Publicidade

Após acordar e ligar a televisão para assistir ao telejornal de ontem (quarta, 26/06), deparei-me com a chocante foto dos cadáveres de um migrante de El Salvador, um país da América Central, e sua filhinha.

O cozinheiro Oscar Martinez Ramirez, 25, e sua filha Valéria, de apenas dois anos de idade, morreram afogados quando tentavam atravessar o rio Bravo, na altura da cidade mexicana de Matamoros. Eles tentavam chegar à Brownsville, no estado do Texas, Estados Unidos.

A foto do cadáver da menininha junto com seu pai comoveu o planeta. Afinal de contas, são sonhos interrompidos.

A questão é: o que vêm levando milhares de cidadãos mexicanos, salvadorenhos, guatemaltecos, hondurenhos, brasileiros, entre outros países latino americanos a literalmente arriscarem a vida para tentar chegar aos Estados Unidos?

O interessante disso tudo é que nos EUA não há justiça do trabalho, carteira assinada e outros direitos trabalhistas a não ser o que foi acordado no contrato entre patrão e empregado. Mesmo assim, milhares de migrantes fazem de tudo para entrar nos EUA de qualquer jeito. Vale lembrar que El Salvador, tal como o México e o Brasil, tem Justiça do Trabalho separada da justiça comum.

Em suma, migrantes de países onde há toda uma extensa legislação trabalhista arriscam a própria vida para viver num país onde não há tal seguridade social. Por que será?

Não conheço El Salvador. Não posso afirmar que aquele país é semelhante ao Brasil. Não posso afirmar que lá também haja os problemas do Brasil como alta taxa de corrupção, impostos abusivos, impunidade, criminalidade sem controle e péssimo ambiente para o empreendedorismo. Simplesmente não conheço o país nem alguma pessoa que seja natural de lá.

Mas há uma possibilidade de se conhecer algum país mesmo que não se pise o pé lá: leia os jornais locais. Hoje em dia, a fantástica tecnologia da internet nos dá acesso a jornais de qualquer ponto do planeta. É um recurso que está aí disponível.

E movido pela curiosidade, acessei o site de um jornal chamado El Mundo, talvez o mais importante de El Salvador. Escolhi esse país pelo simples fato de que foi de onde saiu aquele migrante que morreu com a filhinha tentando chegar aos EUA.

De cara, já deparei com notícias como a do assassinato de um soldado da “Seguridad Militar”, a da morte de três “pandilleros” (“quadrilheiros” em espanhol) pela polícia, a da acusação de evasão de divisas por um alto empresário local, a da “hacienda” (deve ser o Ministério da Fazenda) que está pedindo “15 milhões” (certamente do dinheiro local) para investimentos na “seguridad” (segurança) e a da visita de especialistas da OIT (Organização Interncional do Trabalho)a El Salvador para “hacer un “diagnóstico técnico” del actual salario mínimo y sistema de pensiones en el país”. Ou seja, lá também tem problemas com a previdência social.

E fui prosseguindo na leitura naquela única edição de ontem (quarta, 26/06) do jornal El Mundo. Em destaque, a notícia de um vice-ministro de Segurança e diretor de “Centros Penales” (ou seja, o sistema carcerário), Osiris Luna, que afirmou precisar urgentemente de $22 milhões (suponho que seja no dinheiro local) para fechar as contas deste ano de 2019 com o objetivo de pagar as dívidas das penitenciárias daquele país, principalmente os salários dos funcionários e a alimentação dos presos. Caracas!!!

E a coisa não parou por aí. Li outra notícia com os seguintes dizeres: “El expresidente de la CCR (???) es acusado por haber ordenado al auditor, examinar de forma irregular los gastos reservados de la partida secreta (“partido secreto”???) en el gobierno del expresidente Elías Antonio Saca”.

Não entendi direito, mas é uma notícia a respeito de caso de corrupção envolvendo algum ex-alto funcionário ligado ao governo local. A notícia foi ilustrada com uma foto de um velhinho (o tal ex-presidente da CCR (???), rodeado de fotógrafos, entrando no… tribunal!

Não é fácil ler jornais de outros países. É preciso “ambientar-se”. A começar pela língua. Mesmo sendo espanhol, certamente há termos e expressões típicas de El Salvador que precisamos saber para entender melhor os textos locais.

Por outro lado, é preciso fazer algumas leituras preliminares: ler sobre história local, quem foram os ex-presidentes, tentar descobrir quem são os políticos locais etc. Feito esse estudo preliminar, é ir à luta: ler os jornais e tentar entender o país sem precisar ir até lá.

Em resumo bem “resumido”: El Salvador é uma…. m….!!!! (desculpem o palavrão, mas talvez não haja outro termo mais preciso para definir o lugar). Só numa rápida olhadela num único jornal daquele país e num único dia (ontem, quarta, 26/06/2019), explodem notícias de mortes, dívidas, corrupção etc. Parece até o Brasil, só com a diferença de que lá se fala espanhol.

Não é preciso conhecer El Salvador para suspeitar que lá não tem como ter uma vida decente, isto é, trabalhar, ganhar dinheiro, comprar sua casa própria (o mínimo do mínimo para um trabalhador), sustentar sua família com dignidade etc.

Não é à toa que o cozinheiro Oscar Martinez Ramirez, 25, foi embora e acabou morrendo na fronteira do México tentando atravessar para os Estados Unidos.

E o interessante é que parte do noticiário vem criticando o presidente dos EUA, Donald Trump, de querer construir um gigantesco muro para impedir que mais migrantes entrem ilegalmente no seu país.

Ele está certo ou errado? É claro que ele está correto. Qual é o país que aguenta migração de tanta gente pobre em seu território? Além do mais, Trump não está exercendo a soberania de seu território?

Que a América Latina resolva seus problemas! Não adianta seguir aquela velha historinhas dos esquerdistas que afirmam que os “Estados Unidos exploram o Terceiro Mundo”.

A pergunta é muito simples: então foram os EUA quem mandaram Lula e seus cúmplices a saquearem a Petrobras? Foram os norte-americanos que elegeram a bandidagem que se espalhou por quase todos os países latino-americanos? Por favor!!!!

É claro que não é fácil mudar um país. Tem muita corrupção, muitos bandidos nos governos, erros crassos, ignorância etc.

Mas o que fazer? Temos de lutar por um país melhor. Não tem solução. Temos de lutar. A vida é assim. Vamos fazer o quê?

Aqui no Brasil, depois de tanta “meleca”, foi eleito Jair Bolsonaro. Só nos resta apoiá-lo de corpo e alma para que as reformas sejam feitas. Não tem como ser diferente. Senão, também temos de ir para o México tentar entrar nos Estados Unidos e torcendo que não tenha no futuro um baita muro no local.

Ozias Alves Jr

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

 

Foto de pai e filha afogados ao tentarem atravessar o rio que separa o México dos Estados Unidos. (Foto Reprodução Google Images)

 

https://chat.whatsapp.com/KqM4tyur0hILhDrHAnFFBB

Clique no link acima e receba gratuitamente notícias do JBFOCO regional. Nesse grupo não existe interação. Somente recebimento de matérias jornalísticas de Biguaçu, Antônio carlos, Governador Celso Ramos e região.

Publicidade