Publicidade

Adelbert von Chamisso (1781-1838). (Reprodução Google Images) 

Em 1815, um viajante chamado Louis-Charles-Adelaïde Chamisso de Boncurt, nascido em Champagne, na França, em 1781, e falecido em Berlim, Alemanha, em 1838, passou por São Miguel em 1815, onde registrou a respeito de um cidadão alemão que residia ali em seu livro “Reise um die Welt” (Viagem pelo Mundo), 1818). Era um dos milhares de franceses que fugiram dos tumultos da Revolução Francesa (1789-1794). Chamisso veio parar na Alemanha.

Mas que era esse cidadão que assinava como “Adelbert von Chamisso”?

Sobre esse personagem, há a seguinte referência no livro”Em Busca do Liliput- Uma visão geral e curiosa dos menores países do mundo” (1997), de autoria de Luiz J. Gintner, um catarinense  oriundo de Treze Tílias, residente no Rio de Janeiro e fascinado por pequenos países, lembrando sua infância na citada cidade do interior catarinense, um “pedacinho” da Áustria em pleno Brasil.

Gintner comentou: “Com sete anos, já declamava a poesia de Adelbert von Chamisso, “Das Riesenspielzeug”- (Brinquedo de Gigante) e conhecia a lenda do “Homem que vendeu a Sombra” do mesmo autor.”

O que chama a atenção é que esse tal de Adelbert von Chamisso, que esteve em São Miguel, Biguaçu, sobre o qual escreveu algumas linhas, não era qualquer pessoa, mas sim um importante poeta do Romantismo alemão, sem citar também que foi um botânico com grande contribuição a esta ciência.

Em Biguaçu, sua passagem por aqui é completamente ignorada, ou seja, não deixou qualquer lembrança na historiografia local.

 

SÃO MIGUEL, BIGUAÇU

Vamos o seu relato a respeito de sua passagem pelas terras que hoje foram o município de Biguaçu:

 

“Quando Krusenstern (um navegante) estivera aqui, há 12 anos, a bordo estava nosso comandante Otto von Kotzebue, e ancoraram as naus “Nadeshda” e “Neva” aproximadamente no mesmo local, montado seu observatório na pequena ilha de “Atomery” (Anhatomirim), onde está situado o forte de Santa Cruz.

Naquela época, um senhor nascido na Prússia (Alemanha) e de nome Adolph, residente em São Miguel, cerca de cinco milhas distante de nossa barraca, havia convidado os oficiais para que fossem seus hóspedes, abrigando-os de maneira a mais cordial.

Otto Astawitsch tinha o amigo em boa lembrança; informou-se dele e foi-lhe informado que tal senhor havia falecido, mas que a viúva ainda vivia, decidindo-se ele então a visitar a conhecida senhora; fomos em peregrinação a São Miguel.

Esta viúva não era a senhora que Otto Astawitsch conhecera, mas uma jovem com quem Adolph casara em segundas núpcias, logo após o falecimento da primeira.

Ela hospedava um patrício e amigo na sua casa, bem reconstruída. Há anos atrás os oficiais russos haviam deixado suas assinaturas nas paredes da casa amiga; agora, estava tudo pintado com caiação. Sequer o local onde os nomes estiveram escritos foi-nos possível encontrar e ninguém sabia informar, como a memória de Adolph, falecido há um ano, estava tão apagada quanto a lembrança dos russos aqui aportados.” (Pág. 325)

ESCRAVOS

Em seguida, Chamisso descreve mais detalhes sobre São Miguel, principalmente sobre o trabalho escravo:

O tráfico de escravos ainda florescia aqui. Só o governo de Santa Catarina necessitava, anualmente, de uma quantidade de cinco a sete navios negreiros, cada um com média de cem negros; eram usados em substituição aos que morriam cada ano nos serviços da lavoura. (…)

(…) (…) A imagem destes escravos nos engenhos, onde descascam o arroz em pilões de madeira com pesados soquetes, num trabalho que obedece à cadência peculiar de um gemido, é dolorosa e deprimente. Tais trabalhos na Europa são prestados pelo vento, pela água e pelo vapor.

Em São Miguel já existia um engenho movido a água, na época em que aqui estivera Krusenstern (1803). Os escravos que estão nas casas dos senhores ou mesmo junto às famílias mais modestas, têm melhor aspecto humano que os usados unicamente como força motora.

No entanto, nunca fomos testemunhas de crueldade aos mesmos.” (Pág. 235)

 

JBFoco Online – Quinta-feira (15/08/2019)

 

https://chat.whatsapp.com/CwLeRbK861A1Ks6fButk29

Clique no link acima e receba gratuitamente notícias do JBFOCO regional. Nesse grupo não existe interação. Somente recebimento de matérias jornalísticas de Biguaçu, Antônio carlos, Governador Celso Ramos e região.

Publicidade