De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, divulgados em 2017 uma em cada cinco pessoas no Brasil está acima do peso. Atualmente, a obesidade é uma das condições de saúde mais presentes na população brasileira e está relacionada tanto a fatores genéticos quanto hábitos de vida pouco saudáveis, como alimentação desequilibrada e sedentarismo.

Diante desse cenário, números da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) apontam para o crescimento no volume de intervenções realizadas no Brasil: foram 105.642 mil cirurgias no ano de 2017, ou seja, 5,6% a mais do que em 2016, quando 100 mil pessoas fizeram o procedimento no setor privado, de acordo com os dados mais atuais fornecidos pela entidade. Deste total, estima-se que cerca de 70% das pessoas que realizam o procedimento no país são mulheres.

Considerando dados do Sistema Único de Saúde, a busca pela cirurgia bariátrica na rede pública também comprova esse aumento de demanda. Entre os anos de 2008 e 2017, houve um aumento que representa 215% na realização desse tipo de intervenção. O crescimento anual médio é de 13,5%.

 

Mas esses números não significam que não há restrições. Um dos fatores limitantes e essenciais para a realização da cirurgia de redução de estômago, como ficou conhecida, está relacionado ao perfil de paciente elegível para este tipo de intervenção.

“A redução de estômago é recomendada para pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 40, ou maior que 35, desde que possuam um conjunto de doenças associadas à obesidade, como diabetes, hipertensão e dislipidemias (anomalias dos lipídios no sangue). Além disso, a cirurgia também é recomendada para pacientes com o IMC maior que 30 com diabetes de difícil controle”, explica Thales Delmondes Galvão, cirurgião bariátrico.

 

Procedimento não deve ser associado à estética e pode ser o primeiro passo para a melhora da qualidade de vida do paciente. (Foto Divulgação)

SAÚDE X ESTÉTICA

A imagem mais esbelta e a busca por padrões de medida tidos como os ideais salta aos olhos de quem desconhece o tema a fundo. Nas mídias sociais, páginas de pessoas que obtiveram rápida perda de peso ressaltam o apelo visual como principal fator de referência sobre o tema. No entanto, o Dr. Thales alerta que é preciso cautela para que a redução de estômago não seja encarada como uma mera cirurgia estética.

“Conceitualmente, a beleza deve ser o último fator para o paciente procurar a cirurgia bariátrica. A qualidade de vida deve ser priorizada”, explica o médico.

Caso o paciente opte por realizar a redução de estômago, é necessário reforçar que a cirurgia não é a única ação a ser tomada para o início de uma vida mais saudável. O paciente deve buscar acompanhamento de uma equipe multidisciplinar que vai além do cirurgião e inclua ainda cardiologista, nutricionista, endocrinologista, fisioterapeuta, pneumologista e psicólogo.

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