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Texto: Professor Miguel João Simão

Escritor e Pesquisador.

 

Um homem marcado pelas dificuldades da época em que viveu quando criança, sabia bem valorizar cada dia de trabalho.

João Emílio de Bittencourt, que ficou conhecido por Joca, era filho de Emílio Daniel Bittencourt e de Dionísia Ramos.

Emílio Daniel era pescador, enquanto a esposa Dionísia fazia as tarefas da casa e trabalhava na limpeza dos pescados.

Dionísia era uma parteira muito procurada na região, por suas mãos vieram ao mundo dezenas de crianças.

Joca nasceu no dia 02 de fevereiro de 1921 e desde cedo teve que trabalhar para ajudar no sustento da família, pois perdera o pai quando tinha apenas 8 anos de idade.

Dedicado e atencioso, o menino já começa a lidar com peixes e logo começa o trabalho nas embarcações, aprendendo com os mestres Antonio Pedro, Amélio Soares e outros que sabiam bem conduzir uma embarcação.

Todos os ensinamentos profissionais que lhe passavam, Joca guardava com muita atenção, bem como tudo o que a mãe, dona Dionísia, lhe ensinava.

Tornou-se um jovem promissor em sua profissão, por sua responsabilidade e educação, qualidades que sempre lhes acompanharam, Joca se tornou um mestre de barcos.

Aos 18 anos namora a jovem Herondina, conhecida por Coquinha, natural de Canto dos Ganchos.

Herondina nasceu no dia 01 de maio de 1921, era filha do pescador José Amélio de Oliveira (1890 – 1963) e de Ida Júlia de Oliveira (1888 – 1932). Ainda criança, aos 11 anos de idade, perde a mãe, ficando sob a responsabilidade do pai e dos irmãos mais velhos.

O namoro do jovem casal, Joca e Coquinha, os levaram ao casamento no dia 20 de novembro de 1940, sendo o Juiz de Paz, o senhor Belarmino de Azevedo e tendo como testemunhas Carlos Vicente da Silva, Julia Ida de Oliveira, Saturnino Viríssimo da Silva e Nelson Teodoro Sagás.

A vida do casal foi marcado por muitas lutas desde o início, pois Joca, para poder dar um conforto mínino para a esposa e para os filhos, a exemplo de outros pescadores da região, tinha que deixar a terra natal e ir buscar trabalho em Santos, Rio de janeiro, Rio Grande do Sul e outros portos.

Joca não desanimava diante da saudade, pois sabia que Coquinha estava lá sempre a lhe esperar.

Mais tarde ele fez a “Carta de Mestre de barcos”, uma especialização na área que lhe dava o direito de conduzir um barco e sua tripulação.

Ter a “Carta de Mestre” era o sonho da maioria dos pescadores naquela ocasião, e só conseguia um documento desses quem conhecia bem o pesqueiro, entendia muito de um barcos de pesca, além de passar por provas escritas e orais.

Joca venceu todos esses obstáculos e conseguiu sua sonhada “Carta de Mestre”.

Daí as oportunidades apareceram e ele foi agarrando-as, como formar uma boa equipe de bordo e ter um barco para trabalhar.

A vida do homem simples e bom de Ganchos foi tendo êxito, e começam a nascer os filhos. Primeiro o Emílio Filho, conhecido por Milinho, a Edir, a Ida, a Edalete e o Edmilson.

Uma família de pessoas sérias e do bem.

Joca teve um acidente, que o deixou imobilizado, ficando na dependência de sair apenas em companhia dos filhos, contudo sempre mostrou-se um homem temente a Deus.

No dia 25 de outubro de 2001, chora a despedida da amada esposa, que falecera.

Lágrimas que marcaram o olhar sereno do homem de Ganchos, do filho da terra de Canto dos Ganchos. Joca passa a viver em companhia da filha Ida com o apoio dos demais, que sempre estavam a visitar o velho pai, homem que mostrou-lhes o caminho do bem e os encaminhou para o mundo.

Mas, no dia 14 de janeiro de 2009, João Emílio de Bittencourt, o Mestre Joca, parte desse mundo para a eternidade.

Deixou bons exemplos, bons ensinamentos, o que orgulham os filhos e os netos, que falam dele com amor e com muito carinho.

 

Mestre Joca na casaria de um dos barcos que foi Mestre. (Foto Sullivan Bittencourt)
Mestre Joca entrando na igreja com a filha Edalete Herondina Bitencourt. (Foto Sullivan Bittencourt)
Ladeados pelos noivos estão os pais da noiva, a esquerda Seu Joca e a direita dona Coquinha. (Foto Sullivan Bittencourt)

 

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