Publicidade

A maior razão para combater o cerol e a linha chilena no Brasil

Na década de 1980, quando eu era estudante em Florianópolis e ia de ônibus de Biguaçu para a capital diariamente, havia uma brincadeira prá lá de exótica entre a garotada que se reunia principalmente na parte de trás do coletivo. No meio da viagem, alguém gritava de repente que havia um acidente e dizia: “olha a cabeça que está rolando ali”.

Não sei de onde vinha essa brincadeira, se era em alusão a uma cena de seriado televisivo ou sabe-se lá de onde, mas a frase provocava a maior algazarra no ônibus. Afinal de contas, os estudantes corriam para as janelas com o objetivo de ver o acidente e a(s) suposta(s) cabeça(s) rolante(s).

Lembrei-me dessa brincadeira exótica que não sei se ainda é feita entre os estudantes da geração atual, da geração internet, mas as cenas que recebi nesta semana pelo whatsApp de um terrível acidente ocorrido em Itapecerica da Serra, São Paulo, mostram que não é tão difícil assim cabeças realmente rolarem pelas rodovias do Brasil. Certamente se um ônibus com estudantes estivesse passando no exato momento e alguém gritasse “olha a cabeça que está rolando ali”, não estaria blefando.

Caros leitores. Estava na dúvida se devia ou não publicar as CHOCANTES fotos sobre o assunto deste dia. Certamente muitos leitores, principalmente as mulheres, ficarão chocadas. Mas não se trata de sensacionalismo. Pelo contrário. Trata-se de um choque de realidade, um “sacudão”, uma conscientização com relação ao perigo do cerol e da linha chilena, um tipo de linha industrial que vem sendo usada pela garotada para soltar pipas.

Não vou colocar todas as fotos chocantes. Apenas duas, as menos impactantes As outras colocaremos no site, mas com a advertência de que as imagens serão muito fortes e que não devem abrir a página se são pessoas sensíveis.

As imagens de que estamos falando são de um motoqueiro que morreu DECAPITADO ao ser atingido bem na altura do pescoço por uma linha chilena.

Sim, ele foi DECAPITADO por uma linha de pipa que caiu na rodovia e o motoqueiro, que trafegava numa moto esportiva potente, não viu e, quando menos se deu conta, sua cabeça voou literalmente.

Querem mais motivo para aceitar a ideia de que é preciso ser muito, mas muito radical no combate ao cerol e à linha chilena?

Em 20 de julho último, tivemos o caso de Josiane Marques, funcionária da DVA de Barreiros, São José, que estava voltando do serviço e indo de moto à casa de seu pai para um almoço de família. E a tragédia aconteceu. Josiane foi atingida na altura do pescoço por uma linha com cerol.

Até o presente momento, o(s) responsável(is) não fo(ram) preso(s) ou identificado(s). Tudo indica que se tratava de crianças.

Josiane teve uma morte terrível. Segundo relatos, o sangue espichou aos borbotões. Quem presenciou a tragédia ficou impotente, ainda mais que nem todos têm conhecimentos de pronto socorro.

E recentemente aconteceu o caso de Itapecerica da Serra (SP) digno do antigo seriado em vídeo “Faces da Morte”. A diferença é que a vítima de lá talvez nem teve tempo de pedir socorro. Quando se deu conta, sua cabeça rolou.

O Brasil é a terra do famoso “jeitinho”, mas com cerol e linha chilena, não é possível mais aceitar tanta displicência.

Crianças e adolescentes flagrados com esses materiais em suas pipas têm, devem e é recomendável serem recolhidos para delegacias ou conselhos tutelares para que os pais e responsáveis venham buscá-los e assinarem termos de compromisso. Numa segunda apreensão, esses pais pagariam multas.

Estabelecimentos que forem flagrados vendendo linha chilena têm de ser multados ou até mesmo serem fechados.

É preciso ter uma campanha permanente de conscientização dos estudantes nas escolas com relação aos perigos do cerol e da linha chilena.

Aliás, a brincadeira da pipa deveria até mesmo não ser incentivada. Percebe-se nitidamente que as pipas são muito comuns em bairros humildes. Nas regiões de classe média, as crianças e adolescentes tendem a não brincar de pipa. Por quê?

A resposta é muito simples: eles estão ocupados. Se vão para a escola de manhã, à tarde, estão fazendo cursas extras (inglês, violão, esportes, reforço escolar etc) e não têm tempo de estarem soltando pipa.

Nos bairros mais humildes, as crianças e adolescentes estão geralmente mais desocupados de manhã ou à tarde, depois da aula.

Uma medida talvez “simples” seria promover atividades extraclasses nas escolas locais para tirarem as crianças das ruas e, consequentemente, estarem soltando pipas com cerol e linhas chilenas. Não poderia haver oficinas de arte ou treinamento de futebol, basquete, vôlei, entre outras modalidades de esporte, para ocupar os alunos até o final da tarde?

Vale lembrar que não há o costume de soltar pipas à noite. Portanto, se as crianças e adolescentes estiverem ocupados de dia, certamente haverá menos pipas sendo soltadas nesses horários.

Enfim, é preciso uma mobilização geral contra o cerol e a linha chilena e, por que não, contra a pipa. Precisamos combater isso com todos os recursos de medidas inteligentes e práticas possíveis.

É só fazer estatísticas básicas. Combater o cerol e a linha chilena é evitar novas mortes de motoqueiros ao longo dos próximos dias, meses e anos. Serão menos famílias chocadas com tragédias estúpidas.

Isso não é brincadeira. É sério. E estamos falando de um país onde o número de motos não para de crescer, pois, devido ao trânsito caótico das nossas cidades, cada vez mais pessoas estão usando motos para locomover-se, ainda mais pela economia de combustível que as motos proporcionam. Vale lembrar também que cresceu o número de motoqueiros que trabalham em serviços de tele entrega. São entregadores de pizzas, mercadorias, correspondência, entre outras mercadorias.

Imaginem o perigo que esse povo está enfrentando com relação a pipas caídas nas rodovias.

O Brasil tem de parar com essa cultura do “jeitinho”, do “deixa como está para ver como é que fica”, “empurrar com a barriga” etc. Essa irresponsabilidade de fiscalizar, punir e falta de tolerância zero só faz aumentar o número de mortes estúpidas e perfeitamente evitáveis no Brasil.

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com.

 

Motoqueiro acabou decapitado por causa de uma linha chilena. (Foto Divulgação- WhatsApp) (02
Moto em que o motoqueiro atingido pela linha chilena trafegava na hora da tragédia. (Foto Divulgação- WhatsApp)

Tragédia do Cerol. (Foto Divulgação- WhatsApp)

 

JBFoco Online – Sexta-feira (09/08/2019)

 

https://chat.whatsapp.com/CwLeRbK861A1Ks6fButk29

Clique no link acima e receba gratuitamente notícias do JBFOCO regional. Nesse grupo não existe interação. Somente recebimento de matérias jornalísticas de Biguaçu, Antônio carlos, Governador Celso Ramos e região.

Publicidade