O JBFoco mais uma vez vem sendo alvo de uma avalanche de críticas só por ter chamado a atenção para a deselegância de parente dos mortos do Chile, cujo velório ocorreu na terça-feira da semana passada (04/06) no ginásio da Univali em Biguaçu, de ter gritado com os jornalistas ali presentes acusando-os de terem sido desrespeitosos ao colocar uma câmera “dentro do caixão” para filmar os finados.

Um dos jornalistas colocou a câmera “dentro do caixão”? Que loucura é essa? Para justificar a deselegância, a falta de respeito e educação, uma parente dos mortos que fez o citado “bafão” vem com essa justificativa que beira a mais completa ficção?

Aliás, não vimos a cena, mas agora descobrimos o que aconteceu. Uma leitora chamada Amanda de Brito escreveu: “Tiveram o trabalho de fazer uma reportagem querendo JUSTIFICATIVA de os familiares terem gritado com os jornalistas de estarem EM CIMA, EM CIMA de uma cadeira/palanque sei lá o que, filmando os caixões?!”

Ah, agora entendemos. O cinegrafista tinha subido numa cadeira/palanque (a cidadã não soube precisar o que era que o cinegrafista utilizou para elevar a câmera) e a parente berrou contra o mesmo.

Ora, o cinegrafista só estava tentando fazer uma cena melhor, tentando uma imagem panorâmica do velório.

Qual o problema disso? Se a parente dos mortos incomodou-se com o cinegrafista tentando fazer uma cena panorâmica do velório em cima de uma cadeira ou sobre algum tablado, por que não falou com educação dizendo para não fazer isso? Por que foi logo berrar fazendo escândalo? Não poderia falar com educação?

E mais uma coisa: essa pessoa mentiu. Há uma diferença entre alegar que o jornalista colocou “a câmera DENTRO DOS CAIXÕES”, conforme escreveu para justificar o grito, e o que realmente aconteceu, o do cinegrafista ter usado uma “cadeira” ou “palanque” para subir com o objetivo de fazer uma cena panorâmica.

Uma outra leitora chamada Evelyn Amanda da Silva assim manifestou-se: “Enterro não é lugar pra filmagem, fotografe e filmar até a frente do local e entrevista quem quiser é uma coisa agora entrar e tirar fotos dos caixões é sim um desrespeito com a dor da família e pessoas próximas! Deveriam se colocar no lugar das pessoas que estão sofrendo se fosse vcs iriam gostar de não respeitarem um momento de dor da sua família!

Outra leitora, Ruth Alves Pereira, acrescentou: “Lugar de dor não é lugar de reportagem. E sim de respeito”.

Ah, então pronto. Se acham que a presença de jornalistas em velório é “falta de respeito”, então por que não avisaram aos jornalistas que não poderiam filmar ou tirar fotos? Por que não avisaram que jornalistas não poderiam realizar seu serviço de registrar?

Quer dizer, se os jornalistas não se interessassem em publicar uma linha sobre a tragédia que originou o citado velório, isso seria considerado “desrespeito”, um ato de desprezo com a tragédia que ocorreu, mas se os profissionais de imprensa aparecem no velório também é “falta de respeito”? Ora, ora!!!

E uma outra questão: qual o problema de fazer as cenas do velório? Os caixões não estavam ali abertos? Se os parentes não quisessem que os mortos tivessem os rostos filmados ou fotografados, que dissessem no início: “não filmem os rostos”, “se filmarem os caixões, não filmem os rostos”, “na hora da despedida, retirem-se” etc.

Por que não estabeleceram as regras? Como é que os jornalistas iriam descobrir as “regras” se as mesmas não foram ditas?

 

“LA DIFFÉRENCE”

Bom! Não estampamos a enxurrada de críticas contra o JBFoco por ter chamado a atenção a esse episódio, o da mulher berrar contra um cinegrafista que estava fazendo seu serviço e, ainda por cima, alegando algo que não é verdadeiro para justificar a grosseria. Na realidade, as críticas mostram um abismo cultural, uma deficiência de interpretação de texto, entre outros problemas.

Mas deixa prá lá. O interessante é a diferença entre velórios de gente VIP (presidentes da República, grandes escritores, artistas, empresários etc) e gente que considera a presença de jornalistas que “tiram fotos dos mortos no caixão” como uma “falta de respeito”.

Famílias de Presidente da República que morrem não fazem escândalo quando os jornais publicam fotos desses parentes e amigos fazendo homenagem ao lado do caixão.

Zélia Gattai foi fotografada beijando o rosto do cadáver de seu famoso marido, o escritor Jorge Amado (1912-2011), mas ela não fez escândalo nem achou que a presença de jornalistas naquele momento fosse um “desrespeito” ou uma “afronta”. Pelo contrário. Aliás, deu entrevista aos jornalistas durante o velório.

O ex-presidente João Figueiredo (1918-1999) foi fotografado despedindo-se de outro ex-presidente da República, Ernesto Geisel (1907-1996) e ninguém reclamou ou foi hostil aos jornalistas. Além disso, tirar a foto do ex-presidente morto dentro de seu caixão NÃO foi considerado uma “ofensa” contra a família nem o Palácio do Planalto considerou isso uma “afronta” à dignidade do finado.

O ex-presidente Lula foi fotografado tanto no velório do seu ex-vice presidente, José Alencar (1931-2011) como também no de sua esposa, Marisa Letícia (1950-2017) e não fez escândalo algum (a não ser o famoso discurso contra o então juiz Sérgio Moro), nem mesmo mandou proibir a presença dos jornalistas ou ordenar que eles não poderiam realizar certos tipos de fotos.

A diferença cultural é que gente VIP não se incomoda com a cobertura jornalística.

Ex-presidente João Figueiredo no velório do seu grande amigo, o ex-presidente Ernesto Geisel. Figueiredo não se incomodou de ser fotografo ao lado do caixão. (Foto Folha de SP) 

Zélia Gattai, mulher de Jorge Amado, beija o escritor durante o velório. (Foto O Globo)

 

Eva Todor. Foto mostra o corpo sem vida da grande artista da rede Globo. Família não protestou. (Foto Notícias BOL)

 

Velório do ex-presidente Getúlio Vargas em 1954. Família não proibiu a circulação dessa foto. (Foto O Globo)

 

Michael Jackson sorrindo ao lado do corpo do grande artista, James Brown. O jornalista que tirou essa foto está fazendo algo de errado? (Foto Google Images) Mandatory Credit: Photo by KPA/Zuma / Rex Features ( 951257b )
Michael Jackson views the body of James Brown

 

Família ao lado do caixão do ex-vice Presidente, José Alencar. Ninguém sentiu-se incomodado-se nesta foto. (Rádio Buíque FM)

 

Lula chorando ao lado do corpo de sua esposa, Marisa Letícia. (Foto O Globo)

 

Caixão do então presidente eleito em 1985, Tancredo Neves. Família não fez escândalo por causa dessa foto. (Foto Orlando Brito)

 

 

 

OBSERVAÇÃO: As fotos dos velórios de ex-presidentes, artistas e VIPs foram extraídas do Google Images e são de autoria de alguns dos mais importantes jornais brasileiros.

Sobre a questão de direitos autorais, caso algum jornal vier a reclamar da exibição de alguma dessas fotos, é só solicitar a retirada das mesmos ao e-mail reportagemjbfoco@gmail.com. Retiraremos na hora.

Vale lembrar que o JBFoco já cedeu fotos suas para alguns jornais brasileiros sem cobrança de direitos autorais. Fizemos isso pela gentileza e reciprocidade.

Publicamos estas fotos para mostrar que os jornalistas NÃO são hostilizados em velórios de pessoas VIP.

Pelo contrário. Gozam de plena liberdade para realizar seu trabalho de registro. Fotos de mortos ilustres, até mesmo de Presidentes da República, não são consideradas “ofensivas” nem “desrespeito com a família”. Pelo contrário. É considerado um registro para a história e uma “honra” pela memória do morto.

 

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