O que tem a ver o polêmico presidente dos EUA, Donald Trump, com Biguaçu? Nada, realmente absolutamente nada. Mas por que estamos falando dele? Para analisar um detalhe que cedo ou tarde também vai nos afetar. Explicamos.

Trump elegeu-se presidente prometendo levar os Estados Unidos à antiga grandeza. Milhões de cidadãos norte-americanos perderam seus empregos porque incontáveis indústrias foram transferidas para o exterior. Trata-se da “Globalização”.

O raciocínio de Trump é simples: a Globalização é a culpada pelo desemprego nos EUA. Fechando as fronteiras, construindo um muro no México e obrigando as empresas norte-americanas a retornarem abrindo suas fábricas de novo nos EUA, o emprego voltará a milhões de ex-operários que votaram maciçamente em Trump esperançosos com o discurso do candidato.

Mas tem um problema.

A Globalização não é a única “culpada” do problema do rareamento do emprego nos EUA. Muitos dos empregos estão desaparecendo devido ao avanço da tecnologia. Sim, a robótica, a informática, a automação vem avançando e, consequentemente, “devorando” empregos.

Em resumo: a ideia de Trump de que “fechar fronteiras” resolverá o problema do desemprego no seu país não será suficiente, pois a tecnologia não para de avançar.

Querem um exemplo? Antigamente havia locadoras de vídeos e depois DVDs para todos os cantos. Hoje com o sinal da internet melhor, a população tem acesso à Netflix, a locadora virtual 24 horas, e qual foi o resultado? As locadoras tradicionais estão fechando as portas e funcionários sendo mandados embora.

E não vou longe. Aqui em Biguaçu, quantas locadoras já foram fechadas? Aliás, qual ainda resiste?

 

FUTURO

O cronista da Veja, J.R. Guzzo, em seu artigo “Inteligência”, escreveu recentemente: “Você acredita que estará no seu emprego em dezembro? Isso, é claro, no caso de você ainda ter um. Caso não tenha mais, por um motivo qualquer: você acredita que conseguirá arrumar um outro, em condições mais ou menos parecidas com o que tinha, até o fim deste ano? É melhor nem perguntar nada aos que nunca tiveram emprego algum na vida, como acontece com um número cada vez maior de jovens brasileiros, mesmo os de boa formação escolar. Parece desagradável fazer esse tipo de pergunta, e mais desagradável ainda ouvi-la — a vida já é complicada o suficiente para a pessoa ficar lendo sobre questões difíceis. Mas não olhar para as realidades não costuma levar ninguém a lugar nenhum. Sempre dá, usando a imaginação, para tapear a vida por algum tempo. Só por algum tempo, porém, e o problema está justamente aí.”

O que o cara estava querendo dizer?

J.R.Guzzo respondeu: “Há estimativas de que quase 60% dos empregos existentes hoje nos países desenvolvidos correm o risco de sumir em médio prazo. Não adianta se consolar com o fato de que o Brasil não é um país desenvolvido. Estamos, ao contrário, no grupo de sociedades nas quais a maior parte dos postos de trabalho é considerada vulnerável — são os empregos “informais”, ou temporários, ou de baixa qualidade, baixo salário, baixa produtividade e baixa proteção social, devido a um poder público cronicamente quebrado. (…) Cerca de 200 milhões de pessoas em idade de trabalhar, em todo o mundo, entraram neste ano sem ter uma colocação remunerada. Metade dos empregos a ser criados na Europa de hoje em diante vai exigir uma capacitação profissional muito alta — será preciso saber coisas que você não sabe, e talvez já não consiga mais aprender.

 

EXTINÇÃO

Com o avanço da tecnologia, estima-se que nos próximos 10 anos uns 30 milhões de postos de trabalho (hoje de carteira assinada) serão extintos.

Vou dar um exemplo bem simples. Há a possibilidade real de que ao longo dos próximos 10 anos, os veículos automotores serão guiados sem motorista. Em resumo: o emprego de motorista de caminhão simplesmente será extinto sem dó nem piedade.

Imagine o impacto que aconteceria aqui na comarca de Biguaçu? O que fazer com os motoristas de caminhão desempregados?

O problema será mundial. Os antigos funcionários das locadoras de vídeo desempregados hoje em dia por causa da Netflix não constituem um grande número em Biguaçu, mas como ficarão os futuros motoristas e atendentes de supermercado desempregados?

Sim, a tecnologia vai roubar os empregos dos atendentes também. Ir ao supermercado no futuro deverá ser algo como pegar as mercadorias e, quando sair da loja, pagar na máquina, pois automaticamente a conta já foi feita na hora em que a mercadoria foi colocada no carrinho. Talvez um simples cartão ou pelo celular é possível pagar a conta sem intermédio de alguém atender.

Como Biguaçu irá enfrentar o problema que está surgindo? Aliás, não vai enfrentar. Se hoje a administração pública segue o ritmo do “deixa como está para ver como é que fica”, continuará sendo assim.

Algum leitor poderá dizer: “para que se preocupar com isso?” É verdade. Na década de 1960, o então ministro Roberto Campos advertia que o Brasil precisava investir em Planejamento Familiar, mas foi voto vencido.

Qual o resultado? Hoje enfrentamos cadeias superlotadas, favelas, tráfico de drogas, insegurança pública, tudo consequência direta e indireta à falta de visão dos dirigentes da década de 1960 que, se conseguissem ver um palmo diante do nariz, teriam feito uma série de medidas que teriam como consequência um país no mínimo diferente nos dias de hoje.

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

 

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