O professor Caio de Cápua, morador de São José que vem empreendendo há anos uma pesquisa sobre a religião dos índios guarani mbyá de Biguaçu, comemora o que ele considera um avanço. Trata-se da confecção de quatro apostilas didáticas que serão utilizadas nas escolas de Biguaçu.

As apostilas são sobre história, artes, geografia e ciências. O conteúdo destaca os índios guarani mbyá de Biguaçu.

Presentes no município desde a década de 1980, os índios guaranis eram literalmente desprezados nos livros didáticos das escolas biguaçuenses.

A nova BNCC (Base Nacional Curricular Comum), documento que estabelece as diretrizes de como estruturar o currículo escolar “comum” (daí o nome) em todas as escolas do Brasil (que é um verdadeiro continente), dá espaço para que os municípios criem apostilas com conteúdo completamente local. Ou seja, a BNCC estabelece o conteúdo COMUM a toda a educação, mas não desprezado o local.

Em Biguaçu, há duas aldeias dos índios da etnia guarani mbyá. Ora, se eles estão no município, em algum lugar, em algum período, em algum espaço, os estudantes de Biguaçu precisam ter acesso a um pouco sobre a história e cultura deles.

Foi criada uma comissão de trabalho coordenada por uma professora chamada Thaise e esta foi conversar com o professor Caio de Cápua. Ela pediu para Caio intermediar encontros da comissão com os índios guarani.

Caio fez a intermediação, que transformou-se em trabalho conjunto envolvendo 15 professores. A comissão redigiu as apostilas, Caio e as lideranças indígenas fizeram a revisão e o resultado foi as quatro apostilas, cujos PDFs encontram-se em anexo a este artigo.

O professor Caio agradece a secretária de educação de Biguaçu, Kátia Bichels, pelo projeto e os primeiros resultados.

O leitor já viu “Diários de Motocicleta” (2004), um filme sobre a famosa viagem de Che Guevara (1928-1967) pela Bolívia e Peru na década de 1950?

Numa cena do filme, o jovem Ernesto Guevara e seu colega pegam carona com um caminhoneiro no interior da Bolívia. Eles sentaram ao lado de índios que conversavam em seu idioma tribal.

Guevara comentou que na Argentina (estendendo-se a todos os outros países da América Latina) sabe-se e estuda-se mais sobre os gregos e romanos do que sobre os povos nativos do continente.

O comentário feito na década de 1950 continua atualizado. A diferença é que hoje os gregos e romanos foram substituídos pelos ingleses, franceses e Europa ocidental.

Essa falta de interesses e muitas vezes total desprezo em se conhecer os índios e seu legado reflete num paradoxo: muitas vezes as escolas locais onde há índios não abordam sobre os mesmos nos livros didáticos. Isto é, os índios são comumente ignorados.

Isso acontecia em Biguaçu, mas está mudando. As primeiras quatro apostilas já foram escritas e deverão ser incluídas no material didático dos estudantes biguaçuenses a partir de 2020.

Parabéns a todos os envolvidos nesse projeto de resgate cultural e valorização dos povos originários da América.

 

FOTOS

 

Caio de Cápua com a secretária de educação de Biguaçu, Kátia Bichels e adjunta. (Foto Divulgação)

 

Recente apresentação do projeto em evento  na Igreja Sara nossa Terra. (Foto Divulgação)

 

Projeto foram apresentados em evento na Igreja Sara nossa Terra. (Foto Divulgação)

 

Professores que participaram da pesquisa. (Foto Divulgação)

 

Apresentação do Coral Indígena. (Foto Divulgação)

 

PDFs das apostilas

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