A educação no Brasil vai mal. Os testes internacionais fizeram o alarme soar. O Brasil só não ficou em último lugar porque há a Tunísia. Os estudantes brasileiros não sabem matemática. O percentual que tem pleno conhecimento básico da citada disciplina é impressionantemente baixo.

Por outro lado, os jovens brasileiros saem da escola sem a capacidade mínima de entender o que lê e, se for escrever, vira o Senhor nos acuda.

De quem é a culpa? Do Estado brasileiro que não investe o suficiente? Do professor que não sabe ensinar? Dos pais ocupados na luta pela sobrevivência que não têm como fiscalizar se os filhos estão estudando?

No debate sobre o assunto, predominam os “dedos apontados” pondo a culpa no Estado brasileiro. Fala-se muito que o Estado brasileiro gasta pouco na educação.

Aí há uma curiosidade impressionante. As prefeituras e os governos de Estado são obrigados por lei a destinarem 25% de seus orçamentos em educação. Por outro lado, o Brasil gasta mais em educação do que a própria Coreia do Sul, país cujos estudantes encontram-se entre os primeiros dos sucessivos teses internacionais de conhecimento.

A questão é: como é que o Brasil consegue gastar mais, porém ter uma educação de qualidade abaixo do que alguns países paupérrimos da África, com exceção da Tunísia?

Talvez a resposta é de uma simplicidade estonteante e não é culpa do governo, dos professores, dos pais, dos livros didáticos ou do volume de investimentos. A resposta para o “enigma” encontra-se num falecido professor chamado Pierluigi Piazzi (1943-2015).

 

OBRA

Antes de prosseguir, perguntemos: quem foi Pierluigi Piazzi, ou simplesmente “professor Pier”?

Pelo que o nome indica, Pierluigi era italiano. Nascido em Bolonha, norte da Itália, Piazzi tinha 11 anos de idade quando emigrou para o Brasil em 1954.

Veio parar em São Paulo, metrópole que tem uma numerosa colônia italiana. E no Brasil, fez sua vida. No início, trabalhou como garçom, confeiteiro, motorista de caminhão, topógrafo e tratorista. Aos 18 anos, iniciou sua longa carreira de professor. Atuou no 1º e 2º graus, em cursos de pós-graduação e em cursinhos pré-vestibular. Formou-se em física pela Universidade de São Paulo na década de 1960.

Entre 2008 a 2009, lançou três dos seus principais livros sobre educação: 1) Estimulando Inteligência (2008), 2) Aprendendo Inteligência (2008) e 3) Ensinando Inteligência (2009).

Nestes três livros, profº Pier deu as respostas a todos os problemas da educação brasileira.

 

HÁBITO QUE EXPLICA TODA A “TRAGÉDIA”

Por que os estudantes brasileiros têm resultados tão medíocres? A resposta está numa única palavra: “hábito”. Explicamos.

A maioria dos estudantes brasileiros tem o hábito da “decoreba”. Por exemplo, a prova está marcada para a tarde de sexta-feira. O estudante brasileiro comum vai estudar para essa prova na manhã de sexta. Se não fizer uma “cola”, irá desenvolver uma sequência de fórmulas de decoração. Faz a prova, tira a nota que precisa e, dias depois, irá esquecer tudo.

A “decoreba” pode até ser eficiente para tirar nota na prova, mas não leva a lugar algum. Para o profº Pier, esse hábito da decoreba, do estudar apenas para fazer a prova, tirar notas só para passar de ano, simplesmente é “arrasador” para o desenvolvimento intelectual do país como um todo. Os estudantes não aprendem nada e, quando adultos, não saem da mediocridade, pois, como dito antes, não sabem de nada, pois não têm capacidade de produzir conhecimento científico a partir do que já sabem (mas o problema é que não aprenderam nada e esqueceram tudo), não adquiriram o hábito da leitura e mal sabem interpretar o que lêem, se é que lêem alguma coisa.

É culpa do governo, dos professores e os pais? Não. É culpa de um hábito errado adquirido.

 

O PROBLEMA E A SOLUÇÃO

Em praticidade, o que se pode fazer para resolver esse problema, segundo o profº Pier?

Em primeiro lugar, acabar com a obrigatoriedade de informar aos alunos o “dia das provas e exames”. Pode ser qualquer dia. Virá de surpresa.

Com essa pequena medida, acabará com a “decoreba”. Não sabendo quando será a prova, o aluno não tem como criar esquemas de decoreba.

Em segundo lugar, implantar a educação integral, mas não aumentando o número de aulas. Pelo contrário. Para o profº Pier, as aulas devem ser ministradas de manhã e, à tarde, os alunos devem simplesmente fazer os deveres.

O fazer os deveres nada mais é do que implantar um hábito nos estudantes: o de estudar diariamente.

Reservar 25 minutos ou uma hora por dia para estudar todo santo dia, incluindo sábados, domingos e feriados, simplesmente acaba com qualquer problema de qualidade de educação.

Um pouco cada dia proporciona crescimento intelectual constante.

 

A REALIDADE

Mas no Brasil, acontece o contrário. Os alunos são “entupidos” de aulas, só estudam às vésperas na base da decoreba e qual é o resultado a médio e longo prazo?

Tendo passado oito anos do ensino básico e três do ensino médio, chega na época do vestibular literalmente “desperado”. Descobre que em 11 anos de vida escolar não aprendeu nada e tentará aprender tudo que não aprendeu em apenas um ano de cursinho pré-vestibular.

Enfim, estresse, desgaste, ansiedade!

 

HÁBITO QUE FARIA A DIFERENÇA

Mas se desde a 1ª série, ele tivesse tido a seguinte rotina, não estaria sofrendo na época do vestibular.

A rotina é a seguinte: de manhã assiste a aula. À tarde, faz os deveres e, antes de ficar livre para brincar (criança tem, deve e precisa brincar para seu pleno desenvolvimento físico e intelectual), estuda a lição da aula que teve na manhã daquele dia por apenas 25 minutos. Sim, uns 25 minutos, que passam muito rápido.

Ao longo de anos, esses 25, 30, 45 minutos vão tornar-se um “hábito”. A ideia é que o estudar torne-se um hábito.

Mas acontece o contrário. Além de destruir a capacidade de memória através da decoreba, o estudante brasileiro não adquire o hábito de estudar e, em consequência, também cria uma ojeriza à leitura.

Então o cidadão cresce, vira adulto e, quando aparece um concurso público, por exemplo, o que ele nunca estudou na juventude, agora fica 5, 8, 12 horas por dias estudando para ver se consegue passar. Isso estamos falando de alguém que pode contar com o apoio da família para ficar enfurnado meses em casa para estudar para um concurso, mas como fica o pobre? Nem fica. Esquece. O hábito que não adquiriu na infância simplesmente não vai mais se formar e a vida intelectual e profissional dessa pessoa simplesmente não se concretizará nem em sonho.

Tudo resolver-se-ia implantando um simples hábito na infância: o de estudar 25 minutos por dia ou no máximo uma hora. Um pouco cada dia faria uma diferença enorme no futuro. Eis o legado da orientação do professor Pier, que infelizmente faleceu em 2015 quando encontrava-se com 72 anos de idade.

 

MITO

Em seus livros, o profº Pier apresentou o seguinte dado: o QI (Quociente de Inteligência) médio dos japoneses é 113 enquanto que os dos brasileiros é 87.

Os japoneses são mais inteligentes que os brasileiros? Os brasileiros figuram entre os últimos colonos nos testes internacionais de conhecimento porque são mais “burros” por terem QI médio baixo?

A resposta do professor Pier é um redondo “não”. Os japoneses têm QI maior por causa da qualidade da escola que eles possuem, não porque seriam uma “raça superior”.

Segundo Pier, inteligência não é nata. Pelo contrário. Ela pode ser adquirida mediante “exercícios”.

Os japoneses têm QI maior porque estão submetidos DIARIAMENTE a exercícios. Sim, eles estudam todo dia, fazem exercícios todo santo dia e, independente de que as aulas deles são o dia inteiro, o fato é que são submetidos a constantes exercícios para certificar se aprenderam a lição.

E qual o resultado disso para o país? Com uma população com QI médio mais elevado do que os outros povos, os japoneses vivem numa sociedade em que os índices de leitura e inovação técnica são altos.

Perguntar não ofende, mas quais têm sido as inovações tecnológicas do Brasil? O Brasil possui algum celular “Made in Brazil” com tecnologia criada e desenvolvida aqui? Não se fala na imprensa que a mão de obra do Brasil é de baixa qualificação?

CONCLUSÃO

Baseado na obra de Pierluigi Piazzi, desconfiamos que a solução para o problema educacional brasileiro é de uma simplicidade cristalina, mas completamente ignorada.

Infelizmente o país segue tentando o encontrar o caminho mais longo, mais difícil, mais complexo.

Esperamos ter contribuído para o debate.

 

Ozias Alves Jr

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com.

 

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