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Na página 2 da edição de quinta-feira (10/09/2020) do jornal O Estado de São Paulo, foi publicado o artigo intitulado “70 anos na semana que vem”, de autoria do professor Eugênio Bucci, da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo).

No primeiro parágrafo deste mencionado artigo, escreveu o professor Bucci: “Quando foi ao ar o primeiro programa da primeira estação de televisão brasileira, a TV Tupi, na noite de 18 de setembro de 1950, HEBE ESTAVA LÁ, na companhia de Lima Duarte e Lolila Rodrigues”.

Não é verdade. Hebe Camargo não se encontrava “lá”. Em minha crônica intitulada “A Mentira que Hebe Camargo insistiu para emplacar na História da TV brasileira”, que publiquei no JBFoco de 18 de maio de 2020, citei Artur Xexéo, autor de “Hebe- A Biografia- 1ª edição, edição Best Seller, Rio de janeiro, 2017”, que comentou a respeito da “mentirinha” que a própria biografada havia dito em 27 de dezembro de 2010 quando anunciou sua saída do SBT, emissora de Sílvio Santos. Ao falar de sua carreira na televisão, conforme se pode constatar no You Tube, ela disse naquela ocasião ter participado da “primeira transmissão da TV brasileira”.

Eis o que o biógrafo Xexéo observou na página 244 de seu citado livro a respeito desse episódio: “Hebe enfeitou um pouco a sua trajetória. Afinal, ela não participou da primeira transmissão da TV brasileira (em 18 de setembro de 1950). Trocou a honraria por um encontro com o namorado, Luís Ramos, lembram-se?

Entre ir ao dito evento histórico da televisão brasileira ou sair com o namorado, Hebe preferiu a segunda opção. Traduzindo em linguagem popular: ela foi transar.

“LENDA URBANA”

Ao longo das próximas décadas, não deveremos ficar surpresos com a publicação de artigos cujos autores irão referir-se a Hebe Camargo como tendo participado daquela histórica primeira transmissão da tevê brasileira, ignorando

Não importa se o autor for um leigo ou algum profissional da área da comunicação, como é o caso do já citado professor Bucci. A “lenda” está solta e não deixará de crescer.

Um exemplo “clássico” de como esse processo acontece foi o que aconteceu com a famosa frase “o Brasil não é um país sério”, atribuída ao ex-presidente da França, Charles de Gaulle (1890-1970).

A frase em questão partiu de um diplomata brasileiro chamado Carlos Alves de Souza (1901-1990). Em 1979, publicou um livro de memórias intitulado “Um embaixador em tempos de crise”, em que contou em detalhes sobre o contexto em que essa frase foi dita.

Ocorreu numa entrevista concedida em Paris, na década de 1960, ao jornalista Luiz Edgar de Andrade (diga-se de passagem, que morreu no ano de 2020, aos 89 anos de idade, vítima da covid-19).

Tratava-se do encontro do então embaixador do Brasil na França, Carlos Alves, com o presidente De Gaulle a respeito de um incidente diplomático da pesca da lagosta, cujos detalhes não precisam ser aqui esmiuçados.

Mesmo tendo publicado um livro a respeito e o jornal do Brasil, órgão da grande imprensa de grande circulação, apresentado a história em todos seus detalhes, não teve jeito: a frase “O Brasil não é um país sério” continua sendo publicada volta e meia até hoje atribuída a De Gaulle. Nem todos são bem informados e o livro “Um embaixador em tempos de crise” tornou-se uma raridade de sebo.

E o mesmo destino deverá ter a “mentira” da participação de Hebe Camargo na primeira noite de transmissão da televisão brasileira. Não faltarão artigos futuros reproduzindo essa informação falsa. Isso vai acontecer porque é impossível conhecer todos os livros do mundo e, ao mesmo, ser muito bem informado.

 

Ozias Alves Jr

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

 

Artigo sobre Hebe Camargo publicado na edição de quinta-feira, 10 de setembro de 2020, pág. 02, jornal Estado de São Paulo. (Foto Reprodução)

 

Trecho que não condiz com a verdade dos fatos. (Foto Reprodução Jornal Estado de SP)

 

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