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Se Amanda Arruda, 18 anos, jovem talento da literatura em Biguaçu, fosse nascida na década de 1970, certamente iria bater às portas da livraria Lunardelli, do centro de Florianópolis, e conversaria com o dono da mesma, Odilon Lunardelli, tal como aconteceu com uma outrora “teenager” chamada Urda Klueger, de Blumenau.

Certamente Amanda, tal como Urda quatro décadas atrás, entregaria o manuscrito de seu romance para que Odilon analisasse e, em questão de dias, a jovem escritora receberia telefonema (o telefone já existia na década de 1970) sendo informada que seu livro seria impresso.

Odilon era assim: se ele gostasse do livro (romance, novela, contos, poesia, história etc), ele bancava do próprio bolso a publicação, que depois era vendida e divulgada em suas livrarias. Foi o que ele fez com um talento das letras catarinense, Urda Klueger, bancando a publicação de “Cruzeiros do Sul”, romance de 500 páginas de autoria desta última. Se Odilon não tivesse publicado, esse romance de fôlego estaria hoje perdido em alguma gaveta.

Se hoje existe literatura catarinense das décadas de 1970 e 1980, isso deve-se a Odilon Lunardelli, que apostou na publicação dos autores catarinenses da época.

Como ninguém é eterno, infelizmente Odilon faleceu em setembro de 1997 e este antigo editor não teve substituto. Infelizmente as poucas editoras que ainda estão em funcionamento em Santa Catarina simplesmente não custeiam livros. Como assim?

O cidadão escreve um romance ou uma coletânea de contos. O certo seria enviar às editoras. Estas avaliariam e, se gostarem do material, publicariam e divulgariam a obra. Ao autor seriam pagos direitos autorais, conforme o contrato assinado.

Infelizmente não é o que ocorre hoje em Santa Catarina e, certamente, em todo o Brasil. Ao invés das editoras bancarem a publicação, são os autores que devem pagar pela impressão de seus livros.

Isso tem inviabilizado o surgimento de novos talentos. Não são todos os escritores que podem bancar a publicação de seus livros. Há casos de pessoas talentosas com romances interessantíssimos, mas que desistem de continuar a persistir nesse caminho por não terem o mínimo do mínimo: a possibilidade de publicar.

Como o tempo não para, novas gerações surgem e, por consequência, novos escritores sempre aparecem- ainda mais num país de 209 milhões de habitantes como o Brasil, é lamentável convivermos num cenário em que novos talentos simplesmente já morrem na casca por não terem como serem revelados através de livros impressos.

Bom! Este é o cenário desalentador, porém, como o “tempo não para”, como cantou Cazuza (1958-1990), novos canais de expressão estão surgindo com os avanços da tecnologia. Um desses avanços chama-se “E-book”, o livro eletrônico.

Como diz o ditado, “quem não tem cachorro, que cace com o gato”. Se não dá de publicar livro em papel pelo alto custo, entre outros problemas, que as novas gerações de escritores agarrem-se à nova alternativa, os “e-books”.

Foi o que fez a jovem Amanda Arruda, moradora de Biguaçu. Ela descobriu o setor de e-books da Amazon, o mega site de venda pela internet de livros, produtos eletrônicos e outros produtos.

Há um link neste site em que qualquer cidadão do planeta pode postar seus livros em formato eletrônico e decidir por qual preço deseja vendê-los.

A Amazon lançou um aparelho, uma espécie de tablet, chamado Kindle. Usando a conexão da internet, o usuário pode acessar o setor de e-books do Amazon e baixar os livros que quiser. Uma parte do acervo é de livros totalmente gratuitos e na outra encontram-se as obras pagas.

E quem já teve a oportunidade de usar o Kindle, o aparelho é ótimo para se ler. Não perde de goleada para o livro em papel. Pelo contrário. Tem algumas vantagens incomparáveis.

E Amanda lançou através do Amazon o seu romance/ e-book “A Heroína que virou Lenda”. Custa R$ 11,50.

 

NOVA TECNOLOGIA, NOVAS PERSPECTIVAS

O Amazon não é o único site de e-books. Pelo contrário. Há uma infinidade. Já surgiram inclusive editoras nessa modalidade.

Como se trata de algo novo e surgido há poucos anos, o autor deste artigo ainda desconhece muitos dos detalhes do novo meio, mas podemos arriscar algumas tendências, entre as quais a possibilidade das novas gerações de escritores, que no mundo analógico do papel não tinham como surgirem, de construírem carreiras sólidas (leia-se ganhar dinheiro, conquistar público e aprimorar a arte).

Quem adora livros pode até mesmo criar editoras “eletrônicas” e fazer disso um negócio.

Na realidade, é mais uma questão de um olhar novo e visualizar oportunidades que antes não existiam.

Parabéns à Amanda Arruda, que faz inclusive jus a sua tenra idade: aos 18 anos, já está muito bem “antenada” com as novas tecnologias que estão mudando tudo.

E se Odilon fosse vivo nos dias de hoje, certamente ele escutaria com atenção quem lhe falasse a respeito do e-book e das oportunidades que estão por trás dessa tecnologia.  Quem sabe ele continuaria fazendo diferença, agora sob nova tecnologia.

 

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com.

E-book A Heroína que virou Lenda. (Foto Reprodução Amazon) 
Livro eletrônico da jovem escritora biguaçuense. (Foto Reprodução)

 

….

 

POST SCRIPTUM: Se o leitor ficou curioso para conhecer o romance de Amanda Arruda, que conforme dito antes, custa apenas R$ 11,50 (se fosse em formato livro em papel, o valor seria mais de R$ 30,00), eis a sinopse da obra: “Hellene Moller teria quinze anos hoje… Caso estivesse viva! Morreu aos treze anos, ao contestar publicamente o general germânico Saul Hildenburgo – um homem insano, preconceituoso, ganancioso pelo poder que possui uma conexão pretérita com a garota, algo que apenas uma pessoa sabe e que causou a Terceira Guerra Mundial – padecendo sob sua ira na tentativa de mudar o mundo com as palavras.
Mas a jovem não estava sozinha: ela tinha a seu pai adotivo, o belíssimo Josteinberg Gottenfried, um professor de geografia onisciente do passado da garota, e ao seu irmão adotivo e melhor amigo Albert Rose, seus guias em sua perigosa jornada. Este último, assim sendo, com o intuito de eternizar Hellene Moller na memória de todos, narra a trajetória dessa brilhante garota que deixou sua marca na história da humanidade: obra esta que, por sua vez, é repleta de amores proibidos, suspenses, mistérios, sentimentos, críticas e reflexões assíduas sobre a realidade da vida e dos feitos heroicos.
A Heroína que Virou Lenda é um romance filosófico e alegórico, dono de uma candura inigualável que, levando o leitor a um outro mundo e equilibrando o ceticismo racional e a doçura emocional, garante-lhe um pensamento claro e conciso sobre o próprio meio social no qual se insere
.”

 

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