICITAR ACESSO AOS FORMULÁRIOS DIRETAMENTE AO IPOL

 

 

Depois do Censo Linguístico de Antônio Carlos, agora o IPOL está envolvido num inventário nacional do idioma hunsrückisch. (Foto Reprodução You Tube)

 

 

Em 24 de agosto de 2018, o editor do JBFoco, Ozias Alves Jr, Fábio Egert e Carlos Wanderley Gomes da Silva, da TV em Foco, foram ao Iº Encontro Regional do Inventário do Hunsrückisch, promovido pelo IPOL num hotel do centro de Florianópolis, com um objetivo simples: perguntar diretamente aos diretores do IPOL onde estavam os formulários, já que não atendiam telefonemas e a própria diretora afirmou em e-mail que entregou os ditos formulários em dezembro de 2016.

Chegamos cedo e escutamos as palestras. Na ocasião, o IPOL anunciava estar realizando um “inventário nacional” do idioma hunsrückisch. Sim, após a “assessoria técnica” de orientação do censo linguístico de Antônio Carlos, agora rendeu um degrau a mais: a realização de um “inventário” nacional desse idioma, em 19 municípios de norte a sul do Brasil. Antônio Carlos constava como o primeiro da lista.

Já era quase meio-dia quando o jornalista pediu a palavra e perguntou onde se encontravam os formulários e como poderia acessá-los.

A presidente do IPOL, Rosângela Morello, conforme se constata no vídeo gravado pela TV em Foco (sua voz ganhou tom estranho em contraste com a docilidade de antes da pergunta), alegou que se encontravam em “forma eletrônica” e, quando o jornalista repetiu que queria ter acesso aos formulários físicos (de papel), esta, depois de insistir na tal “versão eletrônica”, passou a alegar que não poderia permitir a não ser se fosse pedido da prefeitura e que os “dados dos entrevistados são sigilosos”, que quem os violasse responderia processo etc.

Questionei: como assim? Desde quando os dados de um censo para saber se o cidadão fala ou não hunsrückisch é algo “sigiloso” e violação da privacidade? Por que o jornal Biguaçu em Foco não pode ter acesso aos nomes das pessoas entrevistadas? Afinal de contas, não é uma pesquisa sobre sexo, intimidades na cama, homossexualismo ou coisa do gênero. É sobre idioma. Qual o problema de se ter acesso a esses dados?  E o dono dos formulários não é a prefeitura de Antônio Carlos? E não foi custeado pelo dinheiro público? Como contribuinte, o jornalista não pode ter acesso?

O fato é que “o tempo escureceu”, mas, no final, a chefe daquela instituição, Rosângela, disse que os formulários EM PAPEL estavam na sede do IPOL e que só representantes da prefeitura de Antônio Carlos poderiam ter acesso.

 

 

  • ALGUNS DOS DIÁLOGOS DO ENCONTRO DE 24 DE AGOSTO

 

Ao invés de facilitar a entrega dos formulários que não pertencem ao IPOL, Rosângela tentou alegar que os mesmos estão “digitados” e que se encontravam no CD, o que não era bem assim. (Foto Carlos Wanderley Gomes da Silva) 

Revendo os vídeos gravados naquela ocasião de 24 de agosto de 2018, eis aqui a transcrição de alguns dos diálogos.

Era quase meio dia daquele 24 de agosto quando Fábio Egert solicitou a palavra durante o encontro. Em determinado momento, falou sobre os formulários do Censo Linguístico e solicitou-os.

Rosângela começou a falar que no Canadá há duas línguas oficiais etc. et tal (???)

Depois de escutar sobre essa explanação de “política linguística” no Canadá (???), Egert voltou a falar e, no meio de sua explanação, repetiu que queria ter acesso aos formulários.

Rosângela respondeu que os “6 mil formulários em papel estão todos digitados”.

“Bom! Eu não vi”, observou Fábio.

Então o jornalista Ozias interveio perguntando: “Onde estão os formulários? (Queremos saber) nomes, endereços”.

Rosângela respondeu: “Estão no IPOL… digitados”.

Diante de uma resposta que não estava clara, Ozias solicitou confirmação: “Estão no IPOL os formulários? São 6 mil?”

A presidente do IPOL disse: “Ozias, a pesquisa … não, eu sei…. o formulário… está tudo digitado, tá tudo digitado. Tá. Veja. São seis mil questionários. O que foi feito com… em Antônio Carlos foi … a coleta… como é que você lida com questionário? Tem uma planilha Excel. Tá lá nome, endereço”.

E acrescentou: “Naquele CD está tudo lá digitado. Todo digitado. On line. Se você quiser pegar o papel, pode pegar. São seis mil papéis. Mas a prefeitura recebeu o arquivo eletrônico”.

Uma mulher participante do evento, que não pertence ao IPOL, interveio: “É que os dados que saíram, eles (Ipol) passaram para o Excel”.

Fábio Egert observou: “Se existe o eletrônico, existe o papel”.

Aí Ozias perguntou: “Então, os dados estão disponíveis em papel, não é?”

Fábio disse que não teve acesso aos formulários e que o IPOL tinha dito que os formulários foram entregues para a administração anterior (do prefeito Paulo Remor- 2013-2016).

“Eu não localizei esse CD com os formulários e essa planilha eletrônica que foi feita. Isso aí a gente precisa ter acesso. Só isso”, esclareceu Fábio.

Aí o professor Cleo Altenhofen, convidado daquela reunião para falar sobre suas pesquisas com o idioma hunsrückisch no Rio Grande do Sul e que não faz parte do IPOL, mandou encerrar a reunião alegando que estava na hora do almoço.

 

  • ROSÂNGELA DIZ QUE FORMULÁRIOS ESTÃO “DISPONÍVEIS”

 

 

Líder do IPOL, Rosângela argumentou desculpas para não dar pronta entrega dos formulários do Censo. (Foto Carlos Wanderley Gomes da Silva)

 

Naquele encontro de 24 de agosto de 2018, questionada sobre os formulários do Censo encontrados no depósito da prefeitura, Rosângela deu a seguinte resposta: “Tem de olhar é não o que sobrou de formulário, isso pode acontecer, mas sim resultado do que foi copilado e o que está no CD de acordo com o papel”.

Então o jornalista Ozias perguntou: “Podemos pegar na segunda-feira (27/08/2018) os formulários?”

Rosângela respondeu que só a prefeitura poderia pegar, mas Ozias observou que ali estava Fábio Egert, representante legal da prefeitura de Antônio Carlos.

Rosângela observou: “Está no CD”, ou seja, deixando a entender que “não precisa”, pois está tudo no CD já entregue, o que, na realidade, Egert havia dito e repetido que não encontrou tais dados. O que procurávamos eram os nomes e os endereços das pessoas “ouvidas” no dito Censo, explicamos na ocasião.

Então Ozias disse: “Vamos pegar lá, Fábio”.

E Rosângela: “Essas informações são sigilosas. O Censo Linguístico você não revela os dados”. E prosseguiu argumentando: “Vocês não podem pegar informações sigilosas. O IPOL entregará para a prefeitura e a prefeitura vai entregar para vocês. Os dados são sigilosos. Eu não tenho de mostrar nada”.

Então Ozias, que em nenhum momento alterou a voz nem se portou de forma hostil (pelo contrário, muito diplomático e tranquilo) disse: “Os formulários em papel estão com vocês, não? Calma, querida. Não precisa ficar assim!”

Rosângela disse: “Os formulários em papel vou entregar para o Fábio (Egert)”.

Ozias disse: “Ótimo. Então tá resolvido”.

 

  • QUE PAPO É ESSE, ANA PAULA SEIFFERT?

 

 

Ana Paula Seiffert, do IPOL, alega que não irá usar dados do Censo Linguístico de Antônio Carlos (2014-2016) no Inventário Nacional da Língua Hunsrückisch. Que contradição é essa? (Foto Carlos Wanderley Gomes da Silva)

 

Interessante. Para o Inventário Nacional, o Censo de Antônio Carlos não será usado, segundo Ana Paula, mas para participar de congresso linguístico na UFSC como foi em 19 de setembro de 2017 apresentando o Censo Linguístico de Antônio Carlos, aí o IPOL aproveitou para apresentar. Que interessante!!!. (Foto Reprodução)

 

 

O diálogo em áudio que se segue gravado no citado encontro de 24 de agosto de 2018 é com Ana Paula Seiffert, outra coordenadora do IPOL responsável pela tabulação dos dados do Censo Linguístico. Sua fala deixou questionamentos.

Dirigindo-se ao jornalista Ozias, Ana Paula disse: “Só para a gente. Só uma coisa para deixar bem claro. Aqui a gente está falando do inventário (explicação: o evento daquele dia 24 de agosto de 2018 era sobre a apresentação do IPOL do projeto “inventário da língua hunsrück, ou seja, o instituto estava informando que iria fazer uma pesquisa nacional sobre o citado idioma”).

Na sequência, Ana falou: “Os dados do senso de Antônio Carlos não entraram no inventário”.

O jornalista questionou: “Não entraram?”

Ana respondeu: “Não. Não. Uma outra pesquisa. Para essa aqui (a do Inventário), a gente foi de novo”,

Ozias disse: “Mas o primeiro nome (que aparece no inventário) é Antônio Carlos”.

A coordenadora do IPOL disse: “Sim, mas foi outro questionário, outro levantamento, outra coisa, outro trabalho. Foi um trabalho de equipes diferentes que, inclusive, foram a campo em anos diferentes. Essa aí foi uma outra pesquisa. Então a gente até agora está buscando recursos para publicar o diagnóstico que foi feito em Antônio Carlos em parceria com a prefeitura. Essa aí é uma outra parceria. Dessa aqui o pessoal do Rio Grande do Sul não tem nada a ver”.

Ana referia-se aos pesquisadores gaúchos presentes naquele evento.

 

PERA AÍ, ANA PAULA, QUE PAPO É ESSE?

Só para contextualizar e o leitor entender a conversa em questão. Aquele evento de 24 de agosto era, conforme já dito, a apresentação do projeto “Inventário da língua Hunsrückisch”.

Com outros pesquisadores, o IPOL recebeu ou iria receber verba (parece que federal, não sabemos com exatidão) para fazer um “inventário” do idioma hunsrück em 19 MUNICÍPIOS do Brasil.

O primeiro que apareceu na lista foi Antônio Carlos, onde o IPOL foi contratado para fazer o relatório do trabalho.

Vamos analisar o que a sra. Ana Paula disse: “Os dados do Censo de Antônio Carlos não entraram no inventário”.

Pera aí!!!! Como assim??? Por que os dados do Censo 2014-2016 de Antônio Carlos não vão entrar no inventário? Não foi o IPOL que tabulou as informações? Não foi o IPOL que treinou os recenseadores e elaborou o formulário da pesquisa? A troco de que Ana Paula iria enfatizar que os números do Censo de Antônio Carlos não seriam utilizados ou citados ou incorporados ou sei lá o quê no inventário nacional do idioma hunsrückisch?

Vão fazer o trabalho todo de novo? Vão novamente a Antônio Carlos fazer a mesma pesquisa? Que coisa mais sem sentido!!!

Que papo é esse, Ana Paula? Se o Censo de Antônio Carlos (2014-2016) está “correto”, “tranquilo”, “tudo limpeza”, onde o governo de Estado de Santa Catarina investiu R$ 100 mil através do Edital Elisabete Anderle, por que seus dados não podem “entrar no inventário”? Não é uma contradição?

 

 

  • IPOL NÃO ENTREGOU OS FORMULÁRIOS NO DIA CONCORDADO

 

 

O encontro ocorreu na sexta-feira, 24 de agosto de 2018. Em determinado momento, Rosângela Morello, chefe do IPOL, disse a Fábio Egert que a prefeitura poderia buscar os formulários no primeiro dia útil seguinte, portanto, segunda-feira, 27 de agosto de 2018.

No final da tarde de segunda (27/08), o jornalista Ozias, sempre ocupado com o jornal e também com sua segunda faculdade, entrou em contato com Fábio, que esclareceu: “Não responderam, não contataram, não mandaram e-mail. Amanhã vou verificar os CDs que ela disse que tinha entregado e lá estariam os formulários”.

Em resumo: Rosângela insistiu tanto no argumento de que os “formulários estão no CD” que ele, com uma pulga atrás da orelha, foi conferir, mais uma vez, não achando nada desses documentos.

Repetindo: apenas queríamos saber os nomes e os endereços das pessoas entrevistadas no Censo.

 

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  • IPOL CRIA OBSTÁCULOS PARA ENTREGAR OS FORMULÁRIOS

 

Diante do impasse do IPOL de não entregar os formulários do dito censo logo que solicitado e insistir que entregou para a prefeitura, em contradição ao que disse a ex-coordenadora de cultura, Luciana, e depois que os documentos estariam em formato eletrônico e finalizando com Fábio Egert não conseguindo encontrar o material, o procurador da prefeitura de Antônio Carlos, Sérgio Campos (Serginho) resolveu intervir enviando notificação de caráter extrajudicial para que o IPOL entregasse de vez os ditos formulários sem mais delongas.

Aqui um resumo da troca de mensagens entre Ozias e Fábio Egert a respeito da cronologia do “impasse”.

 

[09:22, 25/9/2018] Fabio Egert: Bom dia. Jurídico do IPOL ligou para o Serginho, solicitando informações se tinha havido uma denúncia.

Detalhe: isso já era um mês depois do episódio do encontro em Florianópolis, ocasião em que Rosângela afirmou que os formulários estavam sim na sede do IPOL. Mas espera aí. Os formulários são da prefeitura e não do dito instituto.

 

[12:45, 28/9/2018] Fabio Egert: Ligaram e colocaram os formulários à disposição para retirar. Vamos pegar na próxima semana.

 

[14:30, 4/10/2018] Fabio Egert: (Eles- do IPOL) Protocolaram uma resposta feita pela advogada deles, enrolando, para não entregar os formulários, colocaram junto fotos de caixas onde os supostos formulários estariam. Sergio enviou uma nova notificação para entregarem. Querem nos ganhar no cansaço.”

 

[12:52, 10/10/2018] Fabio Egert: Boa tarde. Pediram mais 15 dias para disponibilizar o material, só a advogada deles está respondendo.

 

 [16:34, 22/10/2018] Fabio Egert: Boa tarde. Falei com o Sérgio, prazo irá vencer esta semana. Cobrou hj à tarde novamente o dia da retirada do material.

 

[10:07, 29/10/2018] Fabio Egert: Me ligaram na sexta, agora pedindo mais prazo para tirar cópia dos formulários. Disse que a situação estava com o Sérgio.

 

Obs.: Não estamos entendendo. Como é que estão “pedindo mais prazo para tirar cópia dos formulários” se em 24 de agosto de 2018, conforme o vídeo que gravamos, o IPOL disse que tinha os “6 mil formulários” em forma eletrônica? A tal “forma eletrônica” não eram as cópias escaneadas dos formulários em papel? Era isso ou estou enganado? Não estou entendendo mais nada!!!

 

[10:12, 29/10/2018] Fabio Egert: Sérgio irá falar daqui a pouco com a advogada deles.

 

[09:07, 30/10/2018] Fabio Egert: Bom dia. Iremos pegar os formulários amanhã a tarde.

 

Bom! Ninguém está acusando ninguém de nada, mas estes são os fatos nus e crus. Repetindo: FATOS!

É inegável que, para conseguirmos ter acesso aos formulários do Censo Linguístico Hunsrückisch de Antônio Carlos, dois anos se passaram (2017-2018). Tivemos de enfrentar todos esses obstáculos para finalmente termos acesso a esses documentos que, se ninguém provar o contrário, são ou deveriam ser públicos.

 

  • ACREDITE SE QUISER! IPOL PROCESSA EDITOR DO JBFOCO POR ESTE “OUSAR PEDIR OS FORMULÁRIOS”

 

 

Ação que o IPOL tentou mover contra o JBFoco só porque solicitou acesso aos formulários do Censo Linguístico de Antônio Carlos. (Foto Reprodução)

 

Em 4 de outubro de 2018, pouco mais de um mês após o encontro de 24 de agosto, o IPOL ingressou com uma “queixa crime” contra o editor do JBFoco, Ozias Alves Jr., e o proprietário da TV em Foco, Carlos Wanderley Gomes da Silva, que filmou aquele evento de agosto.

No dia 24 de agosto de 2018, no Hotel Cecomtur, Centro, Florianópolis, durante um evento realizado pelo Querelante (I Encontro Regional o Inventário do Hunsrückisch), o Sr. Ozias, juntamente com o Sr. Carlos Wanderley, apresentando-se como jornalistas, ADENTRARAM AO EVENTO e lá permaneceram por, aproximadamente, duas horas. Neste meio tempo, o Sr. Carlos Wanderley passou a filmar as pessoas que lá estavam sem nenhum tipo de autorização de imagem das mesmas”, publicou a advogada do instituto.

INVADIRAM um evento que nada tinha a ver com o censo linguístico a que se referem, no qual passaram a abordar os convidados, dentre eles, o Prefeito de São Pedro de Alcântara, membros do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), uma das funcionárias do Querelante (Sra. Lívia), dentre outras diversas pessoas, fazendo afirmações caluniosas, difamatórias e injuriosas, com objetivo de denegrir a imagem da Instituição”, acusaram.

E no final da tal queixa-crime, arrolaram Fábio Egert como “testemunha de acusação” contra nós. Risos!!! Esqueceram que fomos a pedido dele para justamente registrar sua participação do evento.

Não vamos entrar em detalhes de uma história que já virou um romance. Está tudo filmado. Em nenhum momento, fizemos afirmações “caluniosas, difamatórias e injuriosas”. Ozias apenas, no final daquela manhã, pediu a palavra e perguntou a respeito da localização dos formulários do Censo Linguístico de Antônio Carlos. Aliás, este também foi o pedido de Fábio Egert. Por que também não o processaram por pedir exatamente os mesmos documentos?

Apenas isso: ter acesso aos ditos formulários. Mas o fazer essa pergunta tão simples foi, para o IPOL, uma ofensa tão grave que levou a instituição a querer processar o jornalista.

E a coisa não para por aí. Num trecho da queixa crime, o IPOL alegou: “Nestas oportunidades, a referida funcionária (referindo-se à secretária do dito instituto) sempre informou estar à disposição para recebê-los, e, que estes poderiam verificar pessoalmente, um a um, os cerca de 4.000 (quatro mil) questionários que se encontram armazenados em meio físico na sede”.

As gravações das tentativas de contato do JBFoco com o IPOL ao longo do ano de 2018 indicam o contrário. A dita secretária respondia que “Rosângela está em reunião”, “Ana Paula não está aqui” e “não sou autorizada a fornecer o telefone”.

Como dizia o falecido humorista Bussunda, “fala sério!!!” Na tentativa de argumentar qualquer coisa, o IPOL não hesitou em faltar com a mais elementar verdade dos fatos.

Bom!!! Deixa prá lá! A Justiça não aceitou a queixa-crime alegando justamente a falta de provas. Isso ocorreu em 8 de novembro de 2018.

 

  • IPOL ENTREGA FORMULÁRIOS DO CENSO À PREFEITURA DE ANTÔNIO CARLOS

 

Ofício expedido pelo IPOL em 31.10.2018 informando a entrega dos formulários para o funcionário da prefeitura de Antônio Carlos incumbido de buscá-los. (Foto Fábio Egert)

 

Foto tirada em 1º de novembro de 2018. Estes são os formulários entregues pelo IPOL. Segundo eles, são 4.451. (Foto Fábio Egert)

 

No dia 31 de outubro de 2018, finalmente o IPOL entregou os formulários para Édio Prim, funcionário da prefeitura de Antônio Carlos, a mando de Fábio Egert.

Ao todo, foram 4.451 formulários, conforme está registrado no termo de entrega.

Após dois meses e pouco e uma tentativa de processo contra o JBFoco, o IPOL finalmente entregou os documentos.

Na quarta-feira, 7 de novembro de 2018, o jornalista Ozias Alves Jr foi à prefeitura de Antônio Carlos para ver os tais formulários.

Ao lado de Fábio, tirou fotos das capas de alguns desses documentos, onde constam as datas das entrevistas, os nomes dos recenseadores, a identidade do entrevistados, seus endereços e datas de nascimento, entre outras informações.

“Tirei fotos de 50 formulários diferentes. Que fiz depois? Um pequeno “teste”. Visitei casas no centro de Antônio Carlos e na localidade de Santa Maria, interior daquele município, cujos donos constavam nos ditos formulários. Nos dias 7 e 10 de novembro de 2018 (quarta e sábado respectivamente), peguei uma amostra e consegui localizar 25 dos entrevistados desse censo naquela ocasião. O que descobri: a esmagadora maioria afirmou que “não se lembrava” ou “não deu entrevista” alguma para Censo Linguístico”, observa Ozias.

 

 

  • IPOL: POR QUE TANTO DESTEMPERO?

 

A defesa do IPOL é a seguinte, conforme antecipou na queixa-crime que tentou emplacar na justiça contra o jornalista Ozias dentro da famosa tática “a melhor defesa é o ataque” com o objetivo de intimidar: se houver algum problema na realização do Censo Linguístico de Antônio Carlos 2014-2016, a culpa não é do instituto. Conclusão lógica: a culpa será única e exclusivamente da prefeitura de Antônio Carlos.

O IPOL tem razão. Realmente esse instituto foi contratado para treinar os recenseadores e tabular estatisticamente os dados da pesquisa registrados nos formulários preenchidos pelos contratados da prefeitura. Não tem responsabilidade alguma na contratação dos recenseadores, a não ser treiná-los, e muito menos se eles realizaram ou não a íntegra do trabalho de coleta dos dados.

Se houve algum problema, foi dos recenseadores e o IPOL não tem nada a ver com isso.

Tudo bem! Está corretíssimo. Mas se não tem nada a ver com nada, por que o IPOL fez tantos obstáculos para que os formulários, que não lhe pertencem, não fossem entregues rapidamente à nova administração da prefeitura de Antônio Carlos?

Por que Fábio Egert teve de acionar a procuradoria do município para exigir a entrega dos documentos?

Por que o IPOL reagiu tão destemperadamente ingressando até com uma ação na justiça com inverdades sendo que o único “crime” que o jornalista Ozias fez foi pedir acesso aos formulários?

 

 

  • BASTOU TER ACESSO AOS FORMULÁRIOS PARA DESCOBRIR 42 ENTREVISTADOS QUE NÃO PARTICIPARAM DO CENSO

 

Conforme o leitor percebeu, foram dois anos de investigação. Só conseguimos ir em frente nessa averiguação depois que tivemos acesso finalmente aos formulários do Censo Linguístico, pois antes não tínhamos a mínima ideia de quem havia sido entrevistado.

Rosângela Morello, presidente do IPOL, em vez de ficar quieta, entregar os documentos solicitados que não lhe pertenciam e não criar obstáculos, insistiu que “tinha entregue os documentos” e que “estavam no CD”, o que não era verdade, pois o arquivo eletrônico não fornecia a principal informação: os nomes e os endereços dos entrevistados. Simples assim.

Uma vez tendo acesso aos formulários (com autorização de Fábio Egert, autoridade municipal), fotografei e recebi fotocópias de uma amostra das capas dos formulários, onde consta a identificação dos entrevistados.

O IPOL insiste em afirmar que os entrevistados não podem ser “identificados”.

Mas espera aí… Como é que o jornal vai investigar se as pessoas foram realmente entrevistadas se não tiver acesso aos seus nomes e endereços? Se não é necessário identificar os entrevistados, tal como acontece em pesquisas eleitorais, então por que o Censo os identificou? Não é uma contradição?

Ao querer investigar se realmente as pessoas foram entrevistadas num censo PAGO COM DINHEIRO PÚBLICO, o jornal Biguaçu em Foco cometeu um crime?

Não vamos ficar discutindo obviedades. O fato é que conseguimos localizar 46 pessoas desse Censo e é espantoso que 42 “não se lembram” ou dizem “não fui entrevistado”.

É verdade que uma, duas, cinco pessoas podem esquecer o fato de que três ou quatro anos atrás foram entrevistadas para um Censo Linguístico, mas É IMPOSSÍVEL que 42 pessoas de várias faixas etárias simplesmente possam sofrer de “amnésia coletiva”. O povo de Antônio Carlos é um bando de gente esquecida?

 

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  • CIDADÃOS CUJOS NOMES CONSTAM COMO “OUVIDOS” NO DITO CENSO

 

Aqui os depoimentos dos cidadãos, cujos nomes constam nos formulários, que NÃO se lembram ou dizem que NÃO foram entrevistados pelo Censo Linguístico. Convém lembrar que filmamos todos os depoimentos e gravamos dois em áudio. Após o nome, entre parênteses, estão mês e ano de nascimento dos entrevistados.

 

  • Maria Salete Ludvig Dias

  

Maria Salete Ludvig Dias. (Foto Reprodução JBFoco)

 “Eu não me lembro (de ter sido entrevistada). Pode ser, mas não sei”.

Maria Salete Ludvig Dias (07/1944), centro de Antônio Carlos, teria sido entrevistada em 07/10/2015 pela recenseadora Romilda Lucca.

  • Terezinha Ludvig

Terezinha Ludvig. (Foto Reprodução JBFoco)“Eu não me lembro”.

Terezinha Ludvig (06/1947), moradora do centro de Antônio Carlos, teria sido entrevistada em 08/10/2015 por Romilda Lucca.

  • Chirle de Amorim Silveira

 

Chirle de Amorim Silveira. (Foto Reprodução JBFoco)

 

Não me lembro. Que eu me lembre, não”.

Chirle de Amorim Silveira (10/1966), centro, Antônio Carlos, teria sido entrevistada em 07/10/2015 pela recenseadora Romilda.

 

 

  • Leonice dos Santos Amorim

 

Leonice dos Santos Amorim. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não (fui entrevistada). Não me lembro. Conheço Romilda, mas não me lembro (disso/do Censo”.

Leonice dos Santos Amorim (1/1962), do centro de Antônio Carlos, teria sido “entrevistada” pela recenseadora Romilda.

 

  • João Graciliano da Silveira

  

João Graciliano da Silveira. (Foto Reprodução JBFoco)

“Não (fui entrevistado). Essa Romilda já ouvi falar”. 

João Graciliano da Silveira (09/1929), morador do centro de Antônio Carlos, em 8 de outubro de 2015 teria dado entrevista à recenseadora Romilda.

 

  • Lígia Junckes de Oliveira

 

Lígia Junkes de Oliveira. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não, não me lembro de ter sido (entrevistada)”.

 Lígia Junkes de Oliveira (08/1995), moradora de Santa Maria, teria sido entrevistada em 11.05.2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

….

Rosélia Terezinha Junkes de Oliveira

 

Rosélia Terezinha Junkes de Oliveira. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não me lembro. Só se faz muito tempo (que isso aconteceu) porque eu não me lembro”.

 

Rosélia Terezinha Junkes de Oliveira (09/1963), moradora de Santa Maria, teria sido entrevistada em 11.05.2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

  • Vilma Richartz

 

Vilma Richartz. (Foto Reprodução JBFoco)

Não me lembro. Três anos atrás? Não me lembro”.

Vilma Richartz (06/1953), moradora de Santa Catarina, teria sido entrevistada em 11.05.2015 por Fernando Dzubuk.

 

 

  • Edcarla Kretzer Hillenshein

 

Edcarla Kretzer Hillenshein. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Eu não lembro” (de ter sido entrevistada).

Edcarla Kretzer Hillenshein (06/1984), moradora de Santa Maria, teria sido entrevistada em 11.05.2015 por Fernando Dzubuk.

 

….

 

  • Josilene Irene Geuser (Guesser)

Josilene Irene Guesser. (Foto Reprodução JBFoco) 

“Não recebi (visita de recenseador). Não recebi nada aqui”. 

 

Josilene Irene Geuser (sobrenome com erro de grafia: o correto é Guesser) (01/1987), moradora de Santa Maria, teria sido entrevistada em 11.05.2015 por Fernando Dzubuk.

 

….

 

  • Diogo Antônio Egert

 

Diogo Antônio Egert. (Foto Reprodução JBFoco)

 

 “Não me recordo. Pelo menos, eu não me recordo”.

Diogo Antônio Egert (07/1989), morador de Santa Maria, teria sido entrevistado em 11.05.2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

 

  • Nicodemus Egert

 

Nicodemus Egert. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Olha. Eu não tenho a mínima ideia. Não sei. Pode até ser, mas acho que não. Não me lembro”.

 

Nicodemus Egert (06/1953), morador de Santa Maria, teria sido entrevistado em 11.05.2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

 

  • João Pedro Egert

  

João Pedro Egert. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não (fui entrevistado). Não lembro de nada”

 

João Pedro Egert (03/1952), morador de Santa Maria, teria sido entrevistado em 11.05.2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

  • Juliana de Sousa Egert

 

Juliana de Sousa Egert. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não lembro de ter sido entrevistada”.

Juliana de Sousa Egert (02/1986), moradora de Santa Maria, teria sido entrevistada em 14.05.2015 por Fernando Dzubuk.

  • Alcésia Maria Schmitz Guesser

 

Alcésia Maria Schmitz Guesser. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não me lembro. Eu não”.

Alcésia Maria Schmitz Guesser (02/1960), moradora de Santa Maria,  teria sido entrevistada em 11.05.2015 por Fernando Dzubuk.

 

  • Maria Saleti (Kuhn Zimmermann)

 

Maria Saleti Kuhn Zimmermann. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não (fui entrevistada). Acho que não”.

Maria Saleti Kuhn Zimmermann. Este é o nome completo da agricultora que mora na rua Antônio P. Scherer, s/nº, em Santa Maria.

No entanto, no formulário foi identificada apenas como “Maria Saleti” e que nasceu em “abril de 1962”. Mas na realidade, Maria Saleti nasceu em “maio de 1964”.

Para não haver erros de identificação, o Censo teria de registrar o nome exato. Oportuno lembrar que “Saleti” não é sobrenome e não existe família Saleti no local.

Segundo moradores, não há outra “Maria Saleti” na região além de “Maria Saleti Kuhn Zimmermann”. Portanto, a “Maria Saleti” registrada no censo só pode ser esta, que teria sido entrevistada por Fernando Dzubuk em 14 de maio de 2015.

 

 

  • Válter Assis Guesser

 

 

Válter Assis Guesser. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não (fui entrevistado)

 

Válter Assis Guesser. O censo informa que entrevistou “Válter Assis Guesser”, morador da rua Antônio P. Scherer, s/nº, em Santa Maria, nascido em outubro de 1990.

A reportagem localizou na citada rua um Válter Assis Guesser, mas a data de nascimento é outubro de 1989.

Segundo o formulário, Válter teria sido entrevistado em 14 de maio de 2015 por Fernando Dzubuk.

 

 

 

  • Selso João Guesser

 

Selso João Guesser. (Foto Reprodução JBFoco)

 

 “ Não, não” (fui entrevistado).

 

Selso João Guesser (12/1940), morador de Santa Maria, teria sido entrevistado em 14.05.2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

 

  • Valdecir José Guesser

 

 

Valdecir José Guesser. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não. Não fui” (entrevistado)

 

Valdecir José Guesser. No formulário, consta que ele nasceu em janeiro de 1994. Na realidade, o ano exato é 1974. Houve um erro de anotação. O endereço de Santa Maria coincide. Valdecir teria sido entrevistado em 14.05.2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

 

 

  • Viviane Guesser

 

Viviane Guesser. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não fui entrevistada. Tenho certeza que não fui entrevistada”.

Viviane Guesser (01/2000). Algumas observações: no formulário de Viviane, moradora de Santa Maria, seu nome foi escrito como “Viane” em caneta preta.

A data do formulário (14/05/2015) aparece em caneta preta. Mas embaixo, o nome do recenseador e o endereço da suposta entrevistada já aparecem em caneta azul, indicando informações colocadas a posteriori.

  • Ediorge Antônio Wilvert

 

Ediorge Antônio Wilvert. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Que eu me lembre, não. Não fui. (entrevistado)

Ediorge Antônio Wilvert (08/1991), de Santa Maria, teria sido entrevistado em 11.05.2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

  • Eneo José Wilvert

 

Eneo José Wilvert. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não.” (fui entrevistado)

 

Eneo José Wilvert (04/1964), morador de Santa Maria, teria sido entrevistado em 11.05.2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

 

  • João Pedro Kerich

 

 

João Pedro Kerich. (Foto Reprodução JBFoco)

 

 “Eu não lembro. Ela pode até ter entrevistado, mas não me lembro. Pode ser que ela não entrevistou nós.”

 

João Pedro Kerich. No formulário está escrito que João teria nascido em 12/1960, quando o ano correto é 1958.

Morador de Canudos, interior de Antônio Carlos, João Pedro teria sido entrevistado pela recenseadora Maristela em 1º de abril de 2015.

 

  • João Fedolino Kerich

 

 

João Fedolino Kerich. (Foto Reprodução JBFoco)

 Eu não tenho lembrança. Pode ser que foi, mas não me lembro mais. Não tenho lembrança.”

João Fedolino Kerich (05/1932), morador de Canudos, teria sido entrevistado pela recenseadora Maristela em 1º de abril de 2015.

  • Zelita Junckes Müller

 

Zelita Junkes Müller. (Foto Reprodução JBFoco)

 

 

“Não fui.” (entrevistada). Não apareceu aqui (o Censo). Tenho certeza disso”.

 

Zelita Junkes Müller (04/1982), de Santa Barbara, teria sido entrevistada em 8 de junho de 2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

 

  • Irleia Maria Schmitz Müller

 

Irleia Maria Schmitz Müller. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Se fui, não lembro. Não lembro”.

 

Irleia Maria Schmitz Müller (11/1977), de Santa Bárbara, teria sido entrevistada em 8 de junho de 2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

  • Karen Jacinto Piffern Rangel

 

Karen Jacinto Piffern Rangel. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não cheguei a responder nada sobre isso aqui (Censo). Eu não me recordo de ter falado sobre isso. (dado entrevista para o Censo Linguístico)

 

Karen Jacinto Piffern Rangel (06/1992), moradora da Santa Bárbara, teria sido entrevistada em 9 de junho de 2015 por Fernando Dzubuk.

 

 

  • Anselmo Müller

 

Anselmo Müller. (Foto Reprodução JBFoco)

 

 

“Olha, não me lembro de ter sido entrevistado. Até é possível, mas não me recordo”.

 

Anselmo Müller (04/1953), residente em Santa Bárbara, teria sido entrevistado em 8 de junho de 2015 por Fernando Dzubuk.

 

 

 

  • Arnoldo Freitas

 

 

Arnoldo Freitas. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não se lembro. Se eu fui entrevistado, não me lembro. Maristela (me entrevistou?) Não me lembro. Tenho boa memória.”

 

Arnoldo Freitas (12/1940), morador de Canudos, teria sido entrevistado pela recenseadora Maristela em 1º de abril de 2015.

 

 

  • Aurino Cardoso

 

 

Aurino Cardoso. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não me lembro. Não, não, não me lembro.”  (de ter dado entrevista)

 

Aurino Cardoso (no formulário, está escrito “Aurin”) ( 05/1948), morador em Guiomar, teria sido entrevistado em 15 de abril de 2015 por Fernando Dzubuk.

 

 

  • Cleunir Teresinha Junkes Cardoso

 

Cleunir Teresinha Junkes Cardoso. (Foto Reprodução JBFoco) 

“Não me lembro disso aí, não. Eu trabalhava o dia inteiro. Não me lembro não.” (de ter dado entrevista)

 

Cleunir Teresinha Junkes Cardoso (03/1958), moradora de Guiomar, teria sido entrevistada em 15 de abril de 2015 por Fernando Dzubuk.

 

 

….

 

  • Daiana Cristina Weber

 

 

Daiana Cristina Weber. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não lembro. Eu realmente não lembro.” (de ter dado entrevista)

 

Daiana Cristina Weber (01/1990), moradora de Canudos, teria dado entrevista para a recenseadora Maristela de Oliveira de Souza em 1º de abril de 2015.

 

 

  • Daiana Cristina Wilbert

 

 

Daiana Cristina Wilbert. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não que eu me lembre. Acho que não. Maristela me entrevistou? Não me lembro. Eu não fui entrevistada não”.

 

Daiana Cristina Wilbert (05/1996), moradora de Canudos, teria dado entrevista para a recenseadora Maristela em 1º de abril de 2015.

 

 

  • Ivanildo Fazan

 

Ivanildo Fazen. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não, não me lembro.”  (de ter sido entrevistado pelo Censo)

 

 

Ivanildo Fazen (09/1968), de Canudos, teria sido entrevistado pela recenseadora Jeniffer Garcia em 6 de abril de 2015.

 

 

  • José Cardoso

 

 

 

“Eu não fui entrevistado.”

 

José Cardoso (03/1948) (No censo, está escrito 1950, um erro), morador de Guiomar, que teria sido entrevistado em 15 de abril de 2015 pelo recenseador Fernando Dzubuk.

 

 

  • Lucas Carlos Pitz

 

 

Lucas Carlos Pitz. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não me lembro de nada.”

 

Lucas Carlos Pitz (05.2002), segundo o Censo teria sido entrevistado em 1º de junho de 2015. O problema é que no formulário, o nome do recenseador não aparece.

Por quê? Ao que parece, o nome do/a recenseador/a iria ser colocado depois, tal como aconteceu com o formulário de Viviane Guesser (nasc.01.2000), onde a data aparece em caneta prata e o nome do recenseador e do endereço foram acrescentados em caneta azul, o que demostra que tais informações foram colocadas a posteriori.

Não teria acontecido igual no formulário de Lucas Carlos Pitz? Aliás, os dados de Lucas foram computados no Censo sem o nome do recenseador?

Por vias das dúvidas, a reportagem entrevistou Lucas.

 

  • Lucelene Schwamba (Entrevista foi realizada por telefone/ áudio)

 

 

 

“ Eu acredito que não fui. (entrevistada). Não, não fui não. Eu nem estaria em casa. Em 2015, eu estaria em Biguaçu. Se eu tivesse dado entrevista, eu me lembraria”.

 

Lucelene Schwamba (10/1996) (no censo, consta 1997, um erro. Também no formulário está errado o número da casa), moradora de Santa Bárbara, supostamente entrevistada pelo recenseador Fernando Dzubuk em 9 de junho de 2015.

 

 

  • Lucério Antônio Hoffmann

 

 

 

“Não dei (entrevista). Não me lembro. Não dei entrevista prá ninguém”.

 

Lucério Antônio Hoffmann (nasc. 02.1976), morador de Santa Maria, teria concedido entrevista ao recenseador Fernando Dzubuk em 30 de maio de 2015.

 

 

  • Marester Baumgarten Pauli (entrevista em áudio)

 

Marester Baumgarten Pauli. (Foto Reprodução JBFoco)

 

 

“Olha, não lembro. Não consigo lembrar. Não, não consigo lembrar se fui ou não fui.” (entrevistada).

 

Marester Baumgarten Pauli (08/1962), moradora do centro de Antônio Carlos, teria sido entrevistada em 9 de maio de 2016 pela recenseadora Ana Paula Piccoli.

 

 

  • Rainilde Schmitt Kerich

 

 

Rainilde Schmitt Kerich. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não.” (dei entrevista) (Obs.: No vídeo, dª Rainilde, 82, após dizer “não”, passou a responder as outras perguntas sobre se foi entrevistada pelo Censo fazendo movimento com a cabeça no sentido de “não”. Também fez o mesmo gesto quando foi indagada se ela se lembrava se tinha sido entrevistada por uma senhora chamada Maristela. Também fez o sinal de “não” com a cabeça. Dª Rainilde é uma senhora muito idosa).

 

Rainilde Schmitt Kerich (06/1936), de Canudos, teria sido entrevistada em 01/04/2015 pela recenseadora Maristela de Oliveira de Souza.

 

 

  • Susana Constante

 

Susana Constante. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não fui.” (entrevistada). Tenho boa memória”.

 

Susana Constante (07/1984), de Canudos, teria sido entrevistada pela recenseadora Maristela em 01/04/2015.

 

 

  • Tânia Catarina Guesser Schmitt

 

 

Tânia Catarina Guesser Schmitt. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Não lembro. Que eu fui entrevistada, não me lembro”.

 

Tânia Catarina Guesser Schmitt (11/1959), do centro de Antônio Carlos, teria sido entrevistada em 23 de dezembro de 2015 pela recenseadora Ana Paula Piccoli.

 

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Aqui os depoimentos dos cidadãos cujos nomes constam nos formulários que confirmaram haver sido entrevistados pelo Censo Linguístico

 

 

  • Greci de Amorim de Abreu

 

 

Greici de Amorim Abreu. (Foto Reprodução JBFoco)

 

Sim, fui entrevistada.” (pelo Censo Linguístico)

 

 

Greicy de Amorim Abreu (09/1986), centro, Antônio Carlos. Recenseadora Romilda Lucca. Data da entrevista: 08/10/2015.

 

 

  • Ivan Carlos de Amorim

 

 

Ivan Carlos de Amorim. (Foto Reprodução JBFoco)

 

“Fui entrevistado numa pesquisa relacionada à língua alemã”.

 

Ivan Carlos de Amorim (11/1972), centro, Antônio Carlos. Entrevistado pela recenseadora Romilda em 07/10/2015.

 

03) Euclélia Müller

 

Euclélia Müller. (Foto Reprodução JBFoco)

 

Sim, eu dei entrevista,”

 

 

Euclélia Müller (02.1975), moradora em Santa Bárbara, confirma que concedeu entrevista em 8 de junho de 2014 para o recenseador Fernando Dzubuk.

 

 

04) Cristiana Gelsleichter (Apenas em áudio, entrevista feita pelo interfone)

 

Cristiana Gelsleichter. (Foto Reprodução)

 

“Sim, isso. Eu dei entrevista”.

 

Cristiana Gelsleichter (03/1982), do centro de Antônio Carlos, concedeu entrevista à recenseadora Ana Paula Piccoli em 9 de maio de 2016.

 

….

 

 

 

 

  • MISTÉRIOS DO CASO

 

 

  • Qual o número de “Formulários vazios”?

 

 

Caixas de formulários vazios do censo encontradas no depósito da prefeitura de Antônio Carlos. (Foto Ozias Alves Jr)

 

Empenho de abril de 2015 em que a prefeitura de Antônio Carlos compra 5 mil formulários para o Censo Linguístico. (Foto Reprodução)

 

Compra de 400 manuais de 16 páginas. Como o formulário do censo tem 16 páginas, esses manuais também são formulários? (Foto Reprodução)

 

Conforme já visto, ao todo foram 4.451 formulários que o IPOL afirma ter entregue à prefeitura de Antônio Carlos. Esse número contrasta com o que consta no relatório final do Censo, que é 4.393 formulários aplicados.

Tudo bem! Vamos trabalhar com o número 4.493 formulários aplicados, seguindo a informação do relatório do Censo.

O chefe de gabinete, Fábio Egert, pesquisou na Secretaria de Finanças e só encontrou um único empenho, o de nº 1.022, datado de 6 de abril de 2015, ocasião em que foram adquiridos 5.000 (cinco mil) formulários do Censo Linguístico, no valor de R$ 6.390,00.

Egert também encontrou outro empenho, o de nº 814, de 17 de março de 2015, ocasião em que a Prefeitura de Antônio Carlos adquiriu “400 manuais de 16 páginas para coleta de dados do Censo”. São também formulários dessa pesquisa?

Depois não encontrou mais nada.

A questão é: no depósito da prefeitura foram encontradas 11 caixas de formulários vazios, sendo que uma, a 12ª, foi jogada fora por haver sido atingida por uma enchente em dezembro de 2017, segundo afirmou Édio Prim, 37, funcionário da Secretaria de Educação e Cultura, em entrevista ao JBFoco em 12 de fevereiro de 2018.

Infelizmente a prefeitura não fez a contagem do número de formulários vazios nem informou a quantidade exata de formulários que cabem em cada caixa. É preciso fazer essa contagem para verificar se os números conferem.

 

  • Quem é o recenseador “voluntário” Fernando Raul Dzubuk?

 

 

Matéria de 2015 publicada pelo jornal Notícias do Dia em que fotografaram o recenseador Fernando Dzubuk,  que não recebeu remuneração por seu trabalho. (Foto Reprodução site jornal Notícias do Dia)

 

 

Conforme já dito, foram 4.393 cidadãos “entrevistados” no Censo Linguístico. Analisando os relatórios de pagamento, cinco recenseadores teriam feito 3.510 formulários. Portanto, faltam 883 formulários.

Mas aqui não foi incluído o sexto pesquisador dessa equipe, que se chama Fernando Raul Dzubuk.

O intrigante foi que, segundo os dados da prefeitura, Dzubuk não recebeu um tostão pelo seu serviço prestado em 2015 no Censo Linguístico, supondo-se que ele tenha sido um “voluntário”, conforme o registro.

Entre os 4.451 formulários entregues pelo IPOL, há uma infinidade deles com a identificação de Fernando Dzubuk.

Infelizmente a prefeitura de Antônio Carlos ainda não contou os formulários preenchidos entregues pelo IPOL. Nessa contagem, é necessário verificar o número exato de formulários preenchidos por Dzubuk.

Mas o mistério é: Dzubuk fez 883 entrevistas gratuitamente? Por que ele não recebeu pelos seus serviços? E se recebeu, por que os registros contábeis da prefeitura não registraram seu pagamento?

Aliás, quem é esse senhor Fernando Dzubuk? Por que resolveu fazer esse trabalho voluntário? Fábio Egert não o conhece nem descobriu quem pudesse informá-lo onde mora esse recenseador.

Tentando descobrir quem era o sr. Dzubuk, Egert encontrou uma reportagem do jornal Notícias do Dia de 30 de maio de 2015, assinada por Letícia Mathias e intitulada “Língua de Origem Alemã pode ser incluída na grade curricular dos alunos de Antônio Carlos”, onde foi publicada uma foto do citado Dzubuk, que a repórter registrou como “Fernando Futryk”, tal como soou aos ouvidos dela esse sobrenome certamente de origem polonesa.

Coincidência ou não, a maioria dos moradores que teriam sido “entrevistados” por Dzubuk afirma que “não se lembra” de ter respondido a esse Censo.

 

 

  • Afinal de contas, qual o número exato de formulários?

 

Pelo termo de entrega, o IPOL afirma que foram 4.451 formulários, mas o número de entrevistados que constam no censo foi 4.393. A diferença é de 58 formulários.

Por que essa diferença?

Infelizmente, a Prefeitura de Antônio Carlos não checou o número de formulários preenchidos entregues pelo IPOL para verificar se nesse conjunto há 58 formulários vazios.

Sendo um trabalho “científico”, os números têm de “encaixar”. Do contrário, abre espaço para dúvidas.

 

  • IPOL exigiu que os recenseadores assinassem “Termo de Responsabilidade e Confidencialidade”. Para quê?

 

 

Termo de Responsabilidade e Confiabilidade que o IPOL fez os recenseadores assinarem. (Foto Reprodução)

 

 

Na página 21 do manual do recenseador, consta um “Termo de Responsabilidade e Confidencialidade”.

Nesse termo, os recenseadores se comprometeriam a não divulgar qualquer informação do dito censo, não gravar nem guardar cópia dos questionários preenchidos e não repassar informação alguma sobre as entrevistas.

Nada contra, mas espera aí. Não se trata de uma pesquisa sobre sexo, por exemplo, em que os pesquisadores façam perguntas íntimas como “você trai o marido?”, “já teve relações sexuais quantas vezes?” etc.

O Censo Linguística era sobre se o cidadão falava o “dialeto” alemão hunsrückisch. Apenas sobre idioma. Por que uma enquete sobre línguas deve ser tratada como uma coisa tão secreta?

 

 

  • Resultado do Censo

 

 

Qual foi o resultado do dito “Censo” feito pela metade? Sim, era para toda a população do município ser entrevistada, mas não foi.

O resultado do Censo foi o seguinte: entre falantes de “português e alemão daqui”, “português e dialeto”, “português e hunsrückisch”, “alemão daqui”, “dialeto”, “hunsrückisch” (que mixórdia é essa?), os números são respectivamente os seguintes: 477, 4, 155, 106, 3, 252= 997 (total).

Entre os 4.393 entrevistados, 997 disseram que falam “dialeto” ou “alemão daqui”, se é que entendi a metodologia da pesquisa.

 

  • Gastaram R$ 47 mil dos R$ 100 mil liberados só para isso?

 

 

Esta apostilinha foi o resultado do Censo Linguístico de Antônio Carlos. (Foto Ozias Alves Jr)

 

Relatório do Censo. Apesar da capa bonitinha, só tem 66 páginas, literalmente uma brochurinha. (Foto Reprodução)

 

 

Foi gasta uma fortuna só para isso? A prefeitura de Antônio Carlos teve de devolver R$ 53 mil, mas e os outros R$ 47 que foram gastos? Para umas apostilinhas e umas caixas de formulários jogados no depósito?”, observou Fábio com indignação.

A questão é: para que serviu esse relatório? Em que as informações são úteis? Os R$ 100 mil não poderiam ter sido gastos num projeto mais prático?

Por outro lado, relembrando: o procurador Serginho tem uma dúvida: a Prefeitura de Antônio Carlos não deveria ter aberto uma licitação de abrangência estadual ou nacional em 2014 para contratar alguma empresa para promover esse censo? Não teria custado mais barato? A empresa não seria responsável pela contratação pelos recenseadores, tirando esse fardo da prefeitura?

São questões a responder.

 

  • Como é que o IPOL não exigiu a inclusão da assinatura dos entrevistados?

 

Primeira página do formulário de 16 folhas do Censo Linguístico. (Foto Reprodução)

 

Formulário Pág. 16. Última página. Como visto, o espaço em branco não foi aproveitado para os recenseadores pegarem as assinaturas dos entrevistados. (Foto Reprodução)

 

 

O leitor já teve a oportunidade de dar entrevista para o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)?

Ao final da entrevista, o entrevistado deve assinar o formulário do recenseador. Sim, no final do documento, há um espaço para a assinatura do entrevistado.

Por que isso? É um comprovante de que você realmente, no dia tal, concedeu entrevista para o recenseador fulano de tal. Por outro lado, essa assinatura é a prova do recenseador de que prestou o serviço.

Por que se pega assinatura? Porque se o entrevistado ou qualquer outra pessoa alegar que não deu entrevista, basta pegar o formulário e verificar a assinatura. Se houver dúvida, submete-se a rubrica a uma perícia grafotécnica. E se essa disser que não confere, temos aí a prova irrefutável de irregularidade. Afinal de contas, derrubar laudo de perito só com o de outro perito.

Os formulários do Censo Linguístico da Língua Hunsrückisch de Antônio Carlos (2014-2016) tinham 16 (DEZESSEIS) páginas, inclusive com um generoso espaço vazio na última folha. Alegar que “faltou espaço” não é nem pode ser desculpa.

Mas o IPOL, que certamente elaborou as perguntas do dito formulário, não reservou um espaço nem orientou os recenseadores a recolherem a assinatura do entrevistado. Analisando bem, isso é um absurdo!

Não se trata de pesquisa eleitoral onde não se deve identificar o entrevistado. É uma pesquisa cultural inédita sobre quantos cidadãos ainda são falantes do “dialeto” alemão em Antônio Carlos.

Se as pessoas nesse censo já eram identificadas (nome, endereço, sexo, data de nascimento, religião, cor da pele etc., conforme constava no formulário da pesquisa linguística), por que não finalizar a pesquisa com a assinatura dos entrevistados? Não é isso estranho?

São 16 páginas de perguntas. Não é uma entrevista relâmpago. Perde-se algum tempo para aplicar toda a pesquisa. E no final, não seria problema algum recolher a assinatura do entrevistado. Por que não fizeram isso?

Pois bem! Essa pequena “mancada” deixou os recenseadores numa situação bem delicada. Quando aparece algum depoimento em que o entrevistado alega não ter sido ouvido no censo, os recenseadores poderiam acessar os formulários e mostrar que as pessoas assinaram. É a sua comprovação, a prova de que fez o serviço.

O problema é que não tem. E agora?

Por que o IPOL, que se apresenta como experiente no ramo das pesquisas linguísticas, não acrescentou a coleta das assinaturas no Censo de Antônio Carlos? Ou vai querer jogar a responsabilidade dessa “mancada” para a prefeitura? Só falta isso…

 

POST SCRIPTUM

 

Fábio Egert: In Memoriam. (Foto Divulgação)

 

 

Esta reportagem estava sendo finalizada na manhã de segunda-feira (11/03/2019) quando recebemos a notícia da morte de Fábio Egert, vítima de leucemia, doença que ele havia descoberto apenas um mês antes.

Fábio foi fundamental para a investigação desse caso como também na orientação da mesma.

Na última vez que conversei com Fábio, tínhamos combinado que, após o seu tratamento de saúde, iríamos combinar a data do lançamento, em Antônio Carlos, do livro de minha autoria intitulado “Língua Hunsrück: Introdução à História, Gramática e Cultura do Idioma Alemão mais antigo do Brasil”, que imprimi em dezembro do ano passado. Numa das fotos da capa, estava estampada a foto de Fábio, cuja história também tinha relação íntima com a do idioma em questão. No final da obra, detalhei a história da investigação sobre o Censo Linguístico em que Fábio teve papel fundamental.

Não temos palavras com relação a essa notícia tão triste. Afinal de contas, Fábio só tinha 43 anos de idade. Tinha ainda muita vida pela frente. Lamentável!

Fábio, descanse em paz! Que Deus e os Anjos iluminem seu caminho!

 

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