No nosso site, divulgamos a notícia na terça-feira desta semana (26/03) sobre a prisão de um cidadão de 50 anos de idade acusado de ter praticado estupro.

O fato ocorreu em 15 de março deste ano às margens de uma rua aparentemente deserta no bairro Figueira, no município de Gaspar. Foi em plena luz do dia, aparentemente no final da manhã ou no início da tarde.

O crime teria passado despercebido se não fosse um cidadão que gravou a cena pelo seu celular. Aliás, todo mundo hoje em dia tem um celular na mão com uma câmera acoplada.

E o cidadão em questão gravou toda a cena e, com o objetivo talvez de ficar “famoso” nas redes de whattsApp, postou o “filme”.

 

GRAVAÇÃO

Tivemos acesso à filmagem. A cena foi filmada ao longe, discretamente. O cinegrafista ficou mudo completamente. Nem sua respiração era ouvida.

Mostra uma cena de sexo em plena rua, mas não é possível ver genitálias nem nudez. Não é um vídeo pornográfico explícito, apesar de ser sexo.

Não é também possível distinguir o rosto do homem. Já a mulher nem aparece nas imagens gravadas a uma distância realmente considerável.

Aparentemente foi uma cena de sexo ao ar livre. O cidadão estava passando pelo local, viu a inusitada cena, parou e resolveu gravar para mostrar aos amigos. E foi o que fez.

 

Filmagem foi feita a considerável distância. (Foto Reprodução)

 

Cena do vídeo do estupro cometido em Gaspar. (Foto Reprodução)

 

Assistindo ao vídeo, realmente a impressão é a de que era algum casal maluco resolvendo realizar a fantastia de fazer sexo em lugar público. (Foto Reprodução)

 

Por filmar essas cenas e jogar nas redes de whatsApp, cidadão está sendo procurado pela polícia. (Foto Reprodução)

REPERCUSSÃO

A impressão que dá as imagens foi a de que um cidadão resolveu manter relações sexuais no meio de uma rua de uma região deserta e que o casal praticou o ato sem temer ser flagrado por eventuais transeuntes.

Como diz o ditado, “nem sempre o que parece ser, é”. Parece sexo movido por fantasia de praticar o ato num lugar público, mas não foi, pois a vítima, a mulher, teria registrado queixa depois na delegacia e indicado o local do ocorrido.

Como apareceu o dito vídeo nas redes de whatsApp, materializou-se a prova do crime, pois o filme coincidia com o relato da vítima, isto é, na data, no local e na hora.

Apesar de não ser possível identificar o homem que aparece nas imagens (em nenhum momento seu rosto aparece), os policiais conseguiram identificá-lo e, para complicar o lado dele, o dito cujo já tinha duas passagens por crimes sexuais, sendo que a última foi uma acusação de ter mantido relações sexuais com uma menina de apenas nove anos de idade.

 

“CINEGRAFISTA”

Tudo indica, se ninguém provar o contrário, que o cidadão que fez as imagens a uma boa distância do local onde estava havendo a cena de sexo tenha apenas feito isso: filmar pensando que era apenas um casal “maluco” e mais nada.

Mas o cinegrafista passou a ser acusado de ser “cúmplice” do estuprador, isto é, eles teriam combinado: “eu vou estuprar e você filma”.

Na realidade, tal teoria, que saiu nas redes sociais, não resiste a alguns detalhes básicos: 1) a filmagem foi feita de longe, de considerável distância, e as imagens são ruins, 2) se o objetivo era registrar o ato sexual, o “filme” não alcançou esse objetivo, pois as imagens são, como dito antes, péssimas e 3) se o objetivo era filmar com a maior nitidez possível o ato sexual, certamente o cinegrafista tinha de filmar de perto, o que não aconteceu.

Dito tudo isso, a tese de que o “cinegrafista” era “cúmplice” do estuprador, não resiste minimamente, salvo se aparecerem novas provas provando o contrário.

 

INCOMODAÇÃO

O “cinegrafista” está passando maus bocados, pois, segundo o noticiário, está sendo procurado pela polícia e, justamente, é questionado se não foi “cúmplice” do crime.

Afinal de contas, como estava havendo um estupro, por que o cinegrafista não partiu para cima do estuprador para salvar a vítima?

Vamos dar um exemplo: se um casal resolvesse fazer sexo no meio do terminal de ônibus TICEN, no centro de Florianópolis, não haveria alguns populares que, antes da chegada da polícia, sacariam seus smart phones para filmar a inusitada cena e essas imagens não iriam circular imediatamente nas redes sociais? Esses “cineastas” seriam acusados de “cúmplices” do ato?

Com esse exemplo, não poderíamos concluir que o “cinegrafista” de Gaspar teve exatamente a mesma reação, mesmo em circunstâncias diferentes, isto é, pensou que se tratava de sexo de casal maluco e não num estupro?

 

CONCLUSÕES

O que podemos concluir dessa história toda?

Em primeiro lugar, chamou a atenção a reação dos internautas que leram esta notícia nas redes sociais. Eles urravam por “pena de morte”.

Nada contra. Realmente o estupro é um dos crimes mais revoltantes que tem. Mas a raiva também voltou-se contra o “cinegrafista”, que também deveria, segundo eles, ir para o cadafalso. Porém, conforme vimos, tudo indica que o “cineasta”, na realidade, não sabia a circunstância daquela filmagem. Talvez ele pensava que estava “arrombando”, mas acabou “arrombando-se”.

A conclusão que tiramos é a seguinte: 1) cuidado com os seus “flagrantes”. Jogar nas redes sociais qualquer filmagem pode render boas dores de cabeça, pois nunca se sabe o que pode acontecer e 2) pena de morte é “interessante”, mas sempre tem o risco de inocentes pagarem por crimes que não cometeram ou foram mal interpretados.

A discussão é complexa, mas é preciso discutir.

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