Ozias Alves Jr

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

 

Em 6 de novembro comemora-se o aniversário dos municípios de Governador Celso Ramos (Ganchos) e Antônio Carlos.

Em 1995, o JBFoco entrevistou o sr. Miguel Pedro dos Santos (1913- 2001), popularmente conhecido por Miguel Flor.

Quem foi Miguel Flor? Ele era o vereador que, em 1963, articulou a votação dos projetos de lei que concederam a emancipação política de Ganchos e Antônio Carlos, então distritos do município de Biguaçu.

Essa história está contada no livro “Alto Biguaçu: uma narrativa tetrarracial”, publicado em 1988 e de autoria de Raulino Reitz (1919-1990).

Neste livro do tamanho de um “tijolo” sobre a história de Antônio Carlos, obra que certamente não foi lida de cabo a rabo por viv´alma na comarca, talvez a não ser eu, o editor do JBFoco, há um capítulo em que Raulino conta alguns detalhes das articulações capitaneadas pelo então vereador Miguel Flor.

No entanto, no texto de Raulino, não estão descritos certos detalhes pitorescos que só conseguimos ao entrevistar Miguel Flor seis anos antes de seu falecimento.

 

PITORESCO

Ao entrevistar Miguel Flor naquele ano de 1995, quando ele já se encontrava aos 88 anos de idade, mas ainda muito lúcido, o vereador em questão contou a verdadeira “aventura” que teve para impedir que os vereadores fossem tomar um “cafezinho” e dessem uma conversada com o dono do cartório de Biguaçu.

Vamos explicar os detalhes.

 

A HISTÓRIA

 

Edifício Romão Faria. (Foto Ozias Alves Jr) 

No ano de 1963, a câmara de Biguaçu ficava num edifício chamado “Romão Faria”, inaugurado no final da década de 1950 e que existe até hoje, na rua João Pessoa, no centro de Biguaçu. É aquele pequeno edifício onde fica o cartório da dona Elza.

Embaixo desse edifício, além da sede do cartório, que na época pertencia ao falecido ex-prefeito de Biguaçu entre 1947 a 1951, Orlando Faria (1920-2018), havia um bar.

Eu já tomei um café nesse bar ao lado da farmácia Biguaçu, porém não sei quando o mesmo foi fechado e a quem pertencia. Mas esse bar tem um elemento chave para a história da emancipação de Ganchos e Antônio Carlos.

TÁTICA DE DESPISTAMENTO

Este edifício tem dois andares e a câmara municipal de Biguaçu, segundo depoimento do falecido historiador, profº Joaquim Gonçalves dos Santos (1936-2020) e o livro “História do Município de Biguaçu” (1988), de Iaponan Soares (1936-2012), ocupava o segundo andar desse imóvel.

Miguel Flor contou ao JBFoco que no dia da votação dos projetos de lei da emancipação de Ganchos e Antônio Carlos, haveria um pequeno intervalo entre as votações.

Quando havia esses intervalos, os vereadores desciam e costumavam tomar café no dito bar cujo nome não sei. Alguns, principalmente os que eram filiados ao PSD, aproveitavam para conversar com o ex-prefeito Orlando Faria, dono do cartório ao lado e também líder do PSD de Biguaçu.

Miguel observou que, se os vereadores fossem conversar com Faria, iria dar tudo errado, ou seja, os projetos de lei da emancipação não sairia.

 

ESTRATÉGIA

Por que Orlando Faria era contra as emancipações? Segundo o que Miguel disse na época, Faria era contra porque imaginava que, se saíssem as emancipações, seu cartório teria menos movimento, pois Ganchos e Antônio Carlos passariam a ter cartórios e o povo de lá, quando quisesse registrar algum documento, não iriam até Biguaçu para tal fim, não é?!.

E quando houve o intervalo das votações, o sinal de alerta soou na cabeça de Miguel Flor naquele dia de 1963: os vereadores não poderiam descer para tomar o “cafezinho”.

Então Miguel disse: “eu pago o café”. E passou a argumentar, sabe-se lá como, para que os vereadores ficassem ali mesmo, pois o café ficaria por conta dele. E Miguel chamou alguém (talvez funcionário da câmara ou algum conhecido) para que ele fosse no bar, comprasse os cafés e trouxesse para cima.

Os detalhes estão na reportagem que publicamos no JBFoco em 1995.

O fato foi o seguinte: um “cafezinho” poderia ter estragado tudo para que em 1963 Ganchos e Antônio Carlos não conseguissem a emancipação. Foi por causa da presença de espírito de Miguel Flor que isso não ocorreu, pois a história poderia ter sido bem diferente.

 

MEMÓRIA

Por que estou falando disso? Porque o JBFoco entrevistou o personagem principal dessa (micro)história regional e, se não tivesse registrado isso, não saberíamos esse detalhe peculiar.

Ao ler o que vem sendo publicado a respeito, a história do “cafezinho” e como Miguel Flor conseguiu manobrar para que os vereadores não descessem até o bar e aproveitassem a ocasião para conversar com Orlando Faria não é mencionada. A versão da história que ficou registrada e mais difundida é mais formal, sem os detalhes meio quase rocambolescos.

Mas por que estou falando disso? É porque há anos defendo a história da criação do Arquivo Público Digital de Biguaçu.

Se essa instituição surgisse, a história de Biguaçu estaria preservada e um dos projetos que poderiam surgir a partir dessa instituição seria o das entrevistas com personalidades da cidade.

Muitas das histórias extraídas das entrevistas podem elucidar detalhes que não estão registradas nos documentos e livros em geral.

Espero ter contribuído para o debate.

Gov. Celso Ramos: hoje um dos mais requisitados balneários de Santa Catarina

 

Praia de Palmas, Gov. Celso Ramos. (Foto Daniel Miranda)
Praia de Palmas. (Foto Arquivo JBFoco)
Praia de Palmas. (Foto Halo Comunicação)

 

Geralmente nessa época do ano, início de novembro, a prefeitura de Governador Celso Ramos divulga um calendário de eventos em comemoração à data de 6 de novembro, aniversário de criação do município.

Mas estamos hoje vivendo tempos difíceis de pandemia e a uma semana da eleição municipal.

Portanto, neste ano, não haverá festas nem comemorações até porque é preciso evitar aglomerações.

Tomara que no próximo ano, estejamos em tempos melhores, sem pandemia.

 

https://chat.whatsapp.com/D7vhA0aRnv1AwiF51xznxl

Clique no link acima e receba gratuitamente notícias do JBFOCO regional. Nesse grupo não existe interação. Somente recebimento de matérias jornalísticas de Biguaçu, Antônio Carlos, Governador Celso Ramos e região.