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A escola no Brasil está na UTI. Só não está no último lugar nos testes internacionais de avaliação de conhecimento de idioma nacional e matemática porque existe a Tunísia, que consegue a proeza de ter uma educação pior ainda do que a do Brasil.

Biguaçu, que fica no Brasil, não está diferente. Aliás, numa recente avaliação da educação primária, por exemplo, Biguaçu ficou em …. último lugar entre os 20 municípios da Grande Florianópolis.

O que fazer? Que medidas é preciso tomar para mudar esse quadro vergonhoso?

Como diz o ditado, antes de querer cortar mais árvores pensando que isso vai recuperar a produção perdida de ontem, é preciso perder um tempo que for necessário para “afiar o machado” para melhorar a produtividade do amanhã.

Se os resultados têm sido péssimos, é preciso parar, reunir os dados, avaliar e pensar numa reestruturação visando um novo plano e partir para a ação, desta vez visando não cometer os erros antigos.

Perguntar não ofende, mas as pedagogas dirigentes da secretaria municipal de educação de Biguaçu, que certamente devem sua formação ao conhecimento das teorias de Vygotsky, Piaget e Paulo Freire, já leram e- o mais importante- estudaram a obra de Pierluigi Piazzi (1943-2015)?

Mas quem foi esse tal de Pierluigi Piazzi ou simplesmente “professor Pier”?

Era um italiano que vivia em Bolonha que emigrou em 1954, aos 11 anos de idade, para São Paulo, talvez a maior concentração de imigrantes italianos no Brasil.

Aos 18 anos, virou professor e fez uma grande carreira no magistério de todos os níveis, do primário até a doutorado. Atuou no estado de São Paulo e literalmente trabalhou até o fim da vida.

Aqui não tem o objetivo de contar todos os detalhes da vida desse homem a não ser que foi um importante e EXTRAORDINÁRIO pensador da educação no Brasil, autor de três espetaculares livros que são o “manual de instruções” que, se seguidos, vão tirar certamente o nosso país do atoleiro vergonhoso de ter o pior sistema educacional do mundo, apenas “menos pior” do que o da Tunísia, país situado no continente…. (se apresentar um mapa mundi para estudantes brasileiros dizerem onde fica a Tunísia, se que a maioria conseguirá dar a resposta correta???!)

Os livros (espetaculares e escritos em linguagem simples e direta) são: 1) “Aprendendo Inteligência. Manual de Instruções do Cérebro para Estudantes em Geral – Volume 1 (2008), 2) Estimulando Inteligência. Volume 2 (2008) e 3) Ensinando Inteligência- Volume 3 (2009).

Tentando resumir tudo em pouquíssimas palavras.

A primeira pergunta: por que os estudantes brasileiros são os piores do mundo (correção: os menos piores por causa da Tunísia)?

A resposta dita e repetida à exaustão pelo professor Pier: os estudantes brasileiros não têm o hábito de estudar. Só fazem “decoreba”, que é estudar apenas para fazer as provas. Logo que passam as provas, esquecem tudo.

As consequências desse mal hábito difundido pela cultura escolar brasileira têm consequências funestas e o professor Pier apresenta uma série de dados, gráficos e últimas descobertas da neurociência fundamentando seu diagnóstico sobre como a educação no Brasil anda mal e o que fazer para sair desse atoleiro.

A segunda pergunta: o que fazer para mudar isso? Eis o que Pierluigi observou: “O sistema educacional brasileiro faz descer a escada. Qualquer Pedagogia baseada em Vygotsky, Piaget e Paulo Freire é uma desgraça”.

Ele comentou isso analisando um estudo internacional que descobriu que a média do QI (Coeficiente de Inteligente) médio dos brasileiros é de 87 enquanto que o dos ingleses e norte-americanos é de 100 e o QI médio dos japoneses é 113.

Os japoneses são mais inteligentes que nós? São geneticamente mais inteligentes do que os brasileiros?

Pier observou que não, nada a ver. Segundo sua investigação, os japoneses tem QI médio geral mais alto do que o dos brasileiros por causa do sistema educacional japonês, que realmente funciona.

Em palavras bem simples: os japoneses ficam mais tempo na escola, estudam diariamente, maioria fez dos estudos um hábito diário, adquiriram o hábito de leitura diária de, no mínimo, jornais (em 2008, a cada 1.000 japoneses, 638 liam diariamente um jornal enquanto que esse índice no Brasil chegou a apenas a 78, ou seja, nem 100 chegava).

Perguntar não ofende: os estudantes brasileiros têm hábito de ler jornais, revistas e livros?

Para Pier, é preciso jogar na lata do lixo essa tal pedagogia “socioconstrutivista” que, nos dizeres do filósofo Olavo de Carvalho, além de ineficiente, tem produzido “retardados mentais” entre os estudantes brasileiros.

Em palavras muito bem simples, simplérrimas, o que isso tudo significa no dia-a-dia nas escolas? Como aplicar de maneira prática as ideias do professor Pier nas escolas municipais de Biguaçu, por exemplo?

 

  • Provas surpresas. Os alunos simplesmente não podem nem deve e jamais devem ser informados sobre as datas das provas. Ponto final. Por que isso? É uma medida prática para acabar com a subcultura da “decoreba”, que é decorar na véspera da prova. Não sabendo mais em que dia vai haver prova, o estudante é obrigado a estudar todo dia como uma espécie de “prevenção” caso chegar na escola e saber que vai ter prova.

Por que as provas surpresas fazem-se necessárias? Pois a “decoreba” criou o fenômeno que se resume na seguinte constatação: alunos que se formam no 1º e 2º graus com notas boas ou, no pior das hipóteses, razoáveis, têm de frequentar “cursinhos pré-vestibulares” porque não conseguem lembrar-se de nada que aprendeu na escola ao longo dos anos.

  • Escolas de turno integral- de manhã, aulas e à tarde…. fazer os deveres. Simplérrimo. Nem todos os estudantes têm uma escrivaninha em casa onde podem estudar. Que então façam os deveres na escola. Pier salienta que assistir às aulas não quer dizer nada. O aprendizado só se dá fazendo os deveres. Detalhe: Pier cunhou o seguinte mantra: “aula dada, aula estudada hoje”, isto é, se houve o estudante teve aula de trigonometria, tem de fazer os deveres hoje, não amanhã ou daqui a dois dias para fixar melhor o conteúdo.
  • Por que isso? A ideia é muito simples, simplicidade absurda: adquirir o hábito de estudar. Se o cidadão estuda 25 minutos por dia, todo dia, de segunda a domingo, desde a escola primária, quando chegar na 3ª série do 2º grau, não vai precisar fazer cursinho pré-vestibular para tentar recuperar tudo do conteúdo que não aprendeu por causa da “decoreba”, em apenas seis a oito meses antes da prova.

 

Adquirir o hábito. Esta é a palavra-chave. Hábito. Antes, depois ou no meio do trabalho, dependendo da vida do cidadão, fazer uma “pausa” de 25 ou 30 minutos ou, se tiver condições, no máximo uma hora, para estudar. Fazer disso um hábito tal como escovar os dentes.

Estudar um pouco cada dia faz toda a diferença, aliás, total, segundo o professor Pier.

E o JBFoco, que circula há 26 anos, como sempre, fazendo seu papel em contribuir com ideias que podem indicar caminhos para uma Biguaçu melhor.

 

Ozias Alves Jr

Editor- E-mail: ozias@jbfoco.com.br

Aprendendo Inteligência. (Foto Google Images)

 

Ensinando Inteligência. (Foto Google Images)

 

Estimulando Inteligência. (Foto Divulgação)

 

Trecho de um dos livros do professor Pier. (Foto Divulgação)

VÍDEO

 

 

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