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Uns dois anos atrás, eu me encontrava numa aula do curso de letras na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) quando o assunto “canibalismo” foi citado num comentário sobre história do Brasil.

Não me lembro do contexto, mas comentei que no início do Brasil colônia, no século XVI, a situação era problemática, pois os índios brasileiros, os tupis, eram “canibais”, isto é, comiam carne humana.

Então eis que uns universitários “sabichões” passaram a criticar-me afirmando que “não foi bem assim”, que “não é verdade” etc.

Juro que fiquei com os olhos arregalados. Qualquer um que fizer uma leitura mínima, básica, trivial de história do Brasil colônia saberá da história dos tupis “canibais”, do padre Anchieta, do bispo Sardinha (devorado pelos índios caetés do Nordeste) e dos relatos do alemão Hans Staden e dos franceses Jean de Léry e André Thevet, sem falar de outras fontes.

Além do mais, eu mesmo sou autor de um livro intitulado “Parlons nheengatu” (2010), impresso pela editora L´Harmattan, França, onde apresento uma extensa história a respeito dos canibalismo do Brasil Colônia.

Resumo da história: o Brasil é a terra dos palpiteiros. Os cidadão não conhecem o assunto, nunca leram a respeito, nada sabem, porém, mesmo assim, emitem opiniões como se fossem até mesmo especialistas. Pode uma coisa dessas?!!!

Mas por que estou falando disso? É que essa memória me veio à toa quando recebi um artigo intitulado “Não sou tuas negas”; ou como o racismo contamina a língua”, de autoria de Maristela dos Reis Sathler Gripp, “doutora em Estudos Linguísticos e professora do curso de Letras do Centro Universitário Internacional Uninter”.

Neste artigo, em que ela argumenta que o Brasil é tão racista, mais tão racista, tão absurdamente racista, que a língua portuguesa está repleta de frases “racistas”, entre as quais a “clássica” “a coisa tá preta!!!”

Assim a professora definiu: “ COISA TÁ PRETA: Quer dizer que a coisa está ruim, perigosa, complicada – porque, afinal, está preta, e nada que é preto pode ser bom. É uma expressão racista para nunca mais usar.”

É isso mesmo, professora? A senhora tem certeza disso?

Bom! Pelo jeito, essa doutora não fez algo simplérrimo: perguntar a africanos se na língua deles há a expressão “A coisa tá preta”.

Sim, faça exatamente isso. Digo isso porque eu mesmo fiz essa experiência. Na UFSC, escrevi a frase “escureceu o ambiente” num trabalho acadêmico e a professora, com seus pós-doutorados etc, repreendeu-me alegando que eu estava usando um termo de origem “racista”.

Pera aí. Racista? Dizer “a coisa está preta” é racismo?

No You Tube, há um vídeo que eu gravei com um estudante africano na UFSC chamado Adelakoun Agnila Gildas Aderomou, 27, meu colega de sala de aula numa determinada disciplina.

Ele é falante nativo do idioma yorubá, de seu país natal chamado Benin e da vizinha Nigéria.

Na sua língua nativa, há uma expressão corrente “olodourin”, cujo significado é “a coisa está preta”. Refere-se à situação de estar numa noite escura sem tocha nem lanterna e não saber para onde ir.

Tem nada a ver com racismo. Se o leitor não acreditar no que estou falando, veja você mesmo o vídeo que gravei com o jovem estudante universitário AFRICANO falante da língua yorubá. O link é

Em resumo: o Brasil virou a terra dos palpiteiros que nada sabem e querem emitir opiniões sobre assuntos que não dominam e, muito menos, sabem fazer pelo menos pesquisas para saber a verdade.

 

Ozias Alves Jr

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

 

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