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Não precisamos citar o nome de uma senhora do centro de Biguaçu, mas o caso é verídico.

Certa vez, ela decidiu fazer um pequeno jardim na frente de sua calçada. Contratou pedreiro para fazer um canteiro encostado ao muro e, depois que o cidadão fez o serviço, ela plantou inúmeras plantas ornamentais para embelezar sua casa.

Entre plantas que conseguiu com amigas e outras compradas em floriculturas, sem falar das que cujas sementes colocou, a senhora conseguiu embelezar seu canteiro.

Mas logo vieram as incomodações. Em primeiro lugar, não passava semana em que não dada conta do sumiço de alguma de suas plantas, principalmente aquelas com flores. Em segundo, como o jardim encontrava-se em plena rua (o canteiro ficava junto ao muro, mas aberto a quem quer que estivesse passando pela calçada), volta e meia via galhos quebrados e outros pequenos danos em suas plantas provocados por transeuntes que simplesmente não resistiam à maldade de praticar pequenos vandalismos naquelas plantas.

A senhora não se deu por vencida. Sempre estava arrumando seu jardim não importando os ataques, mas os roubos não paravam. Era um inferno.

E num certo dia, foi a gota d´água. Uma certa plantinha da qual a senhora tinha certa apreciação, “escondida” em certo canto, comprada numa floricultura, foi levada sem a maior cerimônia na calada da noite.

A senhora decidiu que chega. E o que fez? Chamou um pedreiro para desmanchar o canteiro. As plantas que sobraram foram arrancadas, algumas doadas, outras simplesmente jogadas na lata do lixo e o canteiro acabou completamente desmanchado. O local voltou a ser calçada.

Por que estamos falando dessa história? Por causa de uma notícia nos jornais desta semana de Florianópolis. A notícia é a seguinte: uma espécie rara e em vias de extinção de um certo tipo de bromélia foi roubada do Jardim Botânico de São José. Funcionários constataram na manhã da segunda-feira desta semana (29/07) que alguém invadiu o local no último fim de semana e levou o exemplar de “Dyckia distachya”, um tipo de bromélia que não existe mais na natureza e era encontrada antigamente apenas no oeste de Santa Catarina, outrora região de extensa floresta que acabou devastada para dar lugar à agricultura comercial.

Segundo a direção do Jardim Botânico, quem roubou a “plantinha” é gente das proximidades e talvez não saiba a importância científica da dita bromélia, que chegou ao local por doação de um colecionador chamado Admir Reis. O objetivo da instituição era tentar reproduzir a dita planta justamente com o objetivo científico de tentar tirá-la da lista de vias de extinção.

E a coisa não para por aí. A dita bromélia não foi a única roubada do Jardim Botânico. Antes havia quatro mil bromélias no local, tudo doação de um engenheiro agrônomo chamado Max Hablitzel. Mas desse acervo, só sobraram atualmente 2.600, pois as outras 1.400 já foram simplesmente surrupiadas.

Em resumo: é um inferno. O povo rouba mesmo. Não pode marcar bobeira. Se não tiver vigilância, guardas armados, cercas elétricas e outros dispositivos de segurança, não importa o que seja, se Jardim Botânico, cemitério, galpão abandonado, qualquer lugar que tenha objetos armazenados, sempre vão aparecer ladrões.

Nesta semana, segundo o noticiário nacional, bandidos invadiram o campus da URJ (Universidade do Rio de Janeiro) para roubar cobre da fiação elétrica. Na ação, provocaram explosões que provocaram a interrupção da energia e geladeiras, incubadoras e outras máquinas que armazenavam experimentos científicos de cursos como engenharia química, bioquímica, biologia, entre outros, foram desligadas. Resultado: as amostras e outros testes foram perdidos. Trinta anos de pesquisas perderam-se.

Este é o Brasil onde é inconcebível manter uma propriedade onde não haja muros, cercas, arame farpado e guardas, quem sabe armados e com pit bulls.

Num país como este, não é de se espantar que todo santo dia a imprensa não divulgue casos de corrupção. É desvio de dinheiro público na prefeitura tal, esquema de vereadores desviando verba pública em diárias fictícias, operações da Polícia Federal em não se sabe em quantos estados simultaneamente, propinas das mais diversas cobradas por políticos, golpes, falcatruas, Mensalão, Petrolão, Lava-Jato, ex-presidente preso e outro ex acusado de chefiar ume esquema que perdurou por 40 anos ininterruptos de desvios no porto de Santos etc, etc e etc.

Num país onde é impossível manter um simples jardim sem que não haja roubos (convenhamos, roubar uma porcaria de uma plantinha é o fim da picada), não se admira que a podridão acabe generalizada.

 

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com.

 

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