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Prezados leitores. A polêmica da vez foi o anúncio de que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pretende nomear seu filho Eduardo Bolsonaro como embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Virou a maior polêmica, ainda mais que Eduardo não é diplomata de carreira, é filho biológico do presidente (é ou não caso de nepotismo?) e, ainda por cima, o jovem de 35 anos recém completados, disse ter experiência de “fritar hambúrgeres nos Estados Unidos”, declaração esta que a Globo, inimiga de Bolsonaro, vem usando e abusando para levantar a opinião pública contra o presidente.

Mas pensando bem: como é que Bolsonaro iria cometer uma gafe dessa magnitude insistindo num “erro” desse tamanho?

Deve ter uma razão e tem. O problema é que a imprensa não quer apresentar os reais detalhes da história. A questão é: com tantos diplomatas de carreira, por que Bolsonaro quer queimar o filme colocando seu filho “fritador de hambúrgueres” justamente no mais alto posto da diplomacia brasileira e na mais cobiçada e talvez mais luxuosa embaixada brasileira no exterior e, ainda por cima, na capital do maior império mundial? Entre um “fritador de hambúrgueres” e um embaixador de carreira do Itamaraty, quem é o mais habilitado a esse cargo?

Bolsonaro assim justificou-se, conforme consta no Jornal Nacional de quarta-feira desta semana (17/07): “Se vocês pegarem de 2003 prá cá, o que os embaixadores que nós tivemos do Brasil nos EUA fez de bom prá nós? Nada”.

Em resumo: a Globo não está indo atrás se Bolsonaro está exagerando, mentindo ou dizendo a mais pura verdade ao afirmar que os embaixadores brasileiros nos EUA dos últimos 16 anos “nada fizeram”.

O que o presidente quis dizer com isso? Percebe-se nitidamente que Bolsonaro não quis prolongar-se muito nessas declarações para não ferir suscetibilidades e criar mais polêmica, mais do que já foram criadas, mas o fato é o seguinte: qual é a “produtividade” dos diplomatas? Quando eles assumem as embaixadas, o que de concreto realizam de proveitoso para o Brasil?

Bolsonaro quer nomear seu filho porque primeiro trata-se de alguém da sua mais alta confiança e, em segundo, acredita que Eduardo será mais trabalhador e conquistará mais resultados em negociações diretas com o governo norte-americano do que dar essa missão a diplomas de carreira.

Vamos reproduzir artigo publicado por um jornalista chamado Eduardo Homem de Carvalho que nos lança luzes para entender qual a razão profunda de Bolsonaro ter entrado numa polêmica aparentemente tão “desnecessária”.

Aqui vai a reprodução do artigo: “É preferível um fritador de hamburgers do que um comedor de caviar, faisões e tomador de vinhos caríssimos…

Após levantada a questão a respeito do nepotismo (hoje sabemos que não se trata de nepotismo – por ser um cargo político) vamos analisar como o Brasil sempre conduziu seus embaixadores mundo a fora. Vou dar dois exemplos, e duvido que os outros foram diferentes.

Na minha juventude conheci em Belo Horizonte a família Flecha de Lima inclusive o embaixador Paulo Tasso Flecha de Lima, através de sua tia, dona Déa Flecha de Lima que trabalhava no cerimonial do Palácio da Liberdade. Servidora temida por todos, ela era tia do embaixador Paulo Tasso que a colocou para trabalhar com Francelino Pereira, ex-governador de MG. Dona “Deinha” não tinha papas na língua e entregava todo mundo, até a família.

Paulo de Tasso, um cara bobo que não gostava de falar com qualquer um, foi Secretário-Geral do Ministério das Relações Exteriores e Embaixador do Brasil em Londres, Washington e Roma.

Sua esposa, Lúcia, foi Secretária de Turismo do Distrito Federal, mas foi em Londres que ela se tornou uma locomotiva do jet-set internacional – “uma social climber”. Fez amizade rapidinho com Lady Di que abriu as portas do mundo dos ricos e famosos e com ela tomava chá em companhia de dona Lily Safra, viúva do dono Banco Safra, Edmund Safra e outras figuras da realeza britânica. Muito charmosa e bonita, Lúcia vivia uma vida nababesca em Londres. Conhecida pelos badalados jantares, a embaixatriz torrava o dinheiro do povo brasileiro, sem a menor cerimônia e decorava a embaixada com obras e adornos suntuosos.

Paulo de Tasso foi então convidado a assumir a embaixada em Washington e na embaixada a embaixatriz recebia a aristocracia britânica, inclusive Lady Di que se tornou amiga íntima da família. Nessa época Lúcia já era conhecida e muito falada, por sua fama, elegância, sucesso, graças ao nosso dinheirinho. Paulo de Tasso era um zero a esquerda, mas ávido por dinheiro.

Anos se passaram e os Flexa de Lima foram transferidos para a embaixada do Brasil mais bonita no exterior, O Palácio Pamphilj perto do vaticano construído entre 1644, que abrigava um acervo de arte de dar inveja a qualquer museu europeu. Mas a embaixatriz, não gostou do que viu e resolveu reformar o Palácio assim que chegou. Chamou o arquiteto Luciano de Lima, e em primeiro lugar fez de um quarto, um armário especial para acomodar o imenso guarda-roupa com peças de Valentino, Giorgio Armani e Guilherme Guimarães, sem fazer ideia do número de sapatos que tinha. E não satisfeita reclamava de não receber um salário do Itamaraty para pagar as despesas com suas roupas. Engana-me que eu gosto, embaixatriz…

De cara, e contando com um baita orçamento do governo brasileiro, a dona Lúcia, comandou 25 pedreiros, 20 restauradores, 8 pintores e 5 eletricistas durante oito meses, para a reforma da sede da embaixada brasileira em Roma, projetada no século XVII, cujo prédio abrigava obras de artes únicas em 18 salões no estilo barroco italiano.

Foram gastos milhões nessa reforma. Entende agora porque eu prefiro um fritador de hamburger?

Enquanto isso o Brasil estava na m…, mas a madame embaixatriz tava nem aí. Ela ainda preparou uma megafesta para comemorar seu niver de 60 anos, a reinauguração da fachada principal do palácio e os 500 anos de descobrimento do Brasil. A Piazza Navona, onde fica a embaixada, foi palco de um grande show de Caetano Veloso e Daniela Mercury.

Entre os convivas do casal estavam o presidente Fernando Henrique Cardoso (esse homem me dá asco!) e o presidente da Itália, Carlo Ciampi, estrelas do futebol como Ronaldinho, Cafu, Antônio Carlos e Aldair, além de artistas e autoridades locais. Lúcia tornou-se estrela do mundo diplomático e do high-society internacional por colecionar amizades de milionários de primeira grandeza. Mas, quem pagou o cachê desses artistas? Somado ao transporte, hospedagem, alimentação e passagens? Fomos nós, padecendo da falta de saúde, habitação, saneamento, escolas, creches etc.

De onde vinha tanto poder e por que o cara só era mandado para as principais embaixadas do país? Afinal, não se torna embaixador nos EUA, Londres, Itália a troco de nada. O Itamaraty é um antro de politiqueiros, intrigueiros e por ai vai…

Esse poder surgiu com a estreita amizade da embaixatriz com o poderoso Antônio Carlos Magalhães. Ele mandava e desmandava no Brasil, em políticos, governadores, prefeitos e claro, no presidente da República a época FHC.

Dizem que quando se convive muito com uma pessoa você acaba parecendo com ela. No caso, foi um filho de Lúcia que por coincidência, nasceu com a cara de Luiz Eduardo Magalhães, filho do ex-governador da Bahia, que morreu de infarto enquanto corria em Brasília. A morte de Luís Eduardo Magalhães em abril de 1998 foi um golpe para Lúcia que também o considerava um filho.

Paralelamente a diplomacia, o embaixador cuidava de sua deslumbrante fazenda nos arredores de Brasília de onde saia algodão para ser exportado para vários países. Numa das últimas festas que o casal ofereceu aos amigos, 25 aviões particulares estavam no aeroporto privado da propriedade, incluindo 4 jatinhos.

Na verdade, o fato mais triste de tudo isso era que o casal tinha um filho autista, que raramente era visto com a família, mas mesmo assim o embaixador o nomeou chefe de seu gabinete. Como, se o jovem era impúbere?

Pai não faz isso!

Esse rapaz morreu numa mesa de operação quando tentava fazer uma cirurgia bariátrica. Ele era obeso, fato muito comum entre autistas. O único remédio chama-se carinho.

Está vendo porque confio mais na humildade e honestidade do fritador de humburger!

Outro diplomata gastador e inútil foi Sérgio Amaral. Amigo pessoal de FHC ele também foi para os Estados Unidos, e quando voltou foi Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil.

Também tinha um belo sítio na periferia nobre de Brasília, e para lá iam amigos que hoje estão na cadeia. Trazia de tapete persa a computadores para os mais chegados usando a prerrogativa do passaporte diplomático.

Na verdade, a maioria dos embaixadores, se aposenta rico e não abre mão do luxo a que foi acostumado.

Resumindo, o fritador de hamburger, certamente, não vai ter um AVC de tanto comer caviar, como foi o caso embaixador Flecha de Lima.

Eduardo Bolsonaro será mais humilde e honesto – já tá de bom tamanho”.

Bom! Não podemos atestar se Eduardo Homem de Melo, o autor do citado artigo, está correto ou não em suas informações a respeito de dois ex-embaixadores brasileiros que atuaram em Washington, mas é fato público e notório que a grande imprensa do Brasil muitas vezes só fica na superficialidade.

Ora, o episódio do presidente Bolsonaro querer nomear seu filho como embaixador deveria suscitar matérias como o que realmente faz um embaixador e qual tem sido a “produtividade” deles nas relações com os EUA.

Puxando pela memória. Quando Esperidião Amin foi governador de Santa Catarina pela segunda vez (1999-2002), o que ele fez? Embarcou em avião para a Arábia Saudita e outros países com o objetivo de negociar pessoalmente acordos comerciais para o estado de Santa Catarina.

A pergunta é: isso não deveria ter sido feito pelos diplomatas? Por que o governador teve de dar uma de diplomata? Não é estranho isso?

Na realidade, analisando bem, o exemplo da polêmica do filho de Bolsonaro embaixador poderia e deveria abrir a discussão sobre a necessidade das ilhas de serviço público que simplesmente não funcionam direito. Precisamos acabar com focos de privilégios, mamatas e vida boa dos parasitas dos cargos públicos financiados pelo dinheiro dos nossos impostos. Precisamos de um serviço público que tenha produtividade e resultados práticos. Isso vai para universidades que gastam fortunas para produzir estudos prá lá de duvidosos que não servem prá nada a não ser encher prateleiras até embaixadas que mais se parecem “clubes do whisky”. Aliás, há até um whisky cuja marca é “Ambassador”. Por que será?

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com.

 

Eduardo Bolsonaro. (Foto Divulgação)

 

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