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Matérias que saíram na imprensa de Macau sobre o jornalista Ozias Alves Jr por causa de sua pesquisa sobre o Patuá di Macau 

Matérias que saíram na imprensa de Macau sobre o jornalista Ozias Alves Jr por causa de sua pesquisa sobre o Patuá di Macau
Reportagem no jornal Tribuna de Macau em 22 de julho de 2015. (Foto Reprodução)
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Na pesquisa que fez para redigir o livro “Parlons patuá di Macau”, que poderá ser publicado neste ano de 2019 pela editora L´Harmattan, o jornalista Ozias Alves Jr, editor do portal Jornais em Foco (www.jbfoco.com.br), foi entrevistado por jornais em língua portuguesa publicados naquela cidade do sul da China, que até 1999 era possessão portuguesa.

Confira as matérias:

 

  1. Jornal Tribuna de Macau, 22 de julho de 2015 

PATUÁ CONTADO EM FRANCÊS COM “TOQUE” BRASILEIRO

 

Reportagem no jornal Tribuna de Macau em 22 de julho de 2015. (Foto Reprodução)

 

22 JUL, 2015

20150722-01f

 

Ozias Deodato Alves, jornalista brasileiro radicado no seu país, está a escrever “Parlons Patuá di Macau”, um livro sobre patuá redigido em francês. A obra, que deverá ver a luz do dia ainda este ano, irá incidir sobre a história da cultura macaense, abordando os vários aspectos relacionados com a descrição gramatical da língua, conversação, entre outros

Pedro André Santos

Jornalista de profissão, Ozias Deodato Alves aproveita o pouco tempo livre que tem para fazer pesquisas sobre idiomas minoritários brasileiros. Posteriormente, utiliza esses dados para ir publicando vários livros através da editora francesa L´Harmattan, responsável pela colecção “Parlons” (que significa “falemos”), que tem a ambição de “descrever todas as línguas e dialectos do mundo”.

Depois de alguns trabalhos sobre idiomas estrangeiros, Ozias acabou por chegar ao patuá de uma forma bastante curiosa. “Um estudante universitário japonês de São Paulo, chamado Yuji Himoro, que teve acesso ao meu livro ‘Parlons hunsrückisch’, mandou-me um e-mail sugerindo publicar um volume sobre patuá. Confesso que nunca tinha ouvido falar antes nesta língua, mas aceitei a sugestão e fui à luta. A curiosidade impulsionou-me”, disse o Ozias em entrevista ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

Feita esta primeira abordagem, o jornalista, que foi distinguido ao longo da sua carreira com alguns prémios, iniciou contactos para explorar o tema, tirando partido de viagens que fez a São Paulo. “No início de Abril fui à Casa de Macau em São Paulo, clube social dos imigrantes macaenses, onde entrevistei Rogério Luz, divulgador da língua e cultura macaenses através da internet, a irmã Yolanda Ramos, actriz de peças em patuá, o marido  Manoel Ramos, e Mariazinha Carvalho, uma teatróloga”, contou.

A partir daí começaram a nascer contornos mais específicos para a elaboração de “Parlons Patuá di Macau”, livro sobre a língua maquista que será redigido na sua totalidade em francês.

Aproveitando a “era da internet”, tornou-se possível recolher mais facilmente a informação necessária, ao mesmo tempo que o autor ia fazendo os contactos necessários. “Tenho a impressão que entrei num tema muito interessante, literalmente uma viagem para um outro mundo, um aprofundamento sobre a língua portuguesa. O patuá está a ser uma oportunidade para conhecer melhor o português. Os brasileiros não fazem a mínima ideia da existência de uma língua destas, muito menos a história de Portugal no extremo oriente”, acrescentou Ozias que, curiosamente, vem de uma família com origens portuguesas.

Sobre a publicação, o autor conta que irá dividir-se em cinco partes, como habitualmente acontece nos livros da série “Parlons”. Assim, irá abordar não só a história das pessoas que praticam o idioma (macaenses), como fazer uma descrição gramatical do mesmo. Conversações, cultura e léxico compõem as restantes partes do trabalho. “O objectivo deste tipo de livros não é ensinar a língua – apesar de haver alguns volumes de ‘Parlons’ que são verdadeiros cursos completos – mas sim descrever o idioma e a cultura do povo falante. Este tipo de livro, descritivo para dar uma ideia geral sobre o assunto, não existe no Brasil e desconheço uma ideia parecida em publicações em inglês e alemão”, notou.

 

Idioma desconhecido

De forma mais compacta, Ozias define do seu trabalho como “uma descrição de uma língua e um povo que os brasileiros e os franceses na sua esmagadora maioria não têm a mínima ideia de sua existência”.

A publicação, contudo, será lançada apenas em França, pelo menos para já, o que acaba por limitar bastante o mercado. “Há pessoas que me dizem que não sabem falar francês e pedem-me o original em português, ao que eu respondo que não existe porque escrevi directamente em francês. A razão é simples: se escrevesse em português para depois traduzir ao francês, seria mais um livro meu que estaria a ganhar mofo na gaveta por falta de publicação. No Brasil, a esmagadora maioria das editoras não está interessada na publicação de livros, são os autores que têm de pagar pela publicação”, lamentou Ozias, apelidando-se, por isso, como um “refugiado linguístico”.

Apesar de nunca ter visitado Macau, o jornalista contou que a sua investigação tem “despertado uma vontade imensa de vir a conhecer” o território. “Parlons Patuá di Macau” deverá estar concluído ainda este ano, mas já “abriu” uma outra porta para Ozias, tendo recebido uma proposta da editora L´Harmattan para escrever um livro sobre a língua portuguesa falada no Brasil.

Patuá contado em francês com “toque” brasileiro

 

2) Jornal Tribuna de Macau, 05 de fevereiro de 2018

 

 

Trecho do artigo no jornal Tribuna de Macau de 05.02.2018 em que o jornalista é citado. (Foto Reprodução)

 

JTM, 05-02-2018

 

3. Tribuna de Macau. Edição 23.02.2018

 

LIVRO SOBRE PATUÁ PODE SER LANÇADO EM 2018

 

23.02.2018. Jornal Tribuna de Macau. (Foto Reprodução)

O jornalista brasileiro Ozias Deodato Alves terminou o livro “Parlons Patuá di Macau”, que espera ser publicado este ano. O autor, que nunca se deslocou a Macau, estima que existam 20 a 30 falantes de patuá no Brasil e considera que o teatro cómico macaense é “património da humanidade”

 

Salomé Fernandes

 

O “Parlons Patuá di Macau” é um livro sobre o patuá, fruto da investigação do jornalista brasileiro Ozias Deodato Alves, a ser publicado pela editora francesa “L’Harmattan”. A investigação sobre o dialecto foi feita no tempo livre do autor, que se dedica ao estudo de idiomas minoritários. Em 2015, indicava à TRIBUNA DE MACAU que o livro deveria ser publicado ainda nesse ano. Superados os problemas inesperados, prevê agora que chegue às livrarias em 2018.

“Espero que o livro esteja à altura da formidável cultura macaense, cujo teatro cómico é um património da humanidade”, disse o autor em declarações à TRIBUNA DE MACAU. Foi através de Yuji Himoro, um estudante japonês de São Paulo, que o escritor soube da existência do patuá. “Tinha a mais absoluta e completa ignorância sobre o assunto. Movido pela curiosidade, iniciei a pesquisa”.

Em 2015 deslocou-se à cidade mais populosa do Brasil para conhecer a comunidade macaense aí residente. No ano seguinte acelerou a redacção para concluir o volume sobre o patuá, e terminou tudo em Fevereiro de 2017. Pelo meio, foram as novas tecnologias a permitir-lhe reunir o material para a publicação, visto que nunca se deslocou a Macau.

“Fiz várias entrevistas usando o Facebook. Entrevistei, por exemplo, a dona Maria João Ferreira, sobrinha do famoso poeta Adé, o pai do patuá, por ‘chat’”, explicou Ozias Deodato Alves.

Foi Maria João Ferreira quem lhe enviou artigos publicados em Portugal e Macau, bem como o apoiou com o cantonês. “Vale lembrar que há textos em patuá repleto de citações tanto em português lusitano como em inglês e em cantonês”, comentou. As redes sociais permitiram-lhe ainda o contacto com Carlos Coelho.

Da comunidade que vive no Brasil, recorreu a Rogério Luz, que mantém o blog “Crónicas Macaenses”, e Mariazinha Carvalho, uma autora de teatro cómico em patuá, bem como a Yolanda Ramos.

O livro é composto por cinco partes distintas, à semelhança das outras obras da colecção “Parlons”. Inicia-se com a história do povo que fala o idioma, passa por uma breve descrição gramatical da língua, por noções de conversação e aborda as diferentes formas culturais associadas ao idioma, como a literatura, música ou arte. Termina com léxico patuá-francês e vice-versa.

“O objectivo dos livros ‘Parlons’ não é ensinar a língua, apesar de que há volumes do ‘Parlons’ que são verdadeiros cursos completos, mas sim descrever o idioma e a cultura do povo falante do mesmo”, explicou Ozias Deodato Alves.

O autor explicou que o atraso na publicação do livro foi maioritariamente motivado pela necessidade de procurar um novo revisor. É agora o actual director da Aliança Francesa de Florianópolis que se encontra a fazer a revisão da obra, depois de o editor da colecção “Parlons” se ter afastado do projecto por motivos de saúde. “Mas acredito que tudo isso vai ser resolvido e o livro sairá neste ano de 2018”, estimou.

“Acredita-se que no Brasil só vivam por volta de 20 a 30 falantes do patuá. É uma língua em vias de extinção”, estimou Ozias Deodato Alves, lamentando que nos censos estatísticos de 2010 no Brasil não se tenha questionado a população em geral sobre os vários idiomas que falam. “Se tivesse feito tal pergunta à população em geral, teríamos hoje números exactos das aproximadamente 300 línguas minoritárias do Brasil”.

De acordo com o escritor, os números apontam para um total de 100 falantes de patuá, sendo que o mais fluente, que falava “como se fosse uma língua viva”, trata-se do “saudoso Carlos Coelho”, que faleceu em Janeiro.

O livro de Ozias Deodato Alves, que se auto-intitula de “refugiado linguístico”, terá um público diferente do esperado. Vai ser publicado em francês e não se prevê uma tradução para português.

“Ao contrário do Brasil, na França, quando a editora se interessa pela obra, ela banca os custos da publicação. E foi assim que eu, um cidadão que nunca foi, até ao presente momento da vida, à França, já publiquei cinco livros lá”, comentou.

Livro sobre patuá pode ser lançado em 2018

 

4. Tribuna de Macau. 22.01.2018

 

FALECEU O “MELHOR ACTOR EM PATUÁ”

22.01.2018. Jornal Tribuna de Macau. (Foto Reprodução)

Carlos Coelho ficará guardado nas memórias de quem o viu em palco com os “Dóçi Papiaçám di Macau”. Considerado por Alfredo Ritchie como o “melhor actor em patuá em palco”, ofereceu muitas risadas ao público com os seus trejeitos e o dialecto que falava fluentemente

 

Liane Ferreira*

 

Nascido em Macau em 1953, Carlos Coelho e a família permaneceram no território quando muitos macaenses partiram para a diáspora. Foi no ensino que trabalhou, e nos palcos e em patuá que brilhou, fazendo parte do grupo “Dóçi Papiaçám di Macau” durante a década de 1990, quando se cruzou com Alfredo Ritchie.

“Para mim, até agora era o melhor actor em patuá em palco. Não só porque falava um patuá genuíno, mas também porque como actor tinha uns trejeitos, fazia uns beiços, uns movimentos com os braços e os ombros que tinham muita piada e se enquadravam muito bem nas peças de Miguel Senna Fernandes”, disse Alfredo Ritchie à TRIBUNA DE MACAU.

Alfredo Ritchie garante não saber porque é que Carlos Coelho se desligou do grupo do teatro, mas lamenta. “Era uma peça muito importante, principalmente quando entrava e fazia par com a Anabela Granados”, salienta.

“Lembro-me de uma cena, não sei de qual peça, em que ele aparece com um quimono japonês e de leque na mão, e fazia uns jeitos com o leque. Foi uma cena de morrer a rir. É difícil de descrever mas ficou na memória”, recorda, ao frisar que Carlos Coelho estava totalmente à vontade no palco. “Mesmo quando os colegas com quem contracenava falhavam a fala, ele entrava no meio e dava uma deixa para continuarem. Ele conseguia fazer isso com toda a naturalidade e o público não percebia nada”, afirmou Alfredo Ritchie.

Anabela Ritchie também ficou muito chocada com a notícia do falecimento de Carlos Coelho. “Teve um grande contributo para a educação, foi durante muitos anos director e dirigente do ensino primário oficial. Conheço-o também como belíssimo actor de patuá. A dupla que ele fazia com a secretária da Assembleia, Anabela Granados, era absolutamente impagável, muitas gargalhadas nos proporcionaram”, disse Anabela Ritchie, notando que por outro lado, os “mais novos do “Dóçi Papiaçám di Macau” só conhecem o Carlos dos vídeos que viram”.

Segundo a antiga líder da Assembleia Legislativa, Carlos Coelho estava aposentado e desligado do ensino, mas continuava a ajudar muito a Diocese.

Para Miguel de Senna Fernandes, trata-se de uma “grande perda” para a comunidade macaense, porque “desapareceu uma das pessoas mais autênticas enquanto falante de patuá”. “Neste momento, já não existem pessoas que falavam aquele patuá antigo de que o Carlos seria das pessoas mais representativas. Ele não só falava como era cultor da própria língua”, disse à TRIBUNA DE MACAU o encenador dos “Dóci Papiaçám”, salientando que na página de Carlos Coelho no Facebook era possível encontrar “textos muito interessantes em patuá, porque falava no dia a dia”.

Após ter ingressado nos “Dóci Papiaçám” em 1994, Carlos Coelho fez um interregno até 2000, quando regressou para a última peça. “Era um actor de qualidades invulgares, cómico e criativo, o mais versátil em teatro macaense, um actor nato”, salientou Miguel de Senna Fernandes.

A notícia do falecimento também chegou ao Brasil, onde o investigador de patuá, Ozias Alves Jr., escreveu no jornal digital “JB Foco”: “Carlos era um apaixonado pelo patuá que, para ele, carregava todo o espírito da antiga cidade de Macau”. Carlos Coelho também era conhecido de Rogério Luz, autor do blog Crónicas Macaenses, a quem partilhou “saudades da Macau Antiga”.

Filho de pai português e mãe chinesa, Carlos Coelho cedo começou a interessar-se pela aprendizagem do dialecto, pelo qual era vítima de preconceito. Tanto a sua mãe como os seus professores consideravam que o Patuá constituía um “português mal falado”. Apesar disso, a sua avó materna, Maria Cecília Gracias, e alguns dos seus familiares falavam o idioma, tendo assim contacto frequente com ele.

A 13 de Outubro de 2006, por ocasião da assinatura do protocolo para promoção da candidatura do Patuá a Património Mundial Intangível,  comandou uma peça em patuá, tendo sido considerado um “autêntico mestre no dialecto”.

 

Com S.F.

Faleceu o “melhor actor em Patuá”

 

5. Blog Baía da Lusofonia, janeiro de 2018

 

http://baiadalusofonia.blogspot.com/2018/01/macau-carlos-coelho-o-ultimo-moicano-da.html

 

Macau – Carlos Coelho: O “Último Moicano” da Língua Patuá di Macau

A História do último homem que falava o Patuá di Macau como se fosse uma língua viva do cotidiano

 

6. Crônicas Macaenses, 21.01.2018

 

Trecho do artigo intitulado “Carlos Coelho, à sua memória, republicação de uma postagem de 2013” em que cita o trabalho de Ozias Alves Jr:

“(…) O jornal brasileiro Biguaçu em Foco, da cidade de Biguaçu no Estado de Santa Catarina, Brasil, foi um dos primeiros a noticiar a sua morte, se não foi o primeiro, e o autor deste blog tratou de compartilhar a publicação na rede social Facebook. Alguns ajustes foram feitos posteriormente com melhor esclarecimento das informações iniciais, afinal de contas o jornalista Ozias Alves Jr. somente conheceu Macau e o patuá por conta do livro, em francês, que escreveu sobre o dialecto em risco de extinção. A obra atende ao projeto de uma editora francesa que está a publicar livros dos dialectos nessas condições e o Ozias já escreveu vários, sendo seu colaborador. O livro sobre o patuá está em revisão e provavelmente no decorrer deste ano será publicado. Todo esse trabalho que está a fazer pela causa do patuá que luta para não ser extinto, não foi bem entendido por um conterrâneo que faltou com a educação e conhecimento de causa, que além de desinformado, precisava de uma leitura das obras do Adé para escrever besteiras que me fez sentir vergonha pela nossa raça macaense. Lamentável! O Carlos tem contribuído de boa vontade com o trabalho do Ozias sobre o patuá.

Abaixo os links das publicações desse jornal, da notícia e a compilação dos escritos em patuá do Carlos Coelho no Facebook, lançando o desafio para que fossem publicados em livro ou talvez tipo cadernos. Não satisfeito, o jornalista Ozias ainda fez uma publicação da notícia em esperanto, língua universal que ele bem conhece. Para ser sincero, passando já um pouco do impacto da triste notícia, tenho minhas dúvidas que alguma entidade de Macau se interesse pelos escritos do Carlos em patuá, não pelo seu grande valor mas que se preocupam mais com outras personalidades que também têm grande valor. Talvez devessem se preocupar também com aqueles macaenses, gente simples como o Carlos, mas que têm conteúdo e trabalho de valor. Antes, talvez devêssemos falar do valor do Carlos, enquanto ele estava vivo, como este blog fez em 2013. Pelo menos o livro do Ozias será, talvez, a única publicação em papel em que o Carlos terá um merecido destaque. Não será uma publicação de Macau mas sim franco-brasileiro:

 

Carlos Coelho, à sua memória, republicação de uma postagem de 2013

 

(VÍDEOS) Uma inédita peça de teatro cômico num crioulo português em extinção

 

 

Escritos em Patuá di Macau por Carlos Coelho

 

Reflexões a partir do exemplo de Carlos Coelho (1953-2018)

 

O Brasil que o Brasil não conhece: Rogério Luz, o Cronista de uma Língua, Cultura e um “Estado de Espírito” em extinção

Carlos Coelho: O “Último Moicano” da Língua Patuá di Macau

 

Aprenda um pouco da língua patuá di Macau

 

 

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