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Você conhece o jornalista José Nêumanne Pinto? Talvez para muitos leitores catarinenses, trata-se de um completo desconhecido.

Natural da Paraíba, José Nêumanne, 67, fez carreira no jornal O Estado de São Paulo, onde atuou como editorialista, entre outras funções. Sua carreira no jornal começou em 1968 e, 51 anos depois, continua em plena atividade.

Mas por que estou falando de José Nêumanne? Antes para mim um completo desconhecido, com exceção de algumas vagas lembranças de tê-lo assistido esporadicamente duas ou três vezes em algum telejornal do SBT ou de outra emissora de São Paulo onde ele apareceu tecendo breves comentários políticos, hoje literalmente não perco seus comentários DIÁRIOS na internet.

Sim, de sua casa, José Nêumanne coloca uma câmera em sua escrivaninha e, durante por volta de 10 minutos, faz comentários sobre as atualidades políticas e posta o material no You Tube, a nova televisão mundial.

Mas a questão permanece: por que estou falando de José Nêumanne? A troco de que estão citando esse cidadão?

José Nêumanne Pinto. (Foto Divulgação You Tube)José Nêumanne Pinto. (Foto Divulgação You Tube)

MUDANÇAS

Apenas para registrar algumas constatações. A primeira é de ordem pessoal. Sempre quis receber em minha casa, aqui em Biguaçu, a assinatura dos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo.

Mas isso sempre foi impossível. A razão é que os distribuidores alegavam que não dava de levar até Biguaçu.

É verdade. O jornal impresso em São Paulo por volta da meia noite é enviado para o aeroporto e chegava a Florianópolis de manhã.

No entanto, nas casas dos assinantes e nas bancas de revistas do centro de Florianópolis, esses jornais só chegavam no final da manhã e, se houvesse distribuição em Biguaçu, os exemplares só chegariam às casas dos assinantes no mínimo depois do meio dia.

Mas isso é coisa do passado. Com o surgimento da internet, não existe mais esse negócio de avião, entregadores, levar jornais de moto ou caminhonete por longas distâncias etc. Na hora em que encerra a edição, a distribuição é feita num simples clicar de botões e o mundo inteiro, não importando distâncias, recebe no exato momento.

Estou falando de algo óbvio, mas os leitores mais velhos, que conheceram o mundo antes da internet, sabem exatamente do que estou falando.

 

LIBERDADE

A segunda constatação é a seguinte: a LIBERDADE de comunicação. Aí cito o caso de José Nêumanne.

Antes eu não o conhecia porque não tinha acesso aos seus artigos no jornal O Estado de São Paulo, publicação que simplesmente nunca chegou a Biguaçu. Agora o estou acompanhando sem mais a barreira de distâncias e inviabilidades de distribuição de jornais em papel.

Considero Nêumanne como um excelente jornalista e notoriamente culto e bem informado. Para quem não sabe, ele é autor de 14 livros, entre os quais “O que sei de Lula” (2011).

Agora a internet está permitindo que eu tenha acesso a seus comentários, que considero excelentes, pois reúnem jornalismo (relato de fatos que estão acontecendo atualmente) com opiniões muito bem embasadas extraídas de muitas leituras.

A terceira constatação é a seguinte: o objetivo deste artigo não é elogiar o Nêumanne, mas para registrar algo positivo que estou percebendo nitidamente que a internet está permitindo e revolucionando a comunicação. Explico.

Nêumanne não tem papas na língua. Diz o que pensa e não tem medo de dar nomes aos bois, isto é, chama abertamente vários personagens da atual política brasileira de “corruptos”, “ladrões” etc. Isso sem ser vulgar nem estar caluniando. Volta e meia ele relembra a “ficha policial” do personagem baseado com farta documentação.

Pergunto: ele teve ou teria tal liberdade nos jornais e TVs da imprensa tradicional? Por que faço essa pergunta?

 

CENSURA

Gosto muito de ler crônicas e comentários políticos, mas chama-me a atenção a verdadeira “camisa de força” a que os comentaristas são submetidos nas televisões, por exemplo.

Cito o caso de Arnaldo Jabor. Na década passada, anos 2000, ele chegou até mesmo a aparecer no Jornal Nacional tecendo seus comentários, um verdadeiro sucesso, mas simplesmente desapareceu.

O motivo foi muito simples. Certa época, por mais que ele media a as palavras, criticava o PT, principalmente depois do surgimento do caso do Mensalão (2005).

Jabor foi retirado do Jornal Nacional, mas ainda restava-lhe o Jornal da Globo, aquele telejornal de início de madrugada. Com o tempo, até mesmo desse espaço ele foi desligado.

Não há dúvida de que o então presidente Lula (2003-2010) deve ter ameaçado mexer nas verbas publicitárias da Globo para que a direção da emissora censurasse seu principal e mais articulado comentarista cujas análises tinham um efeito de “bomba atômica” na consciência do público.

Se há algo pior para os jornalistas sérios e compromissados com a verdade é sofrer censura, ficarem de mãos atadas, não poderem falar todos os detalhes que sabem sobre a realidade que reportam.

 

MUDANÇAS

Mas a boa notícia é que a internet finalmente está proporcionando a liberdade que não poderia ser exercida antes na época do “analógico” e da comunicação concentrada em algumas poucas emissoras de televisão e rádios.

E estou percebendo que essa liberdade proporcionada pela internet está permitindo aos jornalistas e comentaristas sérios, cultos e bem informados poderem informar melhor a população.

Nada pior do que aconteceu com o antigo comentarista da RBS TV, Luiz Carlos Prates. Em 2010, o filho de um importante diretor da RBS envolveu-se num estupro de uma adolescente.

Como os agressores envolvidos na agressão eram menores de idade, seus nomes não foram nem poderiam ser citados.

No entanto, naquela época, Luiz Carlos Prates, conhecido por seus comentários moralistas virulentos, foi cobrado pelo público por não ter escrito nem falado uma só linha a respeito do caso.

É claro que Prates foi censurado, isto é, deve ter sido advertido para não falar uma só linha a respeito do caso que chegou a ser manchete na TV rival, a Record, arqui-inimiga da Globo.

Coincidência ou não, no ano seguinte, 2011, Luiz Carlos Prates saiu da RBS.

Não se sabe o que ocorreu, mas certamente o clima deve ter pesado com a censura que Prates deve ter sofrido para não comentar sobre o caso do “estuprador”.

Com a internet, há mais liberdades e os jornalistas sérios e bem intencionados estão usando para fazer o que deve ser feito: informar DE VERDADE o público e dizer as verdades DOA A QUEM DOER.

A internet ainda é um mundo em ebulição. As melancias ainda não estão assentadas no caminhão em movimento. Como será o jornalismo na era da internet? Eis a questão que só o futuro vai responder.

No entanto, creio que o jornalismo da internet, depois que o tempo e o público incumbirem-se de passar a necessária peneira para deixar a melhor parte prosperar, deverá ser um espaço de liberdade e SEM CENSURA, claro se não houver reveses.

Escrevo isso tendo em mente que passei a vida lendo jornais e assistindo telejornais onde notoriamente havia censura.

Lembro-me de certas conversas com jornalistas que trabalha(va)m em RBS e outras grandes órgãos de imprensa comentando sobre casos de manipulação, censura e até mesmo perseguições contra jornalistas que se rebelaram contra as pressões que sofriam para não divulgar certas “verdades” nas notícias.

Agora com a internet, esse cenário pode, deve e já está mudando. E isso é muito bom. Afinal de contas, uma sociedade sadia só se faz com livre circulação de informações sem censura, salvo os famosos abusos chamados calúnia e difamação.

 

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

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