Daqui a um mês, no dia 13 de julho, comemora-se o “Dia Mundial do Rock”. Interessante. Mas fico pensando: como o Rock envelheceu! Como essa música literalmente estagnou-se repetindo as mesmas fórmulas das décadas de 1960 a 1980.

Explico. O rock surgiu na década de 1950. Foi uma evolução “dialética” do blues que se misturou com o country e canalizou a efervescência de ideias do mundo pós 2º Guerra Mundial (1939-1945).

Quem foi o criador? Chuck Berry (1926-2017)? Na realidade, foi uma criação coletiva (daí dialética) que levou a uma originalidade dentro da história mundial da música. Berry foi a “comissão de frente” do novo estilo.

Nos anos 1960, o rock evoluiu para duas grandes inovações que, a grosso modo, poderíamos dividir em Beatles e Rolling Stones.

Na década de 1970, o rock conheceu uma profusão de novidades tais como os experimentos eletrônicos a la David Bowie ao Heavy Metal, Punk, pop rock, entre outros subgêneros.

Os anos 1980 foram de efervescência, principalmente no rock brasileiro. E a criatividade prosseguiu até o início da década de 1990, mais ou menos até 1993 ou 1994 com o Nirvana e Guns & Roses.

Depois o que se viu foi um longo período estagnação criativa, de falta de inovação e repetição dos estilos já inventados.  Muitos não concordarão comigo, mas muitos haverão de concordar, pelo menos, no ponto de que está faltando inovações marcantes no gênero, pois, concordem ou não, tem havido muita repetição em cima de repetição e releituras “rasas” do que já se criou. Parece até mesmo escola de samba: repetindo a mesma fórmula há quase um século.

A primeira dose de cachaça pode ser boa, mas a enésima já não proporciona mais aquele efeito inicial!!!

Isso é uma crítica? Não, não é. É apenas uma constatação. O rock estagnou-se. Os jovens das décadas efervescentes que inovaram o rock entre as décadas de 1950 a 1980 hoje tornaram-se “idosos”, nos sentidos latu e sensu do termo.

Sim, idosos. Na década de 1980, idosos tocando rock era algo impossível, pois essa música marcava a divisão entre o “novo” e o “antigo”. Hoje muitos dos roqueiros já se encontram, no mínimo, na meia idade.  A velha dicotomia já não se faz mais realidade.

O rock precisa de inovação, encontrar uma nova fonte de “overdose” de emoções, mas inventar ou aperfeiçoar um estilo de música, como qualquer outra área, seja ela uma filosofia, uma religião ou uma nova ciência, não é tarefa nada fácil. Pelo contrário. É hercúlea. É um senhor desafio.

Não sei se estou deixando claro o que estou querendo dizer, mas o que sinto é a falta de uma nova música (pode ser um novo rock, uma evolução do rock ou um outro estilo musical completamente novo) que literalmente nos levasse ao mesmo efeito dos primórdios do rock, o de nos levar a  “enlouquecer”, que nos fizesse “pirar” a cabeça, a um novo “rock” (balançar) e um “roll” (rolar).

O que quero dizer é que falta ao rock de hoje o mesmo impacto de 1955 quando os jovens escutaram pela primeira vez “Johnnie B. Goode”, de Chuck Berry, uma música tão diferente do que era comum naquela época, tão empolgante, tão eletrizante, tão “louca” que se tornou o símbolo de uma nova forma até mesmo de ver o mundo.

O Rock precisa redescobrir o caminho da roça, de encontrar um novo “Johnnie B. Goode”, de encontrar uma nova “loucura”, um novo “rock” (balançar) e “roll” (deitar).

Enquanto o rock vive seu “inverno criativo” (até quando?), o espaço é preenchido por esses tais de “Sertanejo Universitário” da vida.

Faço minhas as palavras da canção “Rock de Verdade”, da lendária banda Made in Brazil.

Eis a letra:

 

Estou cansado de tanto ouvir porcaria
É de manhã a tarde a noite, todo dia
Eu ligo o radio e fico desanimado
Com tanto axé,forró,funk, breganejo

É só porcaria/ Eu quero Rock/Rock de verdade
Rock de verdade eu quero!
Eu quero Rock/Rock de verdade/Rock de verdade eu quero!”

Rock envelheceu. (Foto Google Images)

 

Ozias Alves Jr

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com.br

 

VÍDEO

 

 

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