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Semanalmente recebo e-mail da editora L´Harmattan, com sede em Paris, França, informando sobre seus lançamentos.

Li com atenção um desses e-mails de livros lançados. Vou destacar alguns.

 

  • Petits Bandits, Petits Voleurs, Petits Sorciers (Trad.: Bandidinhos, pequenos ladrões e feiticeirozinhos). Um estudo sobre meninos de rua de Kinshasa, capital do Congo, país africano.
  • Les Emprunts Arabes dans la langue Comorienne (Trad.: Empréstimos árabes na Língua Comoriana). Refere-se à ilha Comores? Onde é que fica isso? É uma ilha do oceano índico, ao leste da África. Qual língua é falada pelo povo de Comores? Sei lá, mas o autor do livro em questão aborda a influência árabe no idioma local.
  • Destin d´une famille arménienne aux XXe siècle en photos (Destino de uma família armena do século XX em fotos). A história de uma família que escapou do genocídio contra os armênios pelo exército turco em 1915, durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918). O livro conta a saga de órfãos que escaparam do massacre na Armênia e se refugiaram na França.
  • Femmes et Politique, Femmes Politiques (Mulheres e Política, Mulheres Políticas). Um estudo do papel da mulher na política francesa.
  • Faire face aux risques en Agriculture (Enfrentar os riscos na Agricultura). Um estudo sobre os vários riscos climáticos e burocráticos que os agricultores franceses enfrentam no dia-a-dia de seu trabalho.
  • Face au problème de la violence en milieu universitaire ivoirien (Face ao problema da violência no meio universitário da Costa do Marfim). Como o título informa, um estudo sobre a violência dentro das universidades desse país africano.
  • La Turquie et ses nouveaux Alliés (A Turquia e seus novos aliados). Um estudo de política internacional com enfoque no papel atual da Turquia.
  • Mon aventure pétrolière- Le témoignage d´un géologue en Afrique et au Moyen-Orient (1955-1975) (Minha aventura petroleira- O testemunho de um geólogo na África e no Oriente Médio (1955-1975). Tratam-se das memórias de um geólogo francês em suas passagens por vários países pesquisando e perfurando poços de petróleo.
  • La souffrance- une clef de lecture pour l´oeuvre romanesque de Mariama Bâ (O sofrimento- uma chave de leitura para (entender) a obra literária de Mariama Bâ). Quem é Mariama Bâ? Uma romancista do Senegal, país africano. O livro é um estudo sobre essa escritora feminista.

 

E a lista continua por páginas e mais páginas de lançamentos, mas paro por aqui. A pergunta é: por que estou falando desses livros?

A resposta é simples. Chama a atenção a variedade de temas dos livros lançados na França. Lá publica-se muito e é de uma variedade surpreendentemente cosmopolita. Como vimos aqui, são estudos sobre meninos de rua numa capital africana, memória fotográfica de uma família de refugiados oriundos de um país distante, manual para agricultores, memórias de um geógrafo francês que morou em vários países da África e do Mundo Árabe, pesquisa sobre uma escritora africana etc.

Essa variedade cosmopolita não se vê aqui no Brasil. Se ninguém me provar o contrário, não encontramos estudos sobre meninos de rua de capitais africanas, biografias de romancistas de países árabes, uma coletânea dos “melhores” contos da literatura turca traduzidos para o português brasileiro, compêndios sobre idiomas exóticos, memória de profissionais sobre sua atuação etc, etc, etc.

Percebe-se nitidamente que o mercado editorial brasileiro não apresenta o caráter cosmopolita do francês. É lamentável. Por quê?

O mercado editorial brasileiro reflete os problemas da educação do país. O estímulo à leitura pode, deve e precisa ser fomentado nas escolas, mas os alunos, segundo pesquisas, mal entendem uma simples carta, que dirá poderem ler livros inteiros.

Não vamos muito longe. Aqui mesmo em Biguaçu, agora com 68 mil habitantes. Perguntar não ofende, mas quantas livrarias há na cidade? Bom! Não é preciso responder, pois é vergonhoso.

Sabe-se que há escolas ininterruptamente em Biguaçu desde 1906, ou seja, há 113 anos.

Desculpem a franqueza, mas em um século, as escolas em Biguaçu não conseguiram formar um mínimo de leitores que consumissem livros. Entende-se agora cristalinamente a razão de Biguaçu, uma cidade de médio para grande porte, mas sem uma única livraria em seu território, o que revela a instrução precária da média de sua população.

Não existe educação de qualidade sem que o estudante se torne leitor e, quem sabe, até de gosto cosmopolita, ou seja, tem o senso de curiosidade despertado.

Mas só no Brasil para achar que o simples ato de concluir a escola e receber certificação já é o suficiente para dizer que a educação melhorou. Sem adquirir o hábito da leitura e consequentemente o de comprar livros, não passa de mero receber um certificado. Sem leituras, não há como progredir no mundo do conhecimento.

 

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com.

 

JBFoco Online – Terça-feira (03/09/2019)

 

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