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Tenho uma sobrinha. Ela se chama Maria Eduarda Costa Casotti, que completou nove anos no final de abril último.

Atualmente ela vem escrevendo um “livro”. Já deu até o título: “Diário de um Cachorro”. A inspiração veio do famoso “Diário de um Banana”, uma série de 10 livros de um autor norte-americano chamado Jeff Kinney (1971-   ).

Lançado em 2007, o “Diário de um Banana”, as peripécias de um adolescente na escola, é um livro singular em formato de caderno, sendo que a tipologia das letras assemelha-se a manuscrito e é recheado de desenhos simples. Virou uma febre mundial traduzido para uma infinidade de idiomas, inclusive para o português brasileiro.

Maria Eduarda, carinhosamente chamada de “Cotinha” (Maricota-Maricotinha- Cotinha), teve acesso ao livro por causa de seu irmão mais velho, Pedro, hoje com 16 anos. Este leu toda a série e os 10 volumes da série estão disponíveis na biblioteca da família.

Após ler alguns desses volumes, Maria Eduarda inspirou-se a escrever a respeito de seus dois cachorrinhos de estimação- o Pio e a Mia, e agora um gato persa que se agregou à família, cujo nome é “Paçoca”.

O interessante é que, mesmo com tenra idade, Maria Eduarda consegue escrever frases com começo, meio e fim devidamente pontuadas e já domina a arte da narração. Ela é capaz de apresentar um enunciado e argumentar. E estamos falando de uma menininha de apenas nove anos de idade.

E a coisa não para por aí. A avó materna dela, dª Dirce Cipriano Costa, guardou centenas de gibis da turma da Mônica, que havia comprado na década de 1980 para sua filha mais nova. Não é preciso dizer que Maria Eduarda adora esses gibis. Toda vez que vai visitar a avó, entrega uma sacola com os gibis que leu em casa e pega a próxima para a leitura ao longo da semana seguinte.

Por que estou citando esse caso? Para exemplificar uma verdade: só se aprende a escrever, lendo e, para ler, é preciso ter acesso aos livros e a outros impressos de acordo com a idade do leitor. Maria Eduarda beneficia-se do fato de viver numa família que não despreza a leitura.

Mas o que isso tem a ver com Biguaçu? A questão é simples: quantas escolas da rede municipal e estadual do município possuem bibliotecas? E dentro das que disponibilizam esse espaço, quantas possuem a coleção, mesmo que incompleta, do “Diário de um Banana”?

E quais são as que têm algum acervo de historinhas em quadrinhos? Sim, gibis do Pato Donald, Turma da Mônica, Batman, Incrível Hulk, quadrinhos da Marvel, Tex, Zagor, Tintin, Asterix. mangá etc?

Antes de qualquer conversa. Biguaçu não possui gibiteca em seu território. Aliás, este jornal chegou a sugerir à Câmara de Vereadores de Biguaçu a criação de uma “gibiteca” no prédio que estava construindo como sede na rua São José, centro da cidade, mas, pelo jeito, a sugestão não irá adiante. Para ser mais exato, a câmara cedeu sua construção inacabada para a prefeitura de Biguaçu e a “gibiteca” não faz parte de nenhum plano de investimento em cultura. Pelo menos, não foi mencionado.

A biblioteca municipal de Biguaçu e a escola Donato Alípio de Campos, do bairro Prado, possuem acervo de livros infanto-juvenis, o que é muito bom. O problema é que isso não existe na totalidade das escolas do município.

Uma cidade, um estado ou um país que quiserem melhorar o nível de leitura de seus estudantes, precisarão, pelo menos, equipar todas as escolas com uma biblioteca infanto-juvenil e, quem sabe, se enxergar um palmo diante do nariz, criar gibitecas, pois gibi também é leitura.

Como isso não existe, o resultado está aí. Basta ler as postagens da população no Facebook. Dentro da infinidade de mensagens postadas lá, é possível destacar alguma em que o “escrevente” consiga apresentar uma argumentação com começo, meio e fim sem cometer erros de ortografia e pontuação? É quase que uma agulha no meio do palheiro.

Pelo menos, Maria Eduarda não fará parte dessa estatística.

 

Ozias Alves Jr

Editor

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

Maria Eduarda Costa Casotti, a Cotinha. (Foto Divulgação)

 

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