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Deivison Pereira

E-mail: deivisonjornalista@gmail.com

 

Chega

 

Ele chegou aos 45 anos de idade, 1,72m de altura, 77 quilos, olhos verdes, casado há 20 anos, 2 filhos, pais idosos, formado em administração, dono de uma bem sucedida imobiliária. Gostava de festas, churrasco com os amigos e familiares em especial; costumava divertir os que estavam por perto. Bom contador de histórias, ótimo ouvinte, sua provável mais destacada qualidade. Quem precisava de um ombro amigo nele encontrava. Escutava de verdade, demonstrava interesse e paciência; todos concordavam, era um ser humano especial.

Houve um tempo em que ele mudou, mas quase ninguém notou. Um pouco menos de alegria, um pouco mais de isolamento. Alguns amigos e familiares comentavam que devia estar cansado; muito trabalho, um filho de 19 anos, uma de 17, sem contar o trânsito, ah, maldita falta de mobilidade. Certo dia, num almoço em família, ele falou que andava muito cansado. Disse que não via mais graça em nada.. Em outra ocasião, num encontro casual com um amigo, dentro de um supermercado, falou que invejava quem já havia morrido. Credo – teria dito o amigo, ainda assim ele confirmou que às vezes tinha vontade de acabar com a vida. Despediram-se. O amigo pensou que ele precisava é de um bom churrasco, cerveja gelada e um bate-papo especial. Logo, esqueceu a conversa, nem lembrou de marcar o tal churrasco.

A esposa o flagrou várias vezes olhando fixamente para o nada. Perguntava carinhosamente onde estavam seus pensamentos. Ele dizia que em lugar nenhum. A convivência traz uma intimidade tão boa quanto perturbadora. Os filhos já o notavam triste, mas não perguntavam nada. Imaginavam que fosse problemas no trabalho. Afinal de contas, a mãe estava ali para dar a ajuda necessária. Seus pais eram idosos. O pai estava com 78 anos e sua mãe com 75. Pais têm olhos especiais, enxergam além de aparelhos de exames clínicos sofisticados e mais longe que os bons binóculos. O chamaram para conversar. Seriam dívidas? Problemas no casamento? Teria se envolvido com outra pessoa? Seus pais já sabiam que essas coisas não iriam tirar a alegria dele, mas não custava perguntar, quem sabe o filho pudesse se abrir. Seus 4 irmãos notaram a mudança dele. Dois chegaram a procurá-lo, outros dois diziam que é o estresse do dia a dia. “Quem não está estressado e ansioso hoje em dia?”, diziam eles.

Numa noite de sexta-feira telefonou para os irmãos e os pais. Disse que estava planejando algo, talvez um churrasco. Ligou também para dois amigos. Todos ficaram contentes ao perceber o irmão e amigo e o filho retomando o bom humor. Ele estava melhor. Na manhã seguinte, um sábado, ele acordou cedo, antes das 7 horas. Tomou banho e fez a barba. Preparou o café para a família e deixou a mesa de um jeito especial. Um bilhete encostado à garrafa térmica dizia: “Até logo. Amo muito vocês”. A esposa e os filhos ficaram felizes e comentaram entre si que ele estava melhor; mais animado.

Ao meio-dia a esposa estava preocupada, ele jamais saia sem o celular, estava há mais de 4 horas fora de casa. Possivelmente na casa de algum amigo, pensava ela, mas nem uma ligação? Havia saído de carro. Seus pensamentos foram interrompidos por um dos cunhados. O irmão mais velho do seu marido entrou sem bater na porta e com os olhos cheios de lágrimas e a boca trêmula. Pensou que tivesse acontecido algo com a esposa dele ou com um dos seus 3 filhos. O cunhado tentou falar, mas ao abrir a boca a voz deu lugar ao choro e foi logo abraçando-a. Ela perguntava o que aconteceu? O irmão do seu marido dizia “ele se foi, ele se foi”. A esposa ainda não havia entendido. Quando seu outro cunhado entrou na sala perguntou pelos sobrinhos. Nesse momento os jovens de 19 e 17 anos entraram na sala. Esse tio disse para a cunhada e para os sobrinhos que eles teriam que ser fortes. Sem mais rodeios, disse: “ele morreu, o pai de vocês morreu. Ele usou uma corda, numa árvore lá no bosque”. Eles contaram como alguns rapazes o encontraram. A esposa lembrou de ter perguntado por que ele havia comprado aquela corda uma semana antes. Nem sequer lembrava da resposta do marido.

“Ele chegou aos 45 anos de idade, mas não aos 46. O homem estudioso, trabalhador, bom amigo; como pôde fazer aquilo?”. A frase assim ou parecida foi repetida dezenas de vezes naquela noite de sábado durante o seu funeral. Alguns riam ao lembrar dos muitos bons momentos e em seguida se entregavam ao choro. Pior de tudo, muitos diziam: “Como não percebemos, por que não fizemos nada para ajudá-lo?”. Pais, filhos, esposa, familiares, amigos, colegas, vizinhos, quase todos, pouco a pouco, falavam dos sinais que ele havia dado. Agora pareciam gritos de socorro tão fortes, mas que ninguém ouviu. Eram gritos abafados por nossos próprios problemas ou ouvidos que ouviam apenas reclamações comuns do dia a dia quando, mas não eram”. Um dos amigos disse que não era momento de sentirem culpa. Outro amigo fez questão de dizer que ninguém deve cometer o grave erro de pensar ou mencionar que a pessoa que comete suicídio fica numa situação ruim com Deus. “Afinal de contas”, dizia o amigo, “se Deus perdoa até criminosos por que não perdoaria quem se mata? Ninguém tira a vida por estar feliz e realizado”. Um dos irmãos disse que “ele está entre os mais de 800 mil em todo o mundo que cometem suicídio todos os anos; uma pessoa a cada 40 segundos tira a própria vida; crianças, adolescentes, adultos e idosos. A maioria dá sinais. Muitos, segundo especialistas, quando já decidem pelo suicídio, demonstram o que os estudiosos chamam de – falsa calmaria. Parece que a pessoa deprimida e abalada por seus pensamentos inquietantes, ao decidir tirar a vida, vê nisso um certo alívio; por isso – falsa calmaria, para o suicida – o sofrimento está com os dias contados. Sua aparente melhora dias antes, telefonemas animados. Um café da manhã especial. Ele, infelizmente, já havia decidido: chega!”

 

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Logo LCA. (Foto Reprodução)

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