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No final da madrugada deste último sábado (06/04), um ciclista de 36 anos de idade, cujo nome nem foi divulgado, morreu ao ser atingido por trás por um veículo Hyundai de Balneário Camboriú. O condutor da bicicleta, que trafegava pelo acostamento da BR-101 no quilômetro 188 sentido sul, morreu na hora.

O veículo que se envolveu nesse acidente era dirigido por um senhor de 56 anos de idade. Este não se feriu. Apenas a passageira, uma senhora da mesma idade, teve ferimentos leves.

O acidente aconteceu às 5h e, mesmo nesse horário, formou-se engarrafamento devido ao fato de que ficou em meia pista. A fila que se formou foi de quatro quilômetros.

Não se sabe o que aconteceu, mas certamente duas são as hipóteses mais prováveis: 1) o ciclista teria invadido a pista ou 2) o veículo, por algum motivo, invadiu o acostamento.

Independente do que tenha acontecido e de quem foi a culpa, o fato é que não existe uma mureta ou guard rail que separasse a pista para ciclistas da rodovia em si.

 

FALTA DE VISÃO

Infelizmente quando a BR-101 foi construída na década de 1960 e duplicada nos anos 1990, não se construiu uma ciclovia.

Sim, ao lado do acostamento, deveria haver ciclovia com muretas ou guard-rails para garantir um mínimo de segurança. Não foi construído, nem cogitado, nem pensado.

Entre o final do Prado de Baixo até Areias de Cima, trecho cortado pela BR-101 e ao longo dos quais estão as localidade de Praia Bento Francisco, São Miguel, Tijuquinhas e Areias de Cima, o serviço de transporte coletivo é precário. Há poucos horários de ônibus e, para muitos moradores, embarcar nos ônibus de Governador Celso Ramos ou nos que vêm das cidades do litoral norte do estado, é inviável com relação ao valor da tarifa.

O que resta, então? Pegar a bicicleta e ir para o trabalho pelo acostamento da BR-101. É literalmente arriscar a vida, mas não tem outra solução. Não há uma estrada alternativa para ir de Areias de Baixo até São Miguel, por exemplo. Em certos trechos, terá de ir pelo acostamento da BR-101 se quiser chegar ao destino.

O problema é esse: o cidadão que anda de bicicleta no acostamento da BR-101 está sujeito a qualquer momento ser atropelado por algum veículo que, porventura, desgovernar-se pelo motivo que seja. É um perigo constante.

Ciclistas passando pelo acostamento da BR 101 em Biguaçu. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Em São Miguel, a BR-101 tinha de ter acostamento. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Nesse vão verde, não deveria ter uma ciclovia devidamente protegida com muretas ou guard rails. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Onde tem guard rail na BR-101, há alguma proteção. Por exemplo, aqui em que houve um acidente, mas o veículo envolvido não conseguiu “rasgar” o guard rail. Quem estivesse embaixo no exato momento, certamente seria salvo da morte certa. (Foto Arquivo JBFoco)

 

 

 

PERGUNTA NUNCA FEITA

E se o leitor fizer a pesquisa, quantos biguaçuenses já morreram atropelados na BR-101 ao longo das últimas décadas? Quem é o biguaçuense que não conhece alguma família que já teve entes queridos mortos em atropelamentos da BR-101?

Dito tudo isso, o que é preciso ressaltar é o seguinte: entra prefeito, sai prefeito de Biguaçu e NENHUM vai no governo federal exigir a construção de uma ciclovia ao lado da BR-101 com muretas ou guard rails pelo menos no trecho entre Prado de Baixo até Areias de Baixo.

Sim, fazer campanha pela construção dessa ciclovia. E, por favor, não venham dizer que não tem espaço. Ora, não existe aquele espaço de grama ao lado da rodovia? Se aterrar, nivelar e asfaltar, não vira uma bela de uma ciclovia?

Algum prefeito de Biguaçu já solicitou a algum das centenas de comissionados ou dos 1.700 funcionários da prefeitura de Biguaçu um relatório informando quantos são os moradores de Biguaçu que trabalham nas empresas situadas entre Areias de Cima até a Praia Bento Francisco, incluindo também Areais de Baixo, em Governador Celso Ramos?

 

TRABALHADORES

Por que essa pergunta? Daremos um exemplo. Em São Miguel, há vários restaurantes de frutos do mar. Estes geram empregos. Os restaurantes funcionam até altas horas da noite.

A pergunta é: como o funcionário que trabalha nesses restaurantes volta para a casa? São 23h, meia noite ou uma da madrugada. Tem ônibus? Não.

Se o funcionário não tiver carro ou uma carona, ele certamente vai voltar para casa, caso ele não mora em São Miguel, de bicicleta e vai ter de arriscar a vida pedalando no acostamento da BR-101, isso altas horas da noite ou de madrugada.

 

ESTARRECIMENTO

O ESTARRECEDOR disso tudo é que, desde que nos demos por gente, temos noticiado uma infinidade de mortes por atropelamento no acostamento da BR-101, principalmente entre essa famigerado trecho entre o final do Prado de Baixo até Areias de Cima, a localidade situada parte em território de Biguaçu, parte em Governador Celso Ramos.

O ESTARRECEDOR é que nenhum prefeito de Biguaçu ao longo das últimas quatro décadas percebeu a existência dessa CARNIFICINA e não teve a conclusão mais que óbvia, “ululante” e simples de que é preciso instalar uma ciclovia ao lado da BR-101 com muretas ou guard rail para que os biguaçuenses que precisam locomover-se pela rodovia a pé ou de bicicleta possam ter um mínimo de segurança.

 

FALTA DE INICIATIVA

A prefeitura de Biguaçu não tem dinheiro para fazer essa ciclovia. Além do mais, nem pode fazer isso porque a BR-101 é do governo federal. Para fazer uma obra dessa, precisa de autorização federal.

Mas o prefeito de Biguaçu pode e deve fazer pressão tanto ao governo federal quanto ao estadual para EXIGIR a ciclovia, pelo menos nesse trecho já especificado.

Não é coisa do outro mundo.

“Ah, o governo federal não quer fazer a obra”, pode ser a desculpa para desistir da ideia.

Ótimo. O prefeito de Biguaçu convoca a população para, numa manhã de sábado ou num domingo, promover uma manifestação fechando por cinco, 10, 20 minutos a BR-101.

Chamem a imprensa estadual e nacional para noticiar o protesto. Os manifestantes podem exigir centenas de cartazes dizendo “ciclovia já”.

Se Biguaçu tivesse tido um prefeito que tivesse tido essa iniciativa, certamente hoje já teríamos a ciclovia muretada.

E para finalizar: a ciclovia muretada não é um “seguro” 100% contra acidentes com morte, mas certamente reduziria para mais da metade as mortes por atropelamento.

E voltando ao início deste editorial, certamente o ciclista de 36 anos, cujo nome nem foi divulgado, que morreu atropelado no acostamento do quilômetro 188 da BR-101, na altura de Tijuquinhas, talvez estaria vivo hoje, pois certamente o veículo que o atropelou teria um guard rail ou uma mureta que impediria de atingir o ciclista.

Esperamos ter contribuído para o debate.

 

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