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No início da madrugada de sábado (17/05), Anderson Érico Cardoso, 22, conhecido como “Dandam”, cometeu o crime que chocou o bairro Bom Viver, Biguaçu: matou seu tio, Jairo Valdir Francisco, com uma faca.

Qual foi o motivo? Nenhum. Matou por matar na frente de duas tias e de forma covarde, pois atacou a vítima pelas costas, cortando-a na altura do pescoço.

Na ocasião, o JBFoco publicou na manhã de sábado (17/05) a reportagem intitulada “Sobrinho que matou tio com faca sofria de bipolariedade e alegou não se lembrar de nada”.

Nesta matéria, baseada no depoimento de um familiar, registramos que Anderson sofreria desse distúrbio psiquiátrico de mudança súbita de humor que, a priori, explicaria tamanha sandice.

A reportagem foi toda baseada no que disse o familiar cujo nome não foi divulgado a pedido do/a entrevistado/a. Baseado no depoimento, o JBFoco publicou o seguinte parágrafo naquela ocasião: “Anderson, ao contrário do que se pode pensar, era um rapaz tranquilo, educado, bom e não tinha desvios de conduta e outros problemas. É verdade que ele sofria de bipolaridade, mas estava sendo tratado por psiquiatra e tomava remédios, o que controlava a doença”.

Em outro trecho da matéria, estava escrito: “(…) a família acredita que Anderson entrou em surto porque pode ter tomado alguma quantidade de álcool. Como tomava remédios tarja preta para o tratamento da bipolaridade, certamente ele entrou em surto”.

Anderson Cardoso, o Dadam, que matou o tio em 18 de maio último, no bairro Bom Viver. (Foto Arquivo JBFoco)
Casal Jairo Francisco e Devanir Corrêa. (Foto Divulgação)

REVOLTA

Esta versão revoltou Devanir de Fátima Corrêa, viúva de Jairo e tia biológica de Anderson, o assassino. Para Devanir, mais uma vez pessoas de sua família “estão colocando a mão na cabeça dele”.

Segundo Devanir, Anderson não sofre de bipolaridade. “O problema dele é as drogas”, observa.

Devanir está revoltada com a mãe e a avó de Anderson. Segundo ela, sempre tentaram mascarar a condição do rapaz e agora ele provocou a tragédia.

E a versão da “bipolaridade” e de que Anderson é “louco”, para Devanir, é outra tentativa de “colocar a mão na cabeça dele” para que o assassino não seja punido com longa prisão. Afinal de contas, o assassinato em questão foi triplamente qualificado, isto é, movido por motivo torpe, sem chance de defesa para a vítima e de forma sorrateira e covarde.

Se for considerado “louco”, Anderson poderá ser enviado ao manicômio.

 

“OVELHA NEGRA”

A família Corrêa é tradicional do bairro Bom Viver, o mais populoso de Biguaçu. É uma família tranquila, trabalhadora, parte religiosa e unida. Toda sexta-feira promove um churrasco para colocar a conversa em dia e divertir-se.

A família é ligada à comunidade e, por isso, tem três envolvidos com política, como é o caso do ex-vereador Ademir Corrêa e as candidatas a vereadora, Lindamira e Devanir Corrêa.

Segundo Devanir, Anderson Cardoso, o “Dandan”, seu sobrinho, filho de sua irmã, é o que podemos chamar de “Ovelha Negra”, ou seja, aquela pessoa que, ao invés de ir pelo caminho do bem, enveredou-se pelo lado oposto.

“Até os 12 anos de idade, Anderson foi um rapaz normal. Mas a partir dos 13, envolveu-se com as drogas e a vida da família virou um inferno. Aos 17 anos, ele foi um “mula” no Paraguai (“Mula” é o nome dado àqueles que transportam droga escondida). Por causa do vício, envolveu-se com assalto e até sequestro relâmpago”, conta.

“Infelizmente a mãe e a avó sempre queriam mascarar a condição dele. É preferível dizer que ele era “louco”, que é um bipolar, que está em tratamento psiquiátrico do que encarar a verdade, que é o envolvimento com drogas. Essa versão de distúrbio é melhor para divulgar publicamente do que falar de envolvimento com drogas. Além disso, tinha um outro problema: o pai dele é policial. É problemático ser agente da lei, mas com um filho envolvido com o crime”, observa Devanir.

 

SITUAÇÃO DELICADA

Segundo ela, parte da família tentava “mascarar a situação” por vergonha, ainda mais que a avó dele foi candidata a vereador e a família ser envolvida com a comunidade e a política.

É até normal. Quem é que iria falar tão abertamente que um membro de sua família é a “Ovelha Negra” envolvida com drogas?

Mas para Devanir, o erro foi que a mãe e a avó não deveriam ter passando tanto a mão na cabeça de Dandam “não deixando a gente saber dos fatos”.

É claro que não é uma situação fácil. Afinal de contas, como lidar com um filho viciado em drogas requer muito sangue frio e certas técnicas de psicologia.

Para Devanir, passar a mão na cabeça não é nem foi a melhor solução. O estar sempre a postos para tirar o jovem da prisão e de arranjar advogado para defendê-lo, ao invés de ajudar na resolução do problema, acabou piorando.

É verdade que não é algo fácil de se lidar. No entanto, se ao invés de ajudar a tirá-lo da prisão, a família simplesmente deixasse-o resolver o problema por conta própria, talvez “ajudasse” Dadam a refletir melhor seus atos.

 

INVEJA

Segundo Devanir, o jovem Anderson era invejoso e ciumento e esses sentimentos afloravam quando via gente feliz, alegre, de bem com a vida.

Anderson tinha algo contra Jairo? Segundo Devanir, absolutamente nada. Jairo não fez nada que pudesse provocar a raiva do jovem.

Parte da família, que tinha verdadeira vergonha dele, o tratava com certa frieza, mas não o impediu de entrar na casa na noite de sexta para sábado (de 17 para 18 de maio último) durante um churrasco da família, depois do qual houve a tragédia.

Naquela noite, Dadam teria dito a um primo: “Eu quero matar alguém”. O primo estarrecido disse: “Olha, não é assim. Que é isso?”

O grave da situação era que Anderson estava de condicional, isto é, pouco tempo antes estava preso por problemas com drogas, mas ganhou o direito de voltar para casa, mas não podendo sair à noite.

No entanto, segundo Devanir, Anderson não obedecia essas restrições judiciais e saia normalmente como se fosse uma pessoa livre. Certas vezes postava suas noitadas no instagram.

 

REFLEXÕES

Por que Anderson matou Jairo? Por que ele atacou de costas? Aliás, que loucura deu nele em matar gratuitamente o esposo de sua tia?

Para Devanir, a combinação drogas, o sentimento de inveja e certa sandice momentânea acabou misturando-se para consumir a tragédia.

A família está muito, mas muito abalada. A mãe e a avó de Anderson pediram “perdão” para a viúva Devanir.

Ela tinha muitas reservas com relação a Anderson, mas nunca passou por sua cabeça a possibilidade do seu sobrinho “Ovelha Negra” fazer uma atrocidade dessas tão gratuitamente.

O primeiro netinho de Devanir vai nascer dentro de uns 20 dias. Jairo aguardava o momento de ver pela primeira vez seu netinho. Anderson tem de pagar por esse crime. Que ele pague seu crime na justiça dos homens, antes da Divina.

E no mais, é ter forças para prosseguir. Uma coisa é perder um ente querido para uma doença. Ninguém se revolta. Outra é perder por uma covardia e estupidez tão grande. Não há palavras para definir isso.

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