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Qual a razão do crescimento e do sucesso da RBS (Rede Brasil Sul)?

Duas das respostas, que certamente são inúmeras, estão no livro “Lembra do Transasom? As Histórias de um percursor da Cultura Jovem Sulista” (L&PM, Porto Alegre, 2007), de autoria de Marcelo Ferla com depoimentos do próprio personagem da obra, Pedro Sirotsty, filho do fundador da RBS, Maurício Sirotsky Sobrinho (1925-1986).

Ainda estou lendo o livro. Não cheguei ainda ao final. Mas um trecho me chamou a atenção. Em 1959, Maurício Sirotsky conseguiu a concessão de televisão, que veio a tornar-se a “TV Gaúcha”, cujas transmissões foram iniciadas em 29 de dezembro de 1962.

A TV Gaúcha era sintonizada no Canal 12 e concorria na época com a TV Piratini, canal 5, estação esta última que vinha transmitindo desde 20 de dezembro de 1959.

A questão é: como a TV Gaúcha tornou-se a mais popular do Rio Grande do Sul?

A resposta está na página 50 do livro “Transassom”. Enquanto que a TV Piratini, afiliada da TV Tupi, transmitia preferencialmente programas produzidos pela estação cabeça de rede sediada no Rio de Janeiro e São Paulo, a TV Gaúcha focava em produzir programas locais, sobre temas gaúchos, sobre a cultura daquela parte do Brasil.

Esta é a resposta: a TV Gaúcha conquistou o público local por justamente apresentar conteúdo da cultura local.

Mas de onde vem essa ideia? Veio dos programas radiofônicos de auditório que Sirotsky promovia em que o público apresentava-se, podendo ser cantar, tocar violão, recitar poesia, entre outros.

Além disso, há um outro detalhe que mostra bem a força dos empreendedores, conforme está relatado na página 52 do referido livro. Maurício Sirotsky e seu irmão Jayme, donos da RBS, assumiram em 21 de abril de 1970 o controle acionário de um jornal chamado Zero Hora sucessor do “Última Hora”, empreendido do empresário Samuel Weiner, que caiu em desgraçada por causa do golpe militar de 1964.

No início, o citado jornal Zero Hora estava muito mal financeiramente. Era questão de tempo para falir completamente.

Então os Sirotsky resolveram em 1971 tentar vender esse jornal a Breno Caldas, o dono do jornal concorrente, o Correio do Povo, na época uma potência.

Caldas recusou adquirir o jornal alegando que já tinha um que superava toda a concorrência. Para que adquirir um jornal falido? Não é preciso dizer que essa resposta foi total desdém.

Diante do “abacaxi” e não tendo como vender o jornal, os irmãos Sirotsky não tiveram outra alternativa a não ser lutar. Arregaçaram as mangas para salvar o Zero Hora.

Final da história: anos mais tarde, o Zero Hora tornou-se o maior jornal do Rio Grande do Sul, ultrapassando o Correio do Povo, que tropeçou na década de 1980 por causa de erros cometidos pela direção da empresa Caldas Jr.

A leitura prossegue.

 

Ozias Alves Jr

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

 

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