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Texto: Professor Miguel João Simão

Escritor e Pesquisador

 

Uma amizade que marcou uma época e foi passando gerações, assim era a amizade de João Olíbio dos Santos e Rosa Santos com Clarinda Anastácia dos Santos e Pedro Flor (Pedro Vicente dos Santos).

A primeira casa do casal João Olibio e Rosa foi construída por Pedro Flor, e era no cafezal de Clarinda que Rosa passava as tardes ajudando na lida com o café, muitas vezes saindo de manhã e só retornando à tardinha para sua residência.

Quando João Olibio vinha do mar, a primeira gamela com peixes era para dona Clarinda que os filhos de João Olibio entregavam.

Essa amizade perpetuou entre as famílias, pois os filhos de Clarinda sempre foram bons amigos dos filhos de Rosa.

Miguel Pedro dos Santos, filho de Clarinda, proprietário de uma embarcação e dono de venda, atendia sempre seu João Olibio quando precisava, pois tinha por ele grande apreço.

A amizade e a confiança pela família de João Olibio era grande, o que levou Miguel Pedro dos Santos (Miguel Flor), quando eleito prefeito, convidar Lucas João dos Santos, filho de João Olíbio para fazer parte de seu governo, entre 15/11/1965 a 31/01/1970.

Lucas fazia parte dos funcionários da tesouraria da prefeitura, onde desempenhou muito bem sua função.

Nascido em 18 de outubro de 1927, em Canto dos Ganchos, o filho de Rosa e de João Olíbio, criou-se junto com os irmãos e amigos na pacata comunidade.

Teve uma vida regrada dentro dos princípios católicos, e como filho obediente, cedo buscou trabalho para ajudar os pais nas despesas da casa.

Seu primeiro trabalho foi de limpar peixes e ajudar a salgar, colocando no sol para secar, atividade que exercia todos os dias de domingo a domingo, próximo ao rancho de Waldemiro Lobo.

E foi com Waldemiro Lobo que ele aprendeu a pescar, onde dividia uma embarcação com outros camaradas.

Lucas também trabalhou ao lado do irmão Janga, parceiro e amigo de jornada a quem ele nutria grande respeito e admiração.

A exemplo dos moços da época, Lucas também embarcou nos barcos de pescas industriais em Santos e Rio de Janeiro.

O sonho de todo jovem dos anos das décadas de 1940/50 era trabalhar, construir sua casa e arrumar uma moça de família para casar. A vida era construída pelo trabalho, honestidade, gente que sabia o que era dignidade, e era dentro das embarcações, passando dias vendo apenas céu e mar que eles conseguiam o suado dinheirinho para trazer para casa.

Lucas João dos Santos foi um desses gancheiros que enfrentou fortes tempestades dentro dos barcos de pescas sem saber que teria chance de retornar ao convívio da família.

Sofrimento marcado por saudade, insegurança e medo, do que podia acontecer quando estavam distantes do porto.

Mas ele sobreviveu todas as lutas e soube bem aproveitar seu tempo de pescador de alto mar.

Com uns trocados guardado e firme na profissão é hora de arrumar sua futura companheira.

E é pela filha de Otávio Adolfo Alves e de Hilda Maria de Oliveira que ele se apaixona.

Dona Hilda tinha todo cuidado com as duas meninas, Jandira e Judésia, e não as deixava sair de perto dela nem um instante.

O esposo Otavio faleceu muito cedo, deixando-a com 4 filhos pequenos (dois filhos e duas filhas). Judésia tinha pouco mais de 3 anos quando o pai faleceu.

Hilda, a mãe, se viu numa pequena casa com 4 filhos pequenos. Foi uma mulher que muito lutou para criá-los. Passava horas e horas nas fontes lavando roupas para famílias da comunidade para ganhar míseros trocados para comprar o necessário para as crianças. Hugo Alves, irmão de Judésia, que na época em que o pai faleceu tinha apenas 2 anos, lembra dos dias difíceis que a mãe tinha que dividir o pouco alimento entre os 4 filhos. Marcas de tempos de misérias que ficou registrada na mente dos filhos que viram a mulher guerreira lutar para bem criá-los. Dona Hilda é mais uma das muitas mulheres dessa região, que teve que se sacrificar muito para manter a família unida e ver os filhos crescerem e se encaminharem na vida.

Lucas para conquistar Judésia tinha que ter apoio de Jandira e aprovação de Hugo e Aroldo, irmãos de Judésia. Mesmo sabendo que a palavra final era dada por dona Hilda, tinha que passar pelo crivo dos irmãos.

Rapaz esperto, trazia consigo boa índole e o bom nome de sua família, o que contava muito na hora do pedido de namoro. Lucas pelejou um pouquinho para conseguir ficar a sós com Judésia, mas quando conseguiu, abriu seu coração e firmaram o namoro, até se casarem.

Do casamento tiveram 8 filhos: Adalcio, Adelson, Adalto, Acácio, Amauri, Ademildes, Aurita e Aldilete.

Vida simples de homem do mar, Lucas construiu sua casa e criou os filhos junto com a companheira fiel e amiga de sempre.

Em 1965 se afasta da pesca para fazer parte do governo municipal do prefeito Miguel Pedro dos Santos.

Depois disso, Lucas passou a pescar na região com sua própria embarcação.

Amigo e correligionário de Miguel Flor, foi filiado ao PSD e depois no PDS, sempre acompanhando o fiel amigo.

Aposentado como pescador e vivendo uma vida tranquila ao lado da esposa e dos filhos, Lucas adoece e é internado no Instituto de Cardiologia em Florianópolis, vindo a falecer no dia 29 de setembro de 2003.

Judésia fica amparada pela filha Aldilete, a caçula da família, com apoio dos demais irmãos.

Continuou morando na casa onde criou os filhos e viveu por quase 9 anos, falecendo em 28 de julho de 2012.

O casal (Lucas e Judésia), deixou registrado a marca de pessoas do bem nessa terra onde só fizeram amigos.

 

Lucas João dos Santos. (Foto Acervo Miguel Simão)
Judésia quando era jovem. (Foto Acervo Miguel Simão)

 

Comemorando Bodas de Ouro. (Foto Acervo Miguel Simão)

 

Judésia quando era jovem. (Foto Acervo Miguel Simão)

 

Casal num dia de passeio. (Foto Acervo Miguel Simão)

 

Acervo de Aldilete Quintino. (Foto Acervo Miguel Simão)

 

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