A rua Firmino V. Bernardino, uma transversal da avenida Francisco Roberto da Silva, a entrada norte do bairro Praia João Rosa, Biguaçu, é bem pequena. Talvez não tenha mais do que 300 metros de extensão.Nesta rua residencial pacata como muitas em Biguaçu, está sendo atualmente construído um imponente edifício de 12 andares.

Nada contra. É um prédio muito, mas muito bonito, elegante, de notória belíssima arquitetura e, inclusive, ao que parece, com tríplex, o que deverá atrair moradores de alto poder aquisitivo. Podemos arriscar, sem medo de errar, que será o mais elegante edifício do bairro Praia João Rosa.

Mas perguntar não ofende: quantas garagens esse edifício, quando estiver pronto, vai ter? Por que essa pergunta? Iremos explicar.

Se ninguém provar o contrário, o edifício reservou apenas um pavimento para a garagem. Certamente as vagas estarão unicamente reservadas apenas para os proprietários dos apartamentos. Não haverá vagas para visitantes.

É o costume, a tradição, a regra. Os edifícios aqui no Brasil são construídos comumente apenas com um andar de garagem e mais nada.

Mas com a falta crônica de vagas de estacionamento nas ruas da cidade, essa “tradição” tem, deve e precisa ser modificada em nome do planejamento urbano. Explicamos.

No caso aqui específico da rua Firmino Bernardino, a prefeitura de Biguaçu jamais poderia nem deveria em sã consciência- e com o mínimo de lógica- ter liberado a construção desse edifício se não fosse previsto um segundo andar, o reservado aos carros dos visitantes.

É verdade que um segundo andar para garagem vai aumentar os custos da obra (construção é sempre muito caro) e o dono da edificação provavelmente irá reclamar alegando que os outros prédios não têm essa tal “segunda garagem” (o que é mais pura verdade) e que, se for obrigado a construir, vai desistir da obra. Então, que desista em nome da prevenção a futuras dores de cabeça urbanos!

O fato é o seguinte: hoje a rua é pacata e o número de veículos estacionados no local é pequeno.

Mas quando o edifício estiver pronto, o número de moradores na região vai setuplicar e certamente conseguir vaga de estacionamento nessa rua será quase que uma “missão impossível” ou uma verdadeira operação “contar com a sorte” conseguir um espaço. Por quê?

Qualquer edifício, não importando se residencial, comercial ou misto, sempre atrai visitantes. São os parentes que vêm visitar algum morador do edifício ou clientes das empresas de serviços instaladas no prédio indo ao local consultar ou fazer negócios.

A esmagadora maioria vem de carro, o meio de transporte mais usado numa região como a Grande Florianópolis onde não há metrô, transporte marítimo e ciclovias, ou seja, outras alternativas que não se resumem a veículos automotores.

Os visitantes que irão ao edifício em questão vão estacionar onde? Na própria rua Firmino Bernardino.

Mas como esta é muito pequena, logo vai estar entupida de veículos numa rapidez fulminante. A solução para driblar a falta de vaga será estacionar ao longo da vizinha avenida Francisco Roberto da Silva, mas o local possui uma ciclovia e não há vagas de estacionamento. Então os futuros visitantes do tal edifício que não encontrarem vaga na rua Firmino Bernardino terão de conseguir estacionamento em outras ruas mais afastadas. Ou seja, o motorista vai ter de andar um bom pedaço se não tiver sorte de encontrar vaga mais próxima do edifício.

Mas esse problema não haveria se o futuro edifício tivesse uma segunda garagem, destinada justamente aos visitantes.

Vale a seguinte lógica: é melhor gastar um pouco mais hoje do que ter dor de cabeça no futuro por querer economizar onde não deveria economizado.

Devia ser a regra pétrea: doravante os edifícios a serem construídos em Biguaçu terão de oferecer um segundo andar de garagem destinado aos veículos dos visitantes. O construtor que não aceitar essa regra, simplesmente não vai poder construir. É simples assim.

Como os exemplos de Florianópolis, São Paulo e de uma infinidade de outras cidades do Brasil que hoje sofrem graves problemas de mobilidade urbana não foram suficientes, Biguaçu segue pelo mesmo caminho de não aprender a lição com os erros do passado.

Biguaçu está tendo expansão no número de edifícios. Se Biguaçu passasse a exigir um segundo andar de garagem, certamente terá menos dores de cabeça na mobilidade urbana, pelo menos nos bairros onde os novos edifício estão sendo construídos.

É um pouco de visão e bom senso, mas que faltam aos nossos atuais administradores.

 

Ozias Alves Jr

Editor

Edifício que está sendo construído atualmente na rua Firmino Bernardino, no bairro Praia João Rosa. (Foto Ozias Alves Jr)

 

Rua Firmino Bernardino em novembro de 2013.. Na época, o prédio em questão não tinha começado a ser construído. (Foto Google Maps)

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